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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

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Pacotinhos de Noção

16
Mar21

Postigo, sinónimo de segurança?


Pacotinhos de Noção

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Os mais novos não sabiam o que era um postigo, os mais velhos já nem se lembravam e a mim não me fez confusão nenhuma a reutilização desta palavra, porque nunca tinha deixado de a usar.

A porta da casa da minha mãe tem um postigo. Sempre teve e por isso o postigo ser sinónimo de segurança não é para mim novidade. Hoje o postigo utiliza-se de forma a criar uma barreira contra o Covid. Quando eu era miúdo servia para ver, por detrás da cortina, se quem batia à porta era o tipo para cortar a luz, ou o das mensalidades dos cobertores e optar por abrir ou não a porta. Eles tinham o mau hábito de vir cobrar em alturas que a minha mãe não tinha dinheiro, que durante o mês eram cerca de 27/28 dias. Mas estas situações fizeram do postigo algo muito presente no meu dia a dia.

Agora, que já sou adulto, o postigo da minha mãe ainda lá está. Os tempos são diferentes e já não se compram cobertores a prestações... na verdade já nem se compram cobertores, vivemos na era dos edredões. Mas o postigo volta a estar presente e embora lhe guarde muito boas recordações este novo postigo não me agrada assim tanto. É não só um postigo de segurança mas é também um postigo que serve de desculpa para desconfinar alguns negócios mas sem fazer, na realidade, nada por eles. Como é que uma sapataria ou uma "boutique" consegue fazer venda ao postigo? Vou comprar uma camisola e tento dar as melhores indicações possíveis ao funcionário, para que ele me traga o que quero ao postigo? E para experimentar, como vai ser? Experimento ali, junto ao postigo ou levo para casa e se estiver mal trago de volta? É que se for assim sou obrigado a andar o dobro das vezes na rua, fugindo assim ao confinamento que se continua a querer rígido.

O postigo faz sentido em coisas como cafés, padarias, pastelarias, até em sapateiros, mas em lojas de roupa, e todas as outras em que há uma necessidade de experimentar algo, o postigo não ajuda muito. Percebo que se queira manter o nível de transmissão baixo, mas não faz sentido não poder usar os provadores de uma loja de rua (que não tem o mesmo nível de afluência que uma de centro comercial) mas possa ir ao barbeiro ou até fazer uma tatuagem, cuja possibilidade de transmissão é bastante maior.

Voltando a coisas da minha infância, como era o postigo da casa da minha mãe. Este vírus parece aquela pessoa chata e inconveniente que veio fazer uma visita sem ser convidada, e quando essa pessoa aparecia o meu pai punha uma vassoura, de pernas para o ar, atrás da porta. Dizia que mandava essas visitas embora. Acho que está na hora de medidas drásticas, por isso é melhor pormos todos a vassoura atrás da porta. Daqui a uns dias, quando o vírus desaparecer, não necessitam de me vir agradecer.

21
Fev21

Parece que isto só está mau para uns...


Pacotinhos de Noção

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Quase diáriamente tenho visto nos noticiários o quão difícil é para a restauração enfrentar esta pandemia.

Não podem receber clientes, o TAKE-AWAY não é suficiente para fazer frente às despesas e como tal o Estado deverá, obrigatoriamente, ajudar o sector.

Tudo isto são verdades e acredito que esta altura seja realmente bastante difícil, mas e todos os outros que não são da restauração?

Não sei bem qual foi o critério dos media para escolher qual seria o sector de negócio que merecia a benesse de quase diáriamente ter o papel de coitadinho em todos os noticiários de todos os canais, mas pelos vistos o nome que saiu em sorte foi "RESTAURAÇÃO".

Ao contrário da restauração há inúmeros negócios a quem não lhes é permitido abrir portas, que não podem fazer TAKE AWAY ou entregas, e que provavelmente também não vão conseguir qualquer apoio do Estado, por está ou aquela vírgula que estará a menos ou a mais num qualquer impresso das Finanças ou da Segurança Social.

O Sr.António, que é sapateiro, fechou totalmente. Assim como a Clarisse Cabeleireira, o Alfredo Alfaiate, o Francisco que tem uma boutique, a Alzira que é costureira, o Cajó que tem uma discoteca ou quem tenha um bar, uma sala de espectáculos, uma barbearia, um salão de estética... Todos os negócios estão em maus lençóis, infelizmente muitos deles não vão certamente reabrir e como tal não é DE TODO a restauração o sector de negócios que está a ser o mais fustigado. Calha até o negócio não ser um restaurante e ser uma pastelaria vizinha do INEM, ou de um quartel de Bombeiros, e poderá vir a ter direito a umas vacinazinhas antes que toda a gente. Ora aí está mais uma vantagem que os outros negócios não têm.

Neste momento não há uns mais coitadinhos que os outros. Estão todos no mesmo barco e este barco mete água por todos os lados, mas lá diz o ditado... Quem não chora não mama.

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