Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

11
Abr21

Com a perfeição dos outros posso eu bem


A.K.

Habs_arrogance_150616.jpg

Todos nós temos uma entidade patronal. Mesmo que sejamos donos de um negócio, estamos a prestar serviço alguém. É por isso que tenho a certeza de que aquilo de que vou falar já se vos deparou numa qualquer altura do vosso percurso profissional.

A situação é terem um patrão, um superior, um cliente, e.t.c. que afirmou ser alguém muito esquisito e perfeccionista e que exige nada menos do que a perfeição.

É uma exigência que se pode até considerar válida. O que acaba por ser menos válido é que quem coloca nos ombros de outrém a responsabilidade de conseguir alcançar determinado objectivo, que tem que estar ali taco a taco com a perfeição, é normalmente um indivíduo que até na palavra perfeição poderá não ser perfeito, escrevendo "Perfeisaum". Mas isto já sou eu a especular.

Quem normalmente tem este tipo de soberba são sujeitos que se acham a última bolacha do pacote, não reflectindo porém que usualmente a última bolacha do pacote é aquela que ou está rachada, acabando por se partir e não sendo apreciada da mesma forma, ou até mesmo a que está completamente esmigalhada e o seu destino será, eventualmente, o caixote do lixo.

E embora esta possa ter sido uma analogia algo parva, na minha retorcida cabeça até faz sentido pois reparem que os exigentes da perfeição, quando têm por si mesmo de executar uma tarefa, acabam por não a conseguir desempenhar correctamente tendo até inventado uma popular expressão que é "Para quem é, bacalhau basta".

Pessoalmente não sou adepto de bacalhau, mas julgo que esta expressão é mal conseguida. É que ao preço a que está o nosso fiel amigo esta é uma iguaria demasiado nobre para que o trabalho desenvolvido, pelo tal biscoito esmigalhado, a ela se possa equiparar.

Mas é assim o tempo em que vivemos. Aos outros tentasse extrair o máximo que se conseguir, mas a si mesmo só se tentará extrair o estritamente necessário. É que se calha a se conseguir fazer algo realmente perfeito, depois alguém sabe e acaba por exigir que tudo seja medido por essa bitola, quando aquela verdadeira perfeição, foi apenas obra do acaso.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2021
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
Em destaque no SAPO Blogs
pub