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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

26
Mar23

Desilusão...


Pacotinhos de Noção

Há decepções que nem o mais empedernido dos corações está pronto para ter.

É muito triste quando se percebe que havia, no guru espiritual, muito mais intenções, do que apenas ajoelhar para rezar 

A banda sonora foi escolhida a dedo, e fica o desafio... Contenham as lágrimas, se conseguirem. 🥺

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14
Fev23

É só a ponta do iceberg


Pacotinhos de Noção

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4815, foi o número lançado a público, de crianças que, às mãos de gente ligada à Igreja, durante os últimos 70 anos, foram vítimas de pedofilia. A comissão independente, que aponta para estes números, afirma que este é o valor mínimo que conseguiram apurar, e se o valor mínimo é este, eu acredito, meus amigos, que o real seja muito, mas muitíssimo superior.

Aguardo pelas declarações do Sr.Presidente da República que, positivo como sempre, se regozijará por não ser um número tão elevado quanto ele imaginaria.

Hoje, as crianças sobre o qual o estudo se debruçou, são já adultos que terão idades compreendidas entre os 45 e os 55 anos. Ao perceber isto, muitos irão relativizar, dizendo que o pior já passou, mas não passou. A pedofilia na Igreja não foi uma moda, ou uma tendência de época. A pedofilia cometida por padres, e pessoas ligadas à instituição católica, continua a existir, e algo que este estudo demonstra também é que existem pelo menos 100 padres, dos que perpetraram os actos de pedofilia analisados, que ainda estão no activo. 

D.José Ornelas, Bispo de Leiria-Fátima, e também presidente da Conferência Episcopal, já veio a público pedir desculpa e afirmar que agora, sim, é que não haverá mais tolerância para com este tipo de gente. No entanto, importa referir que não foi dito se os tais 100 padres, ainda no activo, seriam afastados, ou até denunciados às autoridades. Chamo também a atenção para o pormenor de que Lisboa, Porto, Braga e Leiria, são os lugares onde mais casos aconteceram, e tendo em consideração que D.José Ornelas é Bispo de Leiria, não será de estranhar que o Sr.Bispo não tivesse conhecimento do que se passava, na sua diocese?

Para mim não colhe a tentativa de justificação de que os padres fazem isto porque não podem casar. Se não podem casar e têm ímpetos sexuais, aquilo que deveriam fazer era meter a mão à caixa das esmolas e irem visitar a casa das meninas lá da paróquia deles… Mas não, preferem ser uns bandalhos, ordinários, porcos e criminosos, e abusar de crianças, causando-lhes traumas físicos e psicológicos.

Ler, ou ouvir, os relatos daquilo que sentiram, enquanto crianças, as vítimas destes abusadores chega a ser fisicamente doloroso, tal é a raiva que nos percorre o corpo. E mais uma vez, para quem tudo consegue relativizar, eu peço-vos que façam o seguinte exercício. Imaginem que uma destas crianças era o vosso filho, neto, sobrinho ou irmão, que deixam nos Escoteiros, ou na catequese ao fim do dia. Eles, em vez de se estarem a divertir, ou de estarem a aprender a doutrina cristã, estão a ser apalpados por um qualquer padre, ou a ser violados, com o padre dentro dele, ou que tem que meter o pénis do padre na boca. Nojento e escusado este grafismo, certo? ERRADO, meus amigos, MUITO ERRADO. Estas explicações tão gráficas são pequenas amostras daquilo que foi escrito no relatório, e que eram apenas depoimentos dessas crianças que viram a sua infância abruptamente roubada.

Sei que tocar numa instituição como a igreja é criar inimizades, até neste microcosmos que são os meus seguidores do Instagram, e também no Blogs do Sapo. Isto por a igreja ser a prova viva de que a estupidez humana não se revelou só com o negacionismo de pandemias, ou com os apoios pornográficos a ditadores que invadem países vizinhos, porque a igreja existe já há séculos, há séculos que faz o seu caminho, com os seus virtuosismos, é certo, mas também com muita perversão, com muita canalhice, com imensa indecência, e ainda assim têm uma legião de admiradores, que confundem, fé, com religião e com igreja, que por mais provas dadas que tenham dos crimes cometidos, vão sempre defender a igreja até à própria morte, ou até à morte de quem os acusa.

Sou ateu, não tenho nenhum tipo de fé, mas tenho muito respeito e admiração por quem a tem. Aquilo que não posso nunca é admirar uma instituição constantemente posta em causa, por crimes que se vão sabendo, mas que nunca são punidos porque, como instituição blindada que é, defende os seus, mesmo que os seus sejam monstros. Não posso confiar numa instituição carregadinha de padres, que deveriam ser os representantes de Deus na terra, mas que sabendo que na instituição existem outros padres que abusam de crianças, não “metam a boca no trombone”, com o intuito de fazer com que mais crianças não sofram às mãos desses seus colegas.

É um tema sobre o qual não é fácil de se escrever, sei que também não será fácil de ler. Fico toldado pela raiva que sinto por quem faz mal a crianças, e haverá aqueles que se sentirão ofendidos pelo que escrevo, mas em casos como este não dá para ser cordial, ou polido.

12
Out22

Lobo em pele de cordeiro


Pacotinhos de Noção

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Que Marcelo Rebelo de Sousa, como político, era pouco confiável, já muitos sabiam. Um homem populista, vaidoso, que não suporta que a comunicação social fique mais do que 48 horas sem se referir ao Presidente, causando até constantes fugas de informação em Belém para ficar assim sempre no olho do furacão.

Que era um homem com esqueletos no armário, só alguns é que sabiam, calculavam ou lembravam.

Diz-se que um homem é o reflexo da educação que teve, por isso acho que é importante referir que o Professor Marcelo deve o seu nome ao nosso último ditador, Marcelo Caetano. Caetano não foi seu padrinho de baptismo, mas foi padrinho de casamento dos seus pais. Era amicíssimo da família Rebelo de Sousa e o, então Marcelinho, sempre viveu numa família feliz, abastada e impregnada de amizades do Estado Novo. Marcelo Caetano não era o  padrinho de baptismo do Marcelinho, mas era Camilo de Mendonça, um Ministro da Economia de Salazar. 

Em 1972 casa com Ana Cristina Motta Veiga, filha de António Jorge Motta Veiga, outro - adivinhem - ex-Ministro de Salazar, neste caso Ministro da Presidência.

"Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és" é uma máxima mais antiga que Cristo, mas aqui é de fácil aplicação e faz-nos até compreender um pouco melhor a facilidade com que o Presidente da República, em conluio com o Primeiro-Ministro, não teve pudor em ir repetindo estados de emergência, mesmo quando os mesmos já não se justificavam. Era a sua veia de "Estado Novista" a latejar.

Conhecer as raízes de alguém mostra-nos a flor que mais tarde germinará, ou se em lugar de uma flor crescerá uma erva daninha. Dou-vos agora a conhecer, em forma de coscuvilhice, mais um caso que demonstra bem a fibra de que é feita a mais alta figura do Estado.

Estávamos ali pelo ano de 1993/1994, e no programa Parabéns, do Herman José, o convidado era Paulo Portas. Água vai, água vem, e na conversa do ex-director do jornal Independente com o apresentador, vem à baila um assunto em que Paulo Portas conta que, apenas para ter o que dizer, Marcelo se "desbronca" acerca de uma reunião, em forma de jantar, que houve entre Cavaco Silva, Mário Soares e alguns constitucionalistas, entre eles Marcelo, uma vez que é esta a sua formação. Contou tudo tão ao pormenor que até referiu que foi saboreada uma sopa fria, uma "Vichyssoice".

Paulo Portas, para confirmar a informação, contactou outro dos presentes nesse jantar e ficou a saber que a maioria do que Marcelo lhe havia dito era mentira, apenas lhe fez um relato inventado para, mais uma vez, estar no olho do furacão. 

Marcelo não gostou de ser exposto desta maneira em horário nobre, no programa do Herman, e cortou relações com Paulo Portas... E Herman? O que aconteceria a Herman?

Dois anos depois, Herman José estaria no centro de uma nova tentativa de censura a um seu programa. Era o Herman Zap, mais especificamente um sketch sobre a "Última Ceia".

Éramos guiados por um Governo PS, de um muito católico António Guterres. A Igreja não achou piada que brincassem com a história da comezaina final de Jesus, e começou a mexer os cordelinhos. Marcelo, que poderia estar calado, viu aqui uma oportunidade de se vingar de Herman José, e fez todos os esforços possíveis para conseguir censurar o episódio. É importante referir que ele era na altura o líder do PSD, e ainda assim não hesitou em dar o braço ao PS, para poder tentar derrubar Herman. Bato palmas à administração da RTP daquela época, que não cedeu a pressões e não permitiu que o sketch fosse cancelado.

Temos então um Marcelozinho azedo e vingativo.

Estas histórias todas servem para chegar à conclusão de que não me surpreende esta afirmação de que 400 casos de pedofilia não serem, afinal, assim um número tão elevado... E se calhar até não são, depende do ponto de vista.

Será que Marcelo diz que 400 casos denunciados não são muitos, tendo em consideração todos os que ele conhece, ainda para mais estando Marcelo há tanto tempo na política, e envolvido com altas patentes da Igreja?

Este texto vai beber muito ao passado, mas como muitos dos que me lêem são de uma geração mais recente, gosto, ocasionalmente, de referir assuntos que foram autênticos escândalos, mas que vão caindo no esquecimento.

Ballet Rose foi um escândalo de prostituição infantil e pedofilia, na década de 60 do séc.XX, que envolveu personalidades da altura, entre elas Ministros do Estado Novo, e figuras de alta importância na Igreja portuguesa. Dois tipos de grupos com quem Marcelo Rebelo de Sousa sempre teve o gosto de privar. Lembram-se dos padrinhos e do sogro?

É, portanto, perfeitamente normal que para o Sr.Presidente, 400 casos sejam poucos, no meio de tantos que há-de ter tido conhecimento.

Para terminar devo dizer que também me faz um bocadinho de confusão, como o caso de alguns miúdos, já adolescentes, que se prostituíam no Parque Eduardo VII, para ter dinheiro para comprar droga e roupas, teve a repercussão que teve, e este caso, apenas porque envolve a igreja, é abafado o mais possível. A imprensa fala nele, mas com pinças muito compridas.

Não quero criar teorias da conspiração, mas em relação à Casa Pia gostaria que recordassem que os políticos, alegadamente envolvidos, foram os primeiros a ser afastados do caso, porque afinal não havia provas contra eles. A ideia com que se fica é que, realmente, tiveram que adicionar uns nomes sonantes ao processo, para que outros nomes não fossem mencionados. O Herman teve a sorte de terem sido incompetentes quando o tentaram envolver. Outros não tiveram essa sorte. De facto, ser-se alguém famoso em Portugal, às vezes é uma corda no pescoço. 

Sim, sei que este texto está imenso, mas parece-me importante que se consiga traçar um perfil daquela que é a mais alta figura do Estado, mas que dá mais importância a tirar umas selfies, do que ao facto de existirem padres a tirar cuequinhas a crianças.