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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

12
Abr22

6 de Abril de 2024


Pacotinhos de Noção

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Que data é esta? Perguntarão vocês.

Uma previsão dantesca, uma efeméride que mereça ser relembrada? Será que é nesta data que será revelado quem está por detrás dos Pacotinhos de Noção, conforme milhões e milhões de pessoas gostariam de saber?

Nada disso.

6 de Abril de 2024 é a data em que acabará o período de fidelização que tenho com a MEO, e estou ansioso para que chegue esse dia.

Os mais atentos constatarão que, sendo a fidelização de 2 anos, acabei de assinar contracto, e digo-vos, se arrependimento matasse, era um cadáver que vos escrevia.

Odeio este tipo de mudanças, e era cliente da Vodafone há mais de 20 anos. Desde a altura em que ainda era Telecel, e não sofria ataques informáticos.

Acontece que ao fim de 20 anos, e após ter problemas de internet, cujos técnicos da Vodafone resolveram que a solução mais adequada seria um valente "fica assim", decidi mudar, mas não queria uma mudança radical, e quando me desloquei a uma loja MEO expliquei todas as especificações que me interessavam, caso contrário não valeria sequer a pena avançar. Foi-me dito que sim senhor, tudo era possível, e foi então assinado contracto.

No dia da instalação, o técnico não trouxe as boxes para a TV que eu tinha criteriosamente escolhido, e que seriam um dos motivos por anuir em ficar com MEO. Afirmou que teriam que ser as que ele trouxe, ao que eu retorqui preferir então que não fossem nenhumas. O rapaz disse que já voltaria e ia buscar as boxes ao supervisor. Quando saiu fez questão de desligar-me a internet da Vodafone, colocando-me assim numa situação de refém, em que agora teria obrigatoriamente de ser cliente deles.

Quando o artista volta, faz todas as ligações que precisava fazer e, entretanto, vai buscar as boxes surpreendendo-me com dois sacos do lixo roxos onde vinham os aparelhos, maiores que tijolos, datadas do tempo em que o Camões ainda tinha dois olhos.

Disse-lhe que não queria aquilo, que eram boxes usadas, vinham cheias de riscos e pó. Extras pelos quais não paguei, e sem os quais vivia bem.

Afirmei não querer aquele material e nessa altura, o funcionário do mês sugeriu-me ir à loja trocar... E fui à loja sim, reclamar e devolver as bugigangas todas que me trouxeram.

Mas reclamar na loja foi cansativo e esgotante. Estive mais de 45 minutos a debater com os funcionários da loja, e, em simultâneo, com um pelo telefone, que me garantia que iriam resolver a situação, aliás, promessa também feita pelos responsáveis na loja. Pediam-me apenas que tivesse paciência, que iria ser contactado via telefone, para agendar a troca das boxes. Ligaram-me hoje e falaram com uma arrogância tal, que parecia até que fui defecar na horta do homem. Informou-me que não viriam trocar as boxes e que teria que ficar com estas.

Tem alguma lógica que contrate um serviço novo e receba material usado, e acima de tudo, velho?

A situação não ficou por aqui. Entretanto, já fiz uns telefonemas e em princípio as boxes serão mesmo trocadas, mas só as horas que perdi, os destratos que recebi e que também cometi, a falta de honestidade que senti, fazem-me agora marcar no calendário a data que serve de título a este post, para nesse dia me poder livrar desta cruz, e voltar de novo à empresa de comunicações que, podendo ter todos os seus defeitos, acabou por mostrar-me que nem sempre se muda para melhor.

Peço desculpa ter utilizado este espaço como um livro de reclamações electrónico, mas esta será mais uma maneira de divulgar como a MEO funciona de forma deficitária, e como usa de várias artimanhas para enganar futuros clientes, tal como aconteceu comigo.

01
Jul21

Publicidade coaching


Pacotinhos de Noção

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Quando era miúdo um dos meus programas preferidos era o "Anúncios de Graça" com o Edson Athayde, e a presença imaginária do seu tio Olavo, e ainda hoje quando há repetições, assisto com gosto. Para o programa eram escolhidos anúncios geralmente engraçados e quase todos premiados, mas na verdade este meu gosto por publicidade é geral. Gosto de anúncios e não sou dos que mudam de canal ou que ficam irritados com os mesmos. Admito que quando a repetição já é demasiada também perco a pachorra, mas quando vejo que é um anúncio novo fico na esperança de que seja alguma coisa de jeito.

Isto não invalida o facto de que, embora gostando de publicidade, não fique ligeiramente irritado com algumas novas formas de comunicação dos anúncios.

A primeira é a forma como me tratam.

Reparem que agora, em quase todos os produtos ou serviços que nos vendam, a tendência é tratarem toda a gente por tu.

Não sou um tipo de classe social elevada, ou um pseudo-beto, que trata o filho Salvador por você, mas quando me tentam vender alguma coisa, seja na televisão ou presencialmente, gostaria que me fizessem sentir um tanto ou quanto especial, e como não me convidam para jantar, nem me oferecem bombons, parece-me que tratar-me com alguma deferência, não me cairia de todo mal, a não ser que julguem que a economia agora mexe toda na base de miúdos de 16 e 17 anos. Sei que o pessoal se habituou a ficar em casa dos pais até aos 40, mas isso não é síndrome de Peter Pan e por isso não devem ser tratados por tu. É necessidade, oportunismo ou só gostar de viver no pescoço dos velhotes enquanto se puder.

Sei que a maior parte do pessoal nem se preocupa com isso de serem tratados por tu, mas não consigo perceber o porque não! A maior parte deste mesmo pessoal, quando faz o cartão multibanco, pede que seja usado o título académico de Dr., mesmo quando não tem o 12º feito. Se está lá o quadradinho para se escolher o Dr. então escolhe-se. Sempre dá estatuto ao pagar as coisas no LIDL.

Mas a nova comunicação publicitária que mais me incomoda, e que geralmente vem também associada com a utilização do TU, é a publicidade coaching.

O que é isto da publicidade coaching.

Neste tipo de publicidade não vendem só um produto ou um serviço. Vendem um modo de vida. Mas não é um modo de vida qualquer, é o modo de vida que eles julgam ser o que queremos para nós. É o modo de vida da foto instantânea, o modo de vida "Instagramico" em que o mar e o céu são mais azuis, a areia é mais branca, o nosso carro não tem capota e a casca de laranja não está na pele, está só naquela rodela do nosso magnífico cocktail. Nesta publicidade dizem-nos coisas profundas como: "Vive a vida", "Dá o primeiro passo", "Quebra barreiras", "Não temas o futuro", "Estar vivo é o contrário de estar morto".

A nossa vida pode estar complicada com confinamentos, lay off, a avó nos cuidados intensivos e toda a gente a parecer-nos irritante, mas se o anúncio da MEO passa na televisão e ouvimos a Inês Castel-Branco a dizer "Humaniza-te", então pronto, ficamos logo todos humanizados porque era mesmo aquilo que precisávamos de ouvir.

A ideia que dá é que nas agências deixaram de trabalhar publicitários, e passaram a contratar só pessoal do coaching. Parece tudo saído dos vídeos do Gustavo Santos e estou sempre à espera de um qualquer anúncio em que me espete um "O amor da tua vida és TU", ou um "A mente chama-se mente porque nos mente".

Enquanto o mundo não melhora com todas estas injecções bombásticas de psicologia publicitária, resta-me recordar anúncios e slogans que não queriam mudar o meu modo de vida, e que até faziam sentido, como um "Onde você estiver, está lá", porque realmente com o telemóvel estou sempre contactável, ou um "Vá para fora, cá dentro" que nesta altura faria todo o sentido.

Enquanto espero essa melhora, não me vou humanizando porque não sou cliente MEO, mas posso sempre pedir que se juntem a mim e aguardem comigo porque "Together we can", que é o slogan da Vodafone.

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