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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

22
Dez21

Gira o disco e toca o mesmo...


Pacotinhos de Noção

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Tenho evitado voltar a falar do assunto Covid.Evito porque já não há paciência, porque já não há nada de novo, porque já me mete nojo as historietas do "novo normal" do "salvar ou ganhar o Natal", as incertezas dos confinamentos ou não confinamentos, das medidas que eram umas e agora são outras, das conversas de negacionistas, dos que tanto sabiam, mas que afinal não sabiam assim tanto... Não há pachorra.

Continuo a pensar que negar as evidências não é não fazer parte do rebanho nem ser iluminado, é só ser estúpido, mas devo admitir que chego a uma fase em que também eu me vou começando a sentir estúpido.

Acredito na vacina e na sua efectividade. É um facto comprovado e quanto a isso não há grandes dúvidas. Algo em que também não há grandes dúvidas é na falta de capacidade e de organização destes idiotas que nos têm conduzido. Falo do Primeiro-Ministro António Costa, da Ministra da Saúde Marta Temido e da Directora Geral da Saúde, Graça Freitas.

Quanto ao primeiro não se iludam, a sua principal luta não é contra o vírus, é a luta para manter a cabeça à tona de água. Precisa de votos como de pão para a boca, para continuar a alimentar esta sua exacerbada fome de poder.

Parando e analisando pode até ser que a fome de poder não seja uma fome assim tão grande e tendo em consideração o histórico de ex-políticos do PS que estiveram no poder, a probabilidade de António Costa não querer sair, para assim continuar a ter as costas quentes com o cargo que ocupa, evitando ser, mais tarde ou mais cedo alvo de investigações, é algo que não me parece de todo descabida... ou será que é?

A estratégia apresentada, de deitar abaixo quase todas as restrições, e de agora, próximo das eleições voltar a impor algumas, mostrando que se faz tudo por tudo para combater a pandemia, mais não é do que um apelo ao incauto português para no final de Janeiro votar naquele que, cortando-se-lhe o coração, tem que impor estas restrições para nos salvar de uma sorte madrasta.

O que me incomoda é que realmente há por ai muita toupeira, que se deixa enganar por estes "rodriguinhos" de fraquíssimo marketing político, e vai mesmo voltar a votar neste déspota.

As duas personagens que faltam são a confirmação de que, de facto, todos eles pouco se estão "marimbando" para quem se safa, quem não se safa, quem se infecta ou não infecta.

Marta Temido podia ser apelidada de crocodilo, quer pela sua enorme bocarra que não raras vezes abre para dizer asneiras, mas também pelas lágrimas, que já em diversas ocasiões quase lhe rolaram pela face, numa confrangedora tentativa de mostrar que tem sentimentos e que o que lhe corre nas veias é mesmo sangue. Mas não é. O que lhe corre nas veias é descaramento e incompetência, relembro como foi escandaloso o que aconteceu no Inverno passado, e não foi por falta de avisos, assim como não houve falta de avisos para o período invernal e até infernal que por aí vem.

Uma das vozes que recordo ter ouvido várias vezes alertar para a situação a que estamos a chegar, foi a jornalista Clara Ferreira Alves, apelidada até de alarmista por um ou outro seu colega do Eixo do Mal... Pois, não foi alarmista, foi precavida nas chamadas de atenção, ainda no período de Verão, aconselhado a que se fizesse a projecção do que poderia ser o Inverno.

Por fim temos Graça Freitas que parece aquela professora, que todos tivemos, que não percebia bem a matéria dada, que acabava por baralhar os alunos ao misturar alhos com bugalhos. Mas nessa altura um tipo podia estudar em casa ou ir a explicações, neste caso aqui explicações não há e em casa não se estuda, só se fica confinado. Mas não se preocupem pois podemos trocar umas compotas, feitas por nós, no vão das escadas, ou fazer um pequeno-almoço de Natal, em vez da já tão batida ceia.

Bem sei que estas anormalidades não foram ditas pela Graça Freitas e sim pelo seu substituto, visto que a directora estava em casa, de molho, mas se fosse ela a porta-voz a treta seria aproximadamente a mesma. Recordo que a senhora de lenço ao pescoço, que mais faz lembrar o cartoon do "Lone Ranger" (quem não conhece que pesquise e veja o cowboy de lenço), já teve intervenções tão espectaculares como a de não haver o perigo do vírus chegar a Portugal, de que a transmissão do mesmo não seria por pessoa a pessoa e sim por alimentos, que as máscaras dariam uma falsa sensação de segurança, etc.

A única coisa em que está senhora tem sido de uma coerência fenomenal é na tentativa de imputar sempre a culpa aos cidadãos, sendo esta uma táctica concertada por estas três figuras.

Graça Freitas, não rara é a vez, em que insinua que o número de casos só aumenta porque as pessoas não têm todos os cuidados que deveriam ter, António Costa chegou a chamar cobardes aos médicos, e Marta Temido afirmou que os mesmos médicos são pouco resilientes.

Meus amigos, o circo está montado. Depois de Janeiro, quando as eleições ficarem para trás, vai tudo ficar em casa de novo. Não porque vá morrer tanta gente como no ano passado, mas sim porque não há camas nos hospitais, há menos profissionais na área da saúde e porque deixará de interessar assim tanto se as coisas melhoram ou não. Afinal de contas as eleições já hão de ter acontecido e mais votos só serão necessários para as eleições que chegarão muito tempo depois.

01
Dez21

Maravilhoso espírito natalício


Pacotinhos de Noção

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E eis-nos então chegados à outra época do ano pela qual tudo faz sentido. Uma é o Verão, em que aquecemos a pele ao sol, torrando-a e "recarregando baterias" como tantos costumam dizer, e outra é o Natal onde aquecemos os nossos corações e aquilo que torramos é o pouco dinheiro que se vai tendo na carteira. Mas gastar para oferecer não é gastar, é investir. Investir em relações fraternas e genuínas, que serão mais fraternas e genuínas consoante o valor daquilo que se dá ou se recebe.

Por esta altura temos os aconchegantes anúncios natalícios.

Quando era miúdo havia o dos chocolates da Regina em que o "o coelhinho ia com o Pai Natal, e o palhaço, no comboio ao Circo". A casa deste anúncio aparentava ter lareira, ser quentinha, tal como ficavam os nossos corações, e a árvore de Natal era bonita e luminosa, sem lâmpadas fundidas ou a falhar, nem gatos a mandar a árvore abaixo. Havia também o anúncio "Da Minha Agenda" em que vozes de crianças cantarolavam, desejando e pedindo que "Este ano a minha prenda eu quero que seja, a Minha Agenda, a Minha Agenda..." Mas isto acabou. Não me estou a referir às agendas, que também já viram melhores dias, mas acabaram os desejos e os pedidos. Agora temos exigências e obrigações.

Tal como antes, os anúncios de Natal existem, mas de ano para ano têm perdido algum do encanto e magia. Temos uma Popota que ocupou todo o espaço que também já foi da Leopoldina, mas que a abafou por completo. O poder subiu-lhe à cabeça, o mau gosto apoderou-se da hipopótama e de ano para ano tem mostrado ser cada vez mais pindérica. Qualquer dia compra acções de um qualquer grupo de ‘media’ e passa a sentir ser dona do Mundo.

Depois temos os anúncios natalícios que apelam ao coração de forma lamechas e com frases retiradas de um qualquer livro de "coaching", vendido numa bomba de gasolina. Tratam-me por tu, mas tudo bem, é Natal e como o amor que se sente é fraterno não tem mal todos nos tratarmos como irmãos.

Por fim vou falar dos anúncios natalícios das empresas de telecomunicações, mais especificamente do lançado há cerca de duas semanas pela NOS. É o lindo anúncio do boneco de neve. Ainda não viram? Devo dizer que o meu coração bateu mais forte e as lágrimas quase me escorreram pela face.

O anúncio retrata uma família, presumivelmente de Lisboa, ou de um sítio onde normalmente não neva, mas em que a vontade da menina era a de ter um boneco de neve.

Os pais, queridos como eles só, tentam fazer um em esferovite, mas a menina não gosta, tentam em papel, mas a menina não aprova, tentam até em gelo e a filha não se coíbe de mostrar que não é o que queria, fazendo até cara feia. É então que, a determinada altura, os pais fazem uma pequena surpresa à garota, tapam-lhe os olhos, e na cena seguinte vemos a menina, toda alegre e sorridente, rodopiar junto de um boneco de neve, com os pais todos satisfeitos a verem a sua pupila com uns óculos de realidade virtual colocados, rodando no nada, fazendo figuras de tontinha.

No fim deste anúncio é sempre difícil conter as emoções, que não são muitas, mas que são fortes. Pelo menos eu penso que raiva e nojo são fortes.

Então aquilo que se quer transmitir é que por mais que um casal de pais se esforce, a pirralha nunca vai ficar satisfeita?

Querem mostrar o egoísmo de uma criança, que não considera tudo o que os pais fizeram, da melhor forma que conseguiram ou puderam,  para tentar proporcionar-lhe o sonho e o estaferminho de saias nem hesitou em fazê-los sentir mal?!

É isto que se pretende? Que a miudagem dos nossos dias só se interesse por tecnologias e aparelhos electrónicos de satisfação rápida, sendo que depois não têm paciência nem para um puzzle de 50 peças? 

Julgam que eles vão ficar mais inteligentes, por terem acesso à tecnologia, que depois lhes invade o quotidiano, as refeições e todos os momentos importantes do dia, ou vão ficar frios, desligados da humanidade e sem empatia pela sociedade, por irmãos e até pais, pura e simplesmente porque nunca quiseram nem souberam comunicar entre, e com eles? Habituaram-se a viver com a cabeça enfiada nos tablets e smartphones e aos poucos vão ficando com um cérebro empapado que de nada lhes servirá, tal foi a habituação à falta de uso do mesmo.

"Ai o Salvador ainda não sabe falar, mas já sabe jogar no tablet."

Mãe e pai, isto não significa que o Salvador é um sobredotado, significa que o jogo que o Salvador joga é básico, e que esta é a medida a que ele se vai habituar, por isso vai crescer também um básico. E quanto ao não saber falar, lamento muito, mas provavelmente é algo que vai perdurar porque para aprender a falar tem que comunicar, e os tais aparelhinhos não o permitem. Por isso é que nunca se ouviu falar tanto em terapeutas da fala como agora.

A culpa destas situações não é da publicidade. A publicidade apenas faz um retrato daquilo em que a sociedade aos poucos se transformou, e se a sociedade agora é isto, e a publicidade quer vender, é isto que nos vão oferecer.

Tempos houve em que a televisão era muito criticada por conspurcar os lares das pessoas, mas essa ao menos, ainda permitia que todos vissem um conteúdo em simultâneo, já os smartphones e tablets são aparelhos que promovem o isolamento, afastando os elementos de uma família cada vez mais e mais.

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