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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

24
Fev22

E VIVA O BENFICA


Pacotinhos de Noção

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Sou adepto do Benfica.

Tornei-me a 23 de Maio de 1990. Nesse dia a minha escola primária fez uma visita de estudo a Vila Viçosa, naquele que era o passeio mais aguardado do ano, o chamado "Passeio Grande". Saíamos de manhã cedo, voltávamos ao final do dia e nesse final de dia jogava-se a final da Taça dos Campeões Europeus. Era o Benfica contra o AC Milan, mas isso a mim pouco me importava. Não ligava nenhuma ao futebol, mas senhor condutor fez o favor de colocar o jogo no rádio e para mim, continuava a não ter a mínima importância. Entretanto, AC Milan marcou golo e o resultado não mais se alterou até ao final, acabando derrotado o Benfica.

Vi alguns dos miúdos da minha escola a chorar e não consegui perceber porquê, mas interessou-me o facto de alguém estar tão ligado a determinado clube que até chorava nas derrotas. 

Ganhei simpatia pelo Benfica numa derrota e a partir dai tomei este clube como o meu, e embora nunca tenha vertido uma lágrima por perderem um qualquer jogo, devo dizer que quando acontece aborrece-me e que raramente perco um jogo.

Dito isto devo também dizer que, não invalidando tudo aquilo que disse anteriormente, sinto-me bastante melindrado quando, depois de um empate do Benfica todos, repito, TODOS os canais de informação portugueses, transmitiam programação referente ao jogo que terminou há pouquíssimo tempo, e que o Benfica até nem ganhou. Mas, e mais notícias, não havia?

Estive o dia todo a trabalhar, cheguei a casa e tinha vontade de saber o que se passava no Mundo, como evoluíram os números da pandemia, sendo agora endemia, se os russos já avançaram sobre a Ucrânia, quanto irá subir o combustível amanhã, se o Cabrita vai ser Ministro dos Transportes... Todas estas pequeninas coisas, que ainda assim considero bastante mais relevantes do que saber se havia ou não grande penalidade, se o Veríssimo deu discurso motivacional ao intervalo ou não, como vão jogar eles na Holanda... Que me desculpem os que amam o futebol mais que aos próprios filhos, mas isto tudo são uma quantidade infindável de trampas sem a mínima importância.

Existem pelo menos 4 canais portugueses de informação e todos eles se vergaram à jornada europeia do Benfica. Falo aqui do Benfica, mas poderia falar de outro clube qualquer.

Aquilo que me parece é que mais uma vez as prioridades estiveram trocadas.

Estamos à beira de uma guerra entre dois países de leste que podem ter como consequência uma nova guerra mundial, conflito este que terá contornos completamente diferentes dos dois que aconteceram em 1914 e 1939, porque existem desta vez armas nucleares aos pontapés, e conforme, supostamente, disse Einstein:

"Não sei com que armas a III Guerra Mundial será lutada. Mas a IV Guerra Mundial será lutada com paus e pedras."

Por isso que se dê a devida "desimportância" ao futebol, e que informem a população daquilo que vai acontecendo na Ucrânia.

Alguns hão de dizer -"Ah e tal, mesmo que haja guerra nunca aqui há de chegar, estão lá do outro lado do Mundo… "- pois é meus queridos amigos, o coronavírus também não ia cá chegar, e também estava do outro lado do mundo, no entanto, fez o estrago que fez.

Mas não faz mal, porque o Benfica jogou, e enquanto houver circo e uma côdea de pão, fica anestesiada a população 

22
Jun21

ALERTA CM: Farinhera mata paio em feira de enchidos


Pacotinhos de Noção

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Calma. Este foi apenas um título sensacionalista para vos captar a atenção.
Tanto a farinheira como o paio estão de perfeita saúde e nem sei se o tipo de iniciativas como as feiras de enchidos voltaram a ser permitidos pela DGS.
Uma vez que já conto com a vossa atenção aproveito o facto e falo-vos da crise que vivemos no que a notícias diz respeito.
Numa altura em que há tanta informação mas que a população não a sabe crivar, aqueles que o deveriam fazer, para esclarecer os cidadãos, demitem-se também das suas funções, por causa da tão conhecida luta pelas audiências.
A informação quer-se imparcial, rápida, concisa e de fácil compreensão. Não é tudo notícia, e quem segue o trabalho do Nuno Markl já deverá ter ouvido a explicação do porquê a sua rubrica se chamar "O Homem que Mordeu o Cão". Uma das primeiras coisas que é ensinado a quem estuda comunicação ou jornalismo é que (e é dado este exemplo) a notícia é sempre "o homem que mordeu o cão" e não "o cão que mordeu o homem", pois isso é o que será sempre normal acontecer.
Aquilo que já há alguns anos se tem vindo a verificar é que o que cada vez mais passa a ser notícia é "o cão que mordeu o homem", porque as outras notícias, aquelas que mais poderiam interessar a quem se quer informar, dão trabalho a conseguir e muitas vezes precisam de confirmação.
Com a chegada da internet o trabalho deste novo tipo de jornalistas passou a ser muito mais facilitado. Basta-lhes visitar uma ou outra página de notícias, ou uma ou outra rede social, e começar a partir dai a construir a narrativa de um serviço noticioso.
Com isto a qualidade vai decaindo cada vez mais e para conseguir encher um bloco de informação, que poderia ser de 30 minutos, mas que acaba sempre por ser de hora e meia ou duas horas, falam acerca dos carros do Ronaldo, da feira do caracol de Vale da Azinhaga, do maior pastel de Chaves do Mundo e daquela praia da Costa Vicentina que uma revista da Cochinchina e que ninguém conhece, definiu que pertence às 17 melhores praias do Mundo para fazer nudismo apenas com o chinelo do pé esquerdo calçado.
Ainda há dias assisti a uma outra falha de um jornalista que até considero sério.
José Alberto Carvalho emitiu a sua opinião em pleno noticiário que apresenta, acerca das pessoas que criticavam os pais do Noah. Não o devia ter feito... Aliás, não o podia ter feito. Deveria apenas dizer que havia pessoas a criticar e acabou. Ou até podia nem mencionar este facto, porque a notícia neste caso concreto foi o desaparecimento, a busca, o final feliz e, talvez um dia mais tarde, a informação se alguém foi responsabilizado ou não.
Os jornalistas têm um código deontológico que contém apenas 11 pontos, mas desses 11 pontos parecem não querer respeitar nenhum.
Já no início da pandemia foi para mim sofrível verificar a falta de profissionalismo de alguns "pivots" de informação que acharam que deviam dar o seu cunho mais pessoal e aconselhar os telespectadores que estavam em casa...
Devo dizer que aos nossos pais pediram-lhes que fossem para a guerra, a nós que ficássemos em casa e aos jornalistas pede-se apenas que sejam jornalistas e informem. Se quiser uma catarse vou ao psicólogo.

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