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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

09
Nov22

A pessoa que os pariu


Pacotinhos de Noção

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Este é mais um daqueles casos claros em que o Pacotinhos de Noção fala de determinado assunto, precisamente porque aquilo que se perdeu foi toda e qualquer noção que poderia em tempos ter existido.

Já não é a primeira vez que falo acerca da "linguagem inclusiva", mas julgo ser a primeira vez que nela falo por ostracizar uma franja daqueles que supostamente este tipo de linguagem se compromete a defender 

A linguagem inclusiva nada mais é do que uma forma de obrigar a que todos (ou todes, como a linguagem inclusiva obriga) se tenham que colocar em pé de igualdade perante alguém, ou algo, que sendo uma minoria se sente ofendida por não achar que é parte de um todo. Curiosidade. Muitas vezes essa tal de minoria não quer nem saber se esta no todo ou no nada, se a linguagem é mais ou menos inclusiva, e um caso que mostra isso mesmo é este, que o Polígrafo acabou por verificar ser verdade. Então não é que agora o Centro de Controlo de Prevenção e Doenças dos E.U.A, decidiu que se teria que substituir a terminologia "mulher grávida" por "pessoa grávida"?

Sim, eu sei que isto é nos "States" mas todos sabemos que mais tarde ou mais cedo tudo o que inventam nos Estados Unidos vem cá parar. Aconteceu com a Coca-Cola, com a Apple, com as calças abaixo do rabo...

Sugiro desde já que se comecem a alterar mais algumas coisas, de modo que a linguagem possa ser mesmo inclusiva.

Em vez de "menina do olho" teremos que dizer "pessoa do olho", o pão de massa mãe terá que ser chamado pão massa progenitora, o Pai Natal será o Pessoa Natal, o Fernando Pessoa mantém-se Fernando Pessoa (este estava muitos anos à frente do seu tempo) e por fim em vez de "Homem de Neandertal" devemos apenas continuar a referiremo-nos como André Ventura.

Tal como disse atrás, utilizar o termo pessoa grávida, em vez de mulher grávida, é estar a diminuir parte daquelas pessoas para quem a linguagem inclusiva foi inventada. Por mais que digam que não, o alvo da linguagem inclusiva são homens.

A maioria das alterações que se querem fazer vão no sentido de retirar a parte masculina de toda e qualquer coisa, como, por exemplo, deixarmos de identificar a nossa espécie como sendo "O Homem", mas meteram os pés pelas mãos e querem tirar algo que só uma mulher pode sentir, fazer, e que é o estar grávida. Por mais que se tente ainda não existe outro género que consiga ficar grávido que não seja a mulher.

Por isso, e caso continuem com estas parvoíces de linguagens inclusivas, a única coisa que me apraz dizer é que vão, mas é chatear a pessoa que os pariu.

03
Out22

Religião a quanto obrigas


Pacotinhos de Noção

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Até hoje ainda não falado no caso de Masha Amini porque não me sinto minimamente capacitado para falar acerca deste assunto. Não é que não tenha opinião, o problema é ter uma opinião que poderá ser demasiado extremista, e como não gosto de extremismos, tenho dificuldade em lidar com os meus.

Masha Amini não foi morreu por ser mulher, uma rebelde, nem, porque quereria ser uma mártir. Na verdade, nem sabemos bem os pormenores da sua morte.

Não sabemos da Masha Amini, mas sabemos de outras 90 pessoas, que depois de Amini, decidiram lutar por algo em que acreditam, e que entra em confronto com a estupidez, ignorância, hipocrisia e uma ideologia bacoca de algo que deveria ser erradicado, e é aqui que me torno extremista.

No meio de tal selvajaria, estas mulheres tiveram a coragem de dar o peito às balas, defendendo algo que não devia sequer ser um direito, devia ser um dado adquirido, e que é uma mulher andar com a cabeça destapada, uma mulher poder ser uma pessoa. Isto é o mais básico dos básicos.

As mulheres muçulmanas não são oprimidas porque os seus homens são machistas, são oprimidas porque os seus homens são idiotas que vêem na religião o seu bem mais precioso, o guia de uma vida, e peço desculpa a quem se sinta ofendido, mas as religiões são o cancro da humanidade. Já viram quantos conflitos existem por esse mundo fora, que têm na religião o seu motor de combustão?

E isto não é de agora. Os cristãos também fizeram das suas, e a história não deixa dúvidas a ninguém. Haverá quem vá todos os Domingos à missa, quem veja nas parábolas religiosas ensinamentos para a vida, mas acabam sempre por aplicar o "faz o que eu digo, não faças o que eu faço".

Como pode uma pessoa guiar-se por algo que já serviu, e serve para dizimar, ou tentar dizimar, outro alguém que tem uma crença diferente da nossa? Algo que faz com que obriguem seres humanos a andar de cara tapada, fazer jejuns intermitentes forçados, a que chamam Ramadão, ou a não comer carne a determinado dia. Temos, por exemplo, na religião católica uma base formada no sacrifício de um tipo que foi humilhado, violentado, torturado e preso numa cruz, aos olhos de um mar de gente, sem ter uma alma que erguesse um braço para o ajudar.

Temos a Bíblia, que serve como escudo protector, para quem julga que só os outros é que pecam, e temos um Alcorão que se serve também do mesmo princípio.

Bem sei que muita gente precisa de acreditar em algo, mas como se pode acreditar em algo cujos todos os meios são aceites para atingir os fins.

Masha Amini foi morta sem sequer renunciar à religião que serviu de desculpa a uns hipócritas para que a pudessem, ou não, matar. Há que respeitar a ordem de colocar um trapo na cabeça de uma mulher, mas pelos vistos o "não matarás" é algo que é para manter à margem.

Choca-me bastante que este assunto não tenha tanta repercussão mediática como teve, por exemplo, a doença da Constança Braddel. Não estou com isto a dizer que a rapariga não tivesse merecido a atenção que lhe foi dada, e essa atenção até lhe abriu uma janela de esperança, mas a luta da Constança era contra uma doença, em que os que sofrem são alguns, os que se salvam são uns poucos desses alguns, mas, infelizmente, está-se a lutar contra uma inevitabilidade. Aqui as que sofrem são imensas, não é uma doença e aquilo contra o que se luta é apenas a interpretação que determinados homens fazem da sua religião.

Como afirmei no princípio, este e um assunto sobre o qual nem sei bem se deveria ter falado. Provavelmente meti os pés pelas mãos e, caso haja comentários contrários aquilo que digo, poderão até estar certos, mas contra factos não há argumentos... As religiões são propaladas como sendo fonte inesgotável do bem, mas pelo que tenho visto são muito mais eficazes a fazer o seu contrário… 

29
Jan22

Passo-me com o passado


Pacotinhos de Noção

Nos últimos tempos passou a estar quase generalizada a ideia de que o que conta é o futuro, que quem vive do passado são os antiquários e ser-se saudosista não é visto com bons olhos. Pois, eu sou um enorme saudosista e ter saudades do passado é algo de agridoce, pois se por um lado me conforta o coração por outro entristece-mo, por saber que há coisas que não mais viverei. Tenho, ainda para mais, uma condição, não diagnosticada, mas que é um facto, de que perdi grande parte da memória de toda a minha infância. Não sei se foi de quando parti a cabeça em miúdo, mas o meu passado é quase todo um enorme vazio. Familiares contam-me coisas passadas que, para mim nunca existiram. Curiosamente algumas das memórias que a mente optou por guardar, prendem-se com programas de televisão ou sensações. Talvez seja por isso que do pouco que me lembro, recordo com carinho, mesmo que alguns sejam momentos que não são particularmente espectaculares.

Respeito e agrada-me também o passado porque é ele que nos faz evoluir. Afinal de contas a formação do nosso carácter acontece por tudo aquilo que passámos e não por aquilo que há-de vir a acontecer. Se nos estivermos a moldar, projectando aquilo que pode vir a acontecer podemos nunca chegar a ser nada, pois o futuro é incerto, pode nunca vir a acontecer. Já o passado está lá, firme e forte, com toda a sua história.

Como disse anteriormente o passado causa-me também um sentimento um pouco agridoce, uma certa angústia, porque sei haver coisas que não mais se repetirão, mesmo que eu as tente reproduzir fielmente, e são muitas.

As manhãs de Domingo, em que o meu pai ia para o quintal tratar da horta ou dos animais, em que me chamava para o ir ajudar, coisa que me aborrecia, pois eu queria era ficar a ver os desenhos animados, mas que acabavam por ser preteridos para eu ir varrer o quintal.D

Depois havia o cheiro da madeira a arder, na fogueira que o meu pai habilmente fazia entre dois tijolos para depois se pousar a grelha e assar o frango, frango esse cujo sabor fumado é até hoje inigualável e que sei que por muitos anos que viva nunca mais o vou sentir. O pai que assava o frango já cá não está, as manhãs de Domingo já não são para ver os bonecos, e mesmo que queira fazer um frango daqueles agora já tenho um grelhador e uso carvão... Ah, e não herdei a habilidade do meu pai a acender fogueiras.

Outra das memórias de fim-de-semana era quando a minha mãe pedia que eu e a minha irmã fossemos ao supermercado Polisuper, na Galiza, só para comprar o pão que lá faziam e que vinha quentinho, acabadinho de sair do forno. Íamos a correr para casa só para ainda conseguirmos ter a manteiga a derreter no pão, mas não sei bem o que acontecia que, invariavelmente, o pão já chegava a casa com duas ou três dentadas. Daqueles mistérios que ficarão por resolver. Depois do pão comprado via, quando era possível, ao Sábado as classificações dos pilotos da fórmula 1, e ao Domingo a própria corrida.

Ainda há fórmula 1, mas os carros são diferentes, a publicidade é diferente, os comentários são diferentes e por mais que estes pilotos sejam vedetas nunca irão atingir o patamar de mitos como Ayrton Senna, Alain Prost, Nélson Piquet ou até Mikka Hakkinen. Continuando no mundo das corridas, que curiosamente devo dizer que agora até nem me interessam, recordo-me também com bastante saudade dos Paris-Dakar, que aconteciam nos princípios do ano e que nos aqueciam o Inverno, por vermos os carros a atravessar os desertos escaldantes.

Outras memórias que me ficam são os dias passados na praia, em que nada tinhamos com que nos preocupar, tudo aparecia feito como que por magia dentro de uma arca azul e laranja que depois o meu pai carregava para a praia. Que bem que nos sabia, depois de corridas, mergulhos, buracos, castelos na areia e sermos enterrados até ao pescoço, aquelas sandes de alface com afiambrado, porque naquela altura o fiambre era a preços proibitivos, e as pequenas madalenas da DanCake, que pareciam pequenos barquinhos...

Por falar em comida, outra das memórias doces que tenho são os lanches que a minha mãe nos fazia. Simples, porém deliciosos. Leite com café de cevada e uma boa fatia de pão de Mafra com manteiga. Sabia pela vida e não havia Bollycao que tivesse comparação.

Mas estas são memórias mais infantis. Crescendo e evoluindo fui também guardando outras memórias que me alimentam a alma. Como esquecer o pôr-do-sol cor de laranja que banhava a sala de estar da casa onde morava a namorada, que viria a ser a minha mulher e mãe dos meus filhos.

Era um pôr-do-sol de Verão que nos banhava o rosto e do qual sentíamos aquele calorzinho agradável que só nos toca na face e em volta dos lábios. Almada, aquele deserto na margem Sul, passou para mim a significar o verdadeiro começo da vida, pois esse pôr-do-sol era ali que pertencia.

Da minha filha mais nova ainda não tenho memórias suficientemente distantes das quais possa sentir saudades, mas do meu filho de 4 anos posso dizer que já tenho várias. Uma das mais queridas é de umas férias que fomos fazer a Nerja, uma cidade no litoral de Málaga, onde foi gravada a série "Verão Azul". Foi aliás por causa disso que decidimos lá ir. A verdade é que o meu filho tinha quase 2 anos na altura, mas foi (e é) uma companhia tão prazerosa para os pais, que fez com que essas férias fossem de facto bestiais. Cheguei a andar com ele horas às cavalitas, em abafadas temperaturas de 39º e 40º, e suei as estopinhas, mas foi magnífico e tenho imensas saudades.

Depois há memórias que tenho com os irmãos mais novos, que em parte já ajudei a criar, e que não voltam mais. Olhar para pessoas de 30 anos a quem dei banho e mudei fraldas (sim, naquela altura os irmãos mais velhos cuidavam dos mais novos) faz-me gostar muito mais de tudo o que já vivi e de que me lembro, do que daquilo que por ai há-de vir e que não faço ideia do que seja. Vontades tenho muitas, desejos também, mas não sei se duro até amanhã e por isso só me quero preocupar o estritamente necessário, no que ao futuro diz respeito.

E vocês, são saudosistas, não ligam nenhuma ao passado e anseiam pelo futuro, ou gostam do abraço confortável que as memórias vos trazem? 

18
Out21

Isto chega para ser machista?


Pacotinhos de Noção

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Para mim não há cá essa mariquice de igualdade de géneros, e a justificação é muito simples.

Não pode haver igualdade de géneros porque os géneros não são iguais. E se isto fosse um meme agora aparecia o senegalês Khaby Lame a abrir os braços, porque isto é lógico.

Se houver feministas a ler neste momento já estarão cheias de urticária. Das duas uma, ou é alergia ao que escrevi ou aos 50 gatos com que vivem, mas antes que me destinem a forca devo desenvolver o assunto, para tentar fazer com que não me definam como um porco machista. Ou então definam porque se o fizerem é por pura e simples ignorância, ou porque apenas têm que ter um alvo para que possam assim dar algum tipo de valor às vossas lutas sem sentido.

Não se confundam. Quando digo que não acredito na igualdade de género não quero com isto defender que o homem é superior, ou que a mulher não deve ter as mesmas oportunidades. Aquilo que defendo ao não acreditar na igualdade de géneros é que deve, isso sim, haver uma igualdade de géneros... Não é gralha. Escrevi exactamente aquilo que queria, e passo a explicar.

Aquilo que se está a generalizar não é igualdade em parte nenhuma do mundo.

O que se está a fazer é a tentar menorizar deliberadamente, e até a ostracizar, toda e qualquer acção que o homem possa desempenhar, afirmando que não a faz por mérito próprio mas apenas porque tem mais testosterona.

Igualdade não é definir quotas mínimas de mulheres no parlamento, numa empresa, no cinema (a desempenhar protagonistas farsolas) ou em qualquer outra situação.

Igualdade não é abolir a definição de "Homem" quando nos referimos à humanidade, ou inventar palavras que não

possam ser definidas como masculinas. Se assim for então também terá que se rever "A" sociedade, que é composta por mulheres mas também por homens, "A" maternidade, que apenas acontece quando um espermatozóide produzido num corpo masculino fecunda um óvulo dum corpo feminino, ou "A" religião, que é para todos os crentes, independentemente do sexo.

Estes exemplos são estúpidos porque o conceito, todo ele, é estúpido.

Esta luta define-se como "Alcançar a igualdade de género e empoderar TODAS as mulheres e raparigas". Logo na definição isto está mal.

Empoderar todas as mulheres parte do princípio que todas têm esse direito, tenham capacidade para ser empoderadas ou não, então qual seria o mérito do empoderamento? Ser mulher? Nesse caso estão apenas a fazer o mesmo que criticam no homem, que é o de ser empoderado apenas por ser do sexo masculino.

Perdoem-me as puristas do feminismo, mas por muitos anos que viva serei, e quero continuar a ser, machista se a definição de ser machista tiver incluído (e actualmente tem) o tratar de forma mais branda uma pessoa por ser mulher, o abrir uma porta, ou deixar que passe primeiro que eu numa qualquer entrada. Isto não é condescendência, é uma questão de educação e é algo contra o qual não quero lutar. Para mim é uma questão de bom gosto, assim como é de bom gosto senhoras que usam desodorizante e que não gostam de andar com os sovacos cabeludos.

Sim senhora, é uma opção de cada uma e o "vosso corpo, as vossas regras" mas o meu nariz faz parte do meu corpo e também existem algumas regras que ele gosta que se respeitem, como as regras da higiene e do civismo, por exemplo.

É um facto que há homens que cheiram a cavalo, mas não me parece que esse seja o método a copiar, para se conseguirem empoderar. Homens porcos sempre houve e sempre houve porque, e mais uma vez chegámos à mesma conclusão, não têm educação e não sabem viver em sociedade.

A sociedade beneficiaria em ter mulheres em cargos políticos não apenas por serem mulheres, ou pretas, ou LGBT, ou com uma qualquer debilidade física ou mental. Estas características não têm qualquer tipo de interesse face àquelas que realmente importam, e que infelizmente são colocadas para segundo plano. São características como a integridade, a inteligência, a educação, o profissionalismo e a competência. Quem reúna estes requisitos pode até vir mascarado de Panda ou palhaço Batatinha, que para mim teria um lugar de destaque onde quer que fosse.

Tivemos casos de mulheres que deram muito certo, é verdade, mas também tivemos outros que eram um desastre anunciado e nem sendo mulheres conseguiram contrariar o que se temia. Podemos lembrar-nos de Dilma Rousseff, por exemplo, ou de Joacine Katar Moreira, que é uma deputada não inscrita e que é também uma deputada a não ser levada em conta, pelas enormidades que gosta de vomitar.

- Temos homens incompetentes a desempenhar altos cargos em empresas e até no Estado? - perguntarão vocês.

Agora assim de repente o meu machismo não me deixa lembrar de nenhum, até porque nem temos uma companhia de aviação e vários bancos falidos, geridos por homens. Mesmo o nosso Primeiro-Ministro é de uma eficiência impressionante.

Quer dizer, ser até é, que ele tem sido eficiente a manter-se no seu lugar. Lembrei-me até de uma analogia nada machista:

"O homem está agarrado ao poder de tal forma que até parece um grupo de mulheres, a segurar a última peça de roupa, em dia de saldos."

05
Ago21

A paridade não quer nada comigo


Pacotinhos de Noção

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Sou um defensor acérrimo da paridade de géneros.

Tanto assim é que tenho dois pneus do carro para mudar mas enquanto não encontrar uma Norauto com senhoras que o façam, ando com os velhos. É uma vergonha serem só homens a fazer este serviço.

Para verem como a paridade é algo que tenho em tanta conta desde já vos dou a conhecer que anteontem apresentei uma queixa na Segurança Social porque não consigo encontrar uma creche que tenha 40% de homens a trabalharem como educadores ou auxiliares. Julgo ser uma discriminação e uma falta de respeito para com a figura masculina.

Estava a brincar. Não tenho pneus para mudar e não tenho filhos na creche e também estava a brincar com essa coisa da paridade. "Coisa", isso mesmo.

Tentar obrigar a que uma empresa, um Governo ou instituições pertencentes à função pública tenham que respeitar quotas obrigatórias de mulheres apenas porque são pessoas sem testículos, parece-me uma "coisa" e um favorecimento, e para favorecimentos temos bons políticos e dirigentes desportivos, que lhes saberão dar melhor uso.

Inventar algo como a lei da imparidade e impor determinado número de mulheres em trabalhos, apenas porque são mulheres é medíocre e um atestado de estupidez. Mal comparado é como o filho do patrão que só está na empresa porque é filho do patrão.

Defendo que têm que ser dadas iguais oportunidades a todas as pessoas e se as pessoas se demonstrarem competentes ocuparão o lugar a que têm direito. De que adianta ter obrigatoriamente 40% de mulheres em determinada empresa quando essas mulheres estão lá só porque sim e dessa forma julgam que nem vale a pena serem produtivas. É que o delas já está garantido no finalzinho do mês.

Alegarão que estou a partir do princípio que essas mulheres estarão a agir de má-fé e que não o posso fazer. Mas claro que posso. Assim como muita gente também parte do princípio que as entidades patronais estão a colocar mais homens do que mulheres apenas por serem sexistas.

Não me iludo. Todos os dias continuo a ver homens valentes à antiga. Daqueles que passam dias nos copos e que defendem que as mulheres têm é que ficar em casa a tomar conta dos filhos.

Este tipo de pensamento é já tão ultrapassado que chama-lo de pensamento é até uma afronta. Mas existe, é um facto, mas não vai mudar apenas porque mulheres conseguiram garantir postos de trabalho por serem mulheres.

Não estamos a caminhar para, neste momento estamos já a chafurdar no meio de uma sociedade lamacenta, cuja meritocracia é um valor colocado de parte. Na verdade tem sido um valor ignorado desde o início dos tempos, mas era-o de uma forma dissimulada e agora é descaradamente.

Desde familiares de políticos, que são colocados estrategicamente em cargos, empresas privadas e empresas públicas, com o fim de criarem uma rede de influências bem distribuídas, até a mulheres que por serem mulheres são beneficiadas e até a jovens que terão acesso facilitado ao ensino superior apenas porque a morada que lhes pertence é a de um bairro social.

Mas é da paridade que estamos a falar, e ver mulheres orgulharem-se das migalhas que lhes põem no prato, apenas porque é lei, deixa-me a pensar que essas mulheres sim, só chegarão a algum lugar se forem efectivamente ajudadas.

Ter 40 ou 50% de mediocridade é bem pior do que ter 10 ou 20% de excelência.

Isto não é um ataque às mulheres. Nada tenho contra elas. Antes é um ataque contra os facilitismos que servem apenas para de uma forma simples se conseguir cumprir objectivos que no papel ficarão bem, mas que na prática pouco mudarão.

 

 

 

 

02
Jul21

Tenho testículos. E agora!?


Pacotinhos de Noção

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Gostaria de deixar aqui o meu testemunho como um ser portador de testículos.

Tenho dois. São ambos meus e o facto de ter dois não significa que tenha para a troca.

Não sei se são grandes ou pequenos mas são fáceis de identificar, pois quando nasci julgo que foi também por ai que puderam afirmar à minha mãe, com convicção, que o estafermo que nasceu era um menino.

Não têm super poderes e não me dão força Hercúlea ou uma coragem acima da média. Posso até referir que tenho algumas cobardias, mas não direi quais por receio que as usem contra mim.

Para mim ter testículos nunca foi motivo de orgulho. Nunca os ostentei nem sequer fiz um retrato para colocar na parede da sala, mas também nunca foram motivo de vergonha... Até hoje. Quer dizer, até hoje não porque na realidade continuo sem ter o mínimo de vergonha de ser um espécime testiculado, mas parece que grande parte da sociedade quer que me envergonhe. É que, segundo me tem sido dado a perceber, todo e qualquer elemento que tenha testículos sofre de um mal a que se chama de masculinidade tóxica. Não percebia bem o que isso queria dizer, afinal sou um neandertal da espécie masculina e fui-me informar no fantástico mundo das internetes.

Descobri que existem mais duas definições e que servem para combater a "masculinidade tóxica". São a "masculinidade histérica" e a "feminilidade tóxica".

Vamos primeiro à masculinidade tóxica que é a mais conhecida.

Todos os dias digo à minha mulher que é uma vaca porque não me engomou bem os colarinhos da camisa. Dou-lhe um estalo porque salgou a sopa e ao fim do dia, depois de ver o Preço Certo e os trajes reduzidos da Lenka, exijo que a minha mulher que faça uma bela massagem nos pés. Não os lavei e cheiram pior que o penico do Satanás, mas ela é a minha mulher por isso ou massageia ou vai haver chatice. Quase TODOS os homens sofrem de masculinidade tóxica. Digo quase todos porque os da próxima categoria não sofrem.

São os que sofrem antes de masculinidade histérica.

Este espécime tem várias características que o definem. Colocam-se vários patamares acima de todos os outros machos porque eles são na verdade os iluminados.

São os primeiros a definir que certo e determinado comportamento são exemplos de masculinidade tóxica, gostam de mostrar que, não tendo um lado feminino, conseguem perceber perfeitamente aquilo que a mulher sente e defendem-na contra tudo e todos, se tudo e todos forem outros homens. São rebarbados mas escondem (mal) porque a "rebarbadisse" é traço de toxicidade masculina. Quando dizem ou fazem algo que pode ser visto como masculinidade tóxica dizem que "era uma piada" ou "estavam a brincar". Acham que a objectificação feminina, se feita por outros é uma vergonha, feita por eles é arte.

Normalmente não têm relacionamentos duradouros porque são uma seca e porque entre quatro paredes exercem masculinidade tóxica.

Última categoria. Feminilidade tóxica.

Todo e qualquer homem que respire, a menos que seja seu amigo, gay ou um masculino histérico, é uma besta.

Numa discussão a mulher terá sempre razão, mesmo que esteja a defender que 2 e 2 são 5. O homem que não concordar é um castrador e merece a prisão.

Os homens não são necessários e só olham para a mulher como um pedaço de carne.

Um homem que queira usar a sua liberdade sexual da maneira que quiser será apelidado de porco tarado, a mulher que faça o mesmo está no seu pleno direito e não é esta sociedade machista e opressora que a deve impedir.

Ouvi já (e isto é mesmo verdade) que se uma mulher quiser andar sem calças e sem roupa interior na rua deveria poder fazê-lo sem ter que lhe ser chamada a atenção, porque o corpo da mulher é da mulher e faz aquilo que com ele quiser. Até aqui estamos de acordo, mas o ar é de todos e há que respeitar o poucochinho que cada um tem.

Já é habitual escrever aqui os meus problemas e mais uma vez o faço.

Não me enquadro em nenhuma destas categorias, mas tem ficado cada vez mais definido que todo o homem que não é histérico é tóxico... Quem o tem definido são as tóxicas e os histéricos e como me ofende que digam isto de mim eu não me sinto com vontade de pertencer ao grupinho deles. Como tenho testículos, e é essa a principal característica do tóxico, já pensei fazer como o Farinelli e castrar-me, mas conforme disse há pouco sou um tanto ou quanto cobarde e não o consigo fazer.

Está visto que solução não arranjo e peço que se alguém souber como descalçar está bota me diga de imediato. Quero começar a ser aceite pela sociedade e não queria mesmo nada ser um masculino histérico, porque teria que pintar as unhas, fazer tatuagens feias, ser hipócrita e deixar de lavar o cabelo.

14
Mai21

Quem incumbiu o sermão?


Pacotinhos de Noção

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Tendo em consideração a opinião de uma mulher com quem sou casado, uma de quem sou filho e quatro de quem sou irmão, as mulheres estão fartas de ser porta estandartes para homens e movimentos que acham que defendem as mulheres, quando na verdade estão apenas a fazer o trabalho contrário, ou estão a aproveitar o facto para se tornarem apelativos ao sexo feminino. Mal comparado é como o tipo que não sabia tocar, mas que levava a viola para o liceu porque assim fazia sucesso entre as miúdas.
Há uns anos, quando uma mulher chegava a um lugar de destaque numa empresa, na boca dos outros chegava lá porque ou se deitou com a pessoa certa, porque seria filha de alguém fluente, porque era uma cabra ou porque seria efectivamente competente. Hoje em dia a única diferença, na boca dos outros, é que se adicionou mais uma opção que é, "a empresa é obrigada a ter quotas de mulheres na direcção". Isto é uma evolução? Não me parece.
As línguas viperinas vão sempre existir. Se ao invés de ser uma mulher for um tipo jovem, a meritocracia também não existirá, vai-se sempre inventar uma justificação que seja mais apelativa aos comentários maldosos. É uma característica típica do ser humano.
Estar-se sempre a defender a mulher porque é mulher, tem um efeito contrário ao que é pretendido. Tenho visto algumas mulheres a sentirem-se indignadas por terem sempre um qualquer papagaio a falar por elas, sem para isso estar abalizado.
Gostaria de falar sobre a sororidade. Sororidade é uma palavra inventada para servir de escudo a algumas mulheres que, como a grande generalidade das mulheres, fala mal das outras, mas que finge que não porque ela até defende a sororidade. As mulheres falarem umas das outras é algo de inato. Não se consegue lutar contra isso. Inato é também em mim o acto de abrir a porta a uma senhora, deixá-la passar primeiro, dar-lhe o meu lugar e tratá-la com alguma delicadeza, mas hoje em dia sei que piso terrenos pantanosos, porque ao fazê-lo poderei estar a ofender, não a mulher, mas um qualquer movimento que acha que estou a minimizar a mulher. A isto não se chama minimizar, chama-se cortesia. Cortesia essa que por acaso também tenho para com pessoas mais velhas, e nunca levei nenhuma bengalada.
Uma mulher que hoje em dia queira ficar em casa a cuidar dos filhos, que não queira entrar no mercado activo do trabalho, ou que queira ser dona de casa, é encarada como alguém que é manietada pelo marido, ou então que está a prescindir dos seus direitos, quando na verdade está no seu direito fazer ou não aquilo que entender. A sociedade ao exigir que todas as mulheres demonstrem ser realmente espectaculares, estão a colocar uma pressão desnecessária.
Estou de acordo que se defendam as mulheres fazendo leis mais punitivas nos casos de violência doméstica, que se criem apoios às mães que decidam não trabalhar para cuidar dos filhos e também que se criem condições para que as mães que querem trabalhar o possam fazer livremente, sabendo que os seus filhos estão a ser bem cuidados. Agora vitimizações e obrigações que acabam por colocar a mulher numa situação frágil, ai não estou nada de acordo e sei que muitas delas também não.
Se ao lerem estas linhas acharem que não respeito as mulheres, que sou misógino ou machista, então lamento. Não por aquilo que pensam, mas porque não consegui fazer passar a minha opinião correctamente. Mas mais uma vez sublinho, as mulheres têm voz activa. Não precisam de quem acha que deve falar por elas.

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