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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

19
Out23

Feios, Porcos e Maus


Pacotinhos de Noção

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Nos últimos 2 meses andei mais vezes de autocarro do que tinha andado em toda a minha vida.

Usar este transporte fez-me ficar com uma percepção da sociedade ainda mais desanimadora do que a que tinha anteriormente.

A falta de educação, e de noção das pessoas, atinge hoje níveis que julguei não ser possível. Testemunhei conversas de "senhoras" que fariam corar até o Fernando Rocha, mesmo após contar a sua anedota mais porca de sempre. Um tipo linguagem que nos faz imaginar que aquela pessoa terá uma família, talvez filhos, ou até netos, e se depois de tanta vida passada, não tem a capacidade de conceber que existem maneiras de falar em público, que se devem evitar, então não quero imaginar de que forma se comportarão as gerações da família, posteriores à dela.

Assisti a agressões físicas, a tentativas de agressões, a agressões verbais, a ameaças de agressão da parte de outros automobilistas, a acidentes causados, apenas e só, devido à estupidez com que actualmente se conduz.

Assisti a passageiros que não respeitam o motorista, e o seu trabalho, fazendo sinal, na paragem, para que o autocarro parasse, apenas para depois perguntar a que horas passa determinada carreira, que não aquela.

Testemunhei que, mesmo sendo 7:30 da manhã, existe pessoal que opta por utilizar o perfume "Eau de Sovac", empestando a brisa matutina, que se respirava dentro do veículo.

As pessoas estão porcas, diria até que estão javardas, e assim dá para compreender o porquê da pandemia se ter espalhado tão rapidamente, como aconteceu.

Referi-me a situações a que assisti nas minhas viagens de autocarro, mas o quotidiano está pejado de exemplos que mostram a podridão a que a sociedade está a chegar, e, quanto a mim, não mais de lá sairá. E não vai sair porque se sente confortável, é-lhe muito mais prático, e natural, ter comportamentos de idiota, do que saber controlar-se minimamente, nem que seja apenas para fingir que se é um ser até capacitado para comer de talheres... Esperem lá, mas que parvoíce a minha. "Um ser capacitado para comer de talheres". De repente passei a ser um tipo positivo, e nem reparei.

Como posso eu afirmar que são capacitados para comer de talheres quando, sem grandes esforços - pois basta visitar a área de restauração de qualquer centro comercial - para assistirmos à bizarrice que é ver algumas pessoas a comerem, até mesmo com as mãos. Se assim é, imaginem então o que seria se tivessem de utilizar artefactos tão esquisitos como um garfo, uma faca e uma colher.

Peço a quem me lê que seja sincero, e que diga se vê o mesmo que eu, ou é apenas implicância da minha parte. Vejo gente a enfiar comida na boca, que mais parece que estão naquele passatempo em que se tem que enfiar dezenas de pessoas num Mini. Outras que abrem a boca de tal forma que fazem lembrar uma anaconda, com a sua capacidade de desencaixar os maxilares, para assim engolir uma presa maior, e ainda há aqueles que se sentem tão à vontade no sítio em que estão, que se descalçam enquanto comem, e ainda dão o maravilhoso arroto no fim. Aproveitam e escarafuncham, também, ali a dentição toda, com o palito, na esperança de recuperar aquele pedaço de bife que ficou entre o molar e o canino.

Cuspir para o chão, e dar o mesmo destino a beatas e pastilhas, já era um acto asqueroso, mas o português consegue sempre superar-se, e agora gosta também de cortar as unhas em público. Falo no português porque é a realidade que tenho, e aquela a que assisto. Aqui o transporte era outro que não o autocarro, que trepida muito, o que prejudica a empreitada do corte da queratina. Lá estava o senhor, com o seu porta-chaves, que era um corta-unhas, e que lhe serviu, maravilhosamente, o propósito. Pois se tinha uma viagem para fazer, pois se tinha a unhaca comprida e um alicate ali mesmo à mão, não haveria de aproveitar? Pois está claro que devia. As unhas cortadas, essas, no chão é que estão bem, e alguém há-de limpar.

Sai na minha estação, com as unhas por cortar, mas ainda assim satisfeito por aquele asseado senhor, não se ter lembrado de que também tinha por fazer a sua depilação íntima. Das duas, uma. Ou não se lembrou, ou não tinha o porta-chaves apropriado para essa tarefa.

20
Abr23

Ficou tudo estúpido


Pacotinhos de Noção

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Hoje almocei num restaurante chinês.

Durante o almoço apareceu uma senhora que afirma ter-se esquecido, há uns três dias, de uns óculos caríssimos no restaurante, e que vinha buscá-los. Tanto a dona, como a funcionária, afirmaram não ter dado por nenhuns óculos, nem ninguém lhos entregou. A dona dos óculos parte para a ignorância, o que claramente não lhe custou, e afirma, com todas as certezas, que os óculos se não aparecem é porque eles não querem, e que ou chama a polícia, ou dão-lhe 480 €, que é o valor dos óculos.

A conclusão desta situação não interessa muito, mas posso dizer-vos que a minha mulher interveio nesta situação, alertando a tipa para o facto de estar a ser rude, mal-educada e de estar a incomodar quem ali estava para almoçar.

Conclusão, a tipa não levou óculos nem dinheiro. Saí do almoço contente, e orgulhoso da minha mulher porque, por pouco que tenha sido, fez justiça a quem estava a trabalhar, e há-de tê-los feito sentir um bocadinho melhor, porque tiveram quem intercedesse por eles. Amanhã tenho que lá voltar, porque me esqueci lá de uns óculos.

Li uma notícia na página do Público, no Instagram, que informava que a Índia se tornou no país com maior densidade populacional, ultrapassando a China.

Primeiro comentário:

- "Por isso é que já estão distribuídos por Portugal" -

Resposta a este comentário:

- "deal with it. Castigo por colonizarem Goa por 452 anos" -

Temos, portanto, a amostra de como está dividida grande parte da população...

Por um lado, uns bacocos da direita racista e xenófoba, que antes de haver CHEGA, estavam metidos debaixo do seu pedregulho, não opinando sobre nada. Ignoram que têm família em França, no Luxemburgo, ou na Suíça, mas aceitar estrangeiros no seu país é que nem pensar. Agora, sentem que a idiotice que lhes tolda o pensamento, se está a alastrar, e vomitam o seu fel sempre que têm oportunidade.

Pelo outro temos a esquerda radical, cuja existência é mais tolerada pela população, porque a mesma julga que ganzados e associações de antigos estudantes do Chapitô não representam perigo, mas representam. Como são mais esquivos e cínicos, que a extrema-direita, conseguem ir comendo pelas beiradas do prato, chegando quase sempre aos seus intentos, por mais idiotas que os mesmos nos possam parecer. É assim que acabam por surgir cancelamentos, e leis que correspondem apenas aos ideais de alguns, mas que tem que ser seguidos por toda uma sociedade.

Perto da minha casa existem dois parques. Um mais pequeno, que é o infantil, e uns metros mais adiante um enorme, que tem até um parque canídeo.

A verdade é que o parque para os cães está sempre vazio, porque tem muito mais piada ver os cães a invadir o parque infantil, mijando contra os baloiços, onde a miudagem vai brincar, e largando as suas poias na relva, que invariavelmente vão sendo esquecidas pelos donos. De qualquer das formas, mesmo que não o sejam, é muito pouco higiénico que um cão possa defecar na relva onde crianças vão brincar, porque há meninos que gatinham, outros que rebolam no chão, e mesmo tendo sido o bolo fecal recolhido, há sempre resquícios que podem ficar... Caraças, se houver alguém que não concorde com isto, palavra de honra que combinamos um almocinho, largo-vos uma poia de cão no prato, tiro com um saquinho, e quero ver se continuam a usar o mesmo! Não me lixem, pá!!!

Mas continuando.

Usar trelas e açaimes nos cães é coisa de torturador, e o que constantemente tem acontecido são cães, que no parque infantil das crianças, se atiram às crianças, porque ficam excitados com os gritos e com a correria, ou então, naqueles que ficam apenas eufóricos e que querem brincar, mas que não medem a força (é natural, são animais) e empurram crianças de 2 e 3 anos para o chão.

O mais irritante nisto tudo é o aborrecimento que sempre é gerado quando algum pai pede ao dono do cão, que lhe coloque a trela, por exemplo. Afirmam que os seus cães são de confiança, e que as crianças até podem brincar com eles, não lhes passando pela cabeça que;

Primeiro - um animal será sempre um animal, nunca se pode confiar a 100%, e há sempre notícias que confirmam isto como sendo verdade.

Segundo - existem pessoas, muitas

na verdade, mas que de escondem para não serem julgadas, sejam elas adultas ou crianças, que NÃO gostam de cães.

E não gostam, não por serem os vossos. Não gostam porque não gostam, e pronto.

 

Este pequeno ramalhete de histórias, todas reais, têm um denominador comum e que é a forma pouco civilizada com que as pessoas agora de comportam.

Isto agravou-se depois da pandemia, e a razão que encontro para tal é o facto de as pessoas terem estado fechadas em casa, mas não terem estado em família. Cada um tinha o seu telemóvel, o seu tablet, o seu computador, e a pouca capacidade que tinham para socializar, esfumou-se. Em frente a aparelhos que lhes dão a sensação de que, de facto, são alguém importante (uma falácia), começaram a ficar tão convencidos, e tão cheios de si, que depois, quando tiveram ordem de soltura, passaram a ser ainda mais egoístas e pouco civilizados, pois, segundo aquilo que foram apreendendo, nas frases motivacionais das redes sociais, "eles são quem verdadeiramente conta", "tu estás sempre primeiro", e outras coisas que tais.

A mim o confinamento também mudou. Estou muito mais rabugento, mais refilão e mais intolerante (não à lactose nem ao glúten), e porquê? Na minha opinião é porque tenho que conviver com pessoas como as das histórias que vos contei.

18
Jun22

Um dia de doidos


Pacotinhos de Noção

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Saúde mental... Um tema em que é sempre preciso falar com cuidado porque há sempre alguém que teve, tem, terá ou é maluco, e não suporta que se fale do assunto.

Logo neste parágrafo hão-de ter havido leitores que sentiram vontade de se insurgir por utilizar o adjectivo maluco, mas como é dessa ramificação específica da falta de saúde mental de que vou falar, então julgo que devo tratar os bois pelos nomes. No dicionário Priberam definem da seguinte forma:

 

MALUCO

(origem controversa) → TAL COMO EU DISSE

adjectivo e nome masculino

1. Que ou quem não tem o juízo todo; que ou quem perdeu a razão ou tem distúrbios mentais. = ADOIDADO, DOIDO, LOUCO

 

2. Maníaco; cismático.

 

3. Que ou quem é estouvado ou extravagante. = ESTROINA

 

Pois bem, e ontem foi um dia de trabalho cheio de malucos. Não vos vou contar as histórias especificamente, mas de facto foi um dia em que cada cliente que me aparecia, se não era fugido de um qualquer estabelecimento psiquiátrico, julgo que mais tarde ou mais cedo lá vai parar. 

Tenho que admitir que não me sinto à vontade com malucos. Assustam-me pessoas que não dominam o seu discernimento mental, e que são instáveis. Poderá ser um preconceito da minha parte, afinal de contas todos terão o seu preconceito de estimação, e este pelos vistos é o meu, mas poderão vocês afiançar que alguém com um desequilíbrio, não pode num qualquer momento tentar tirar-me o olho com uma esferográfica? Nem sequer podem garantir-me que não serão vocês o agressor da BIC, quanto mais meter a mão no fogo por alguém que há partida já tem um problema do foro psicológico. É que estas questões da mente não são passíveis de diagnóstico prévio, e podem acontecer subitamente, sem sequer se saber qual foi o gatilho que tudo despoletou. E hoje foi assim, tive contacto com vários malucos, e ainda para mais malucos daqueles maus, que não se contentam em falar sozinhos ou em serem o Napoleão. Visitaram-me aqueles que têm distúrbios, e que querem à viva força desequilibrar as pessoas com quem contactam.

Malucos houve das mais variadas espécies. Uns são dos tais que precisam urgentemente de ser internados, e não brinco, são pessoas passivo-agressivas que sentem raiva até da própria sombra. São os que mais assustam mas também são os que mais facilmente nos deixam de pé atrás, tal é a atitude, sendo assim até mais fáceis de identificar.

Depois temos aqueles que não sendo agressivos gostam de moer a paciência ao próximo. Repetem uma situação até à exaustão, não conseguem compreender quando são inconvenientes, ou então conseguem, mas estão-se completamente nas tintas. São o tipo de pessoa que faz questão de soltar o seu valente traque vocal, dizendo o que querem, e quando mal o fazem, desaparecerem, deixando no ar o fétido cheiro por eles expelido. Bem sei que esta é uma analogia demasiado escatológica, mas é perfeita para emoldurar aquilo que acabei de dizer.

O facto de não me sentir à vontade com malucos tem dois condões. O primeiro é de que parece que sentem esta minha falha e aproximam-se automaticamente, como se eu estivesse magnetizado, o segundo é o de também eu passar por maluco, porque infelizmente não tenho aquele filtro que a maioria das pessoas tem, que é o de conseguir ignorar as conversas dos malucos. Às vezes dou por mim a responder-lhes e até a dar corda, corda essa com que me podem vir a enforcar.

Não será a coisa mais bonita de se dizer, mas acredito que quem é maluco tem que ser internado, tanto para sua segurança como para de todos os outros. Costumamos relativizar, mas quantas vezes há uma relativização que acaba num ataque num espaço público ou, como recentemente aconteceu nos E.U.A, numa escola cheia de crianças?

Os malucos que ontem me visitaram não posso afirmar serem loucos perigosos, mas conforme disse atrás, também não meto a mão no fogo por eles. Posso, isso sim, dizer que conseguiram transformar o meu dia num pequeno inferno. Não sei se foi uma conjunção de astros, se foram as areias africanas, ou a fase da lua, o que é certo é que já há muito tempo que não tinha que lidar com tanto maluco, desde aquele dia em que fiz uma visita de estudo à Assembleia da República.

Este tipo de patologias mentais incomodam-me, e até me assustam tanto, que devo dizer que não acho piadinha nenhuma quando existem pessoas que gostam de se afirmar como "uns grandas malucos" ou que "X é maluco, mas eu consigo ser mais maluco que ele".

Eu não sou maluco e não tenho orgulho nenhum se me confundirem com um. Não quero ser nem considero que os níveis de maluqueira possam ser correlacionados com o quão "fixe" se consegue ser. Gosto de ter consciência das minhas capacidades e faculdades mentais, e espero manter-me assim por muitos e longos anos, de preferência a vida toda. Se tal não acontecer, se começar a comer terra e a cal das paredes, então peço desde já que me internem, porque se eu não responder por mim, não estou à espera que alguém se prejudique e o faça.

13
Ago21

Uma questão de nomes e pronomes


Pacotinhos de Noção

egocentrismo-1.jpgA falta de respeito pela sociedade incomoda-me bastante. O cuspir e mandar beatas para o chão, passar sinais vermelhos, meter os pés em cima dos bancos nos meios de transporte ou não dar o lugar aos mais velhos deixa-me sempre a pensar no quão egoísta se pode ser, ao imaginar que a sociedade existe apenas para o usufruto de determinada pessoa. Como acabei de afirmar esta falta de respeito incomoda-me mas a falta de respeito pelo indivíduo embrulha-me o estômago. Fico com vontade de me meter ao barulho e ser estúpido para quem demonstra que é estúpido para com alguém. Fico tão chateado que posso até afirmar que se fosse um Deus seria um bem punitivo e então, com todos os meus poderes, mal uma pessoa tivesse este tipo de falta de respeito passaria a mancar. Se as más atitudes tivessem continuidade então, além de ser coxo, passaria também a ser marreco e ia sempre por ai fora, até se transformar numa Betty Grafstein. Aos poucos das duas uma, ou seríamos todos Betty's ou a coisa acabava por se compor.

Gosto de dar exemplos daquilo de que me queixo para que melhor seja entendido.

Quem anda de transportes, e costuma bebericar um café nos estabelecimentos de estações e terminais de comboios, barcos ou autocarros, de certeza que já se deparou com a personagem que tem mais pressa do que nós.

Ora levanto-me eu da minha caminha atempadamente, para poder passar pelo café e tomar o meu pequeno-almoço ou simplesmente beber uma bica, e eis que surge então uma pessoa cheia de pressa, já com as moedinhas contadas na mão, passa à frente de todos e diz que "é só um cafézinho que tenho pressa". A pressa aqui há-de ser para ir apanhar o seu transporte que, no meu entender e pela atitude demonstrada, deverá ser um carro de bois que só se moverá quando esta personagem colocar o jugo para o puxar. A falta de educação deste imbecil, que em vez de tirar a cabeça da palha mais cedo, tal como eu fiz, deixou-se ficar a dormir (dá para perceber pela cara ramelosa) revolta-me. Desde já aviso a algum dos ramelosos que porventura esteja a ler isto, que se no café alguém não vos deixar passar à frente, a probabilidade dessa pessoa ser eu é muitíssimo... nula. Sou um caguinchas e depois ainda levo alguma tareia.

Outra situação que me dá taquicardia é quando se dirigem a mim, mas sem desligar o telemóvel, ou quando estão a falar comigo mas ao mesmo tempo a escrevem mensagens. Tudo bem, admito que possa não ser a pessoa mais interessante, mas há que ter o mínimo de delicadeza e pelo menos fingir que se está a ouvir, ou então pedir licença e mentir, dizendo que "tenho mesmo que enviar uma mensagem". Só a desculpa já demonstrava que aquela pessoa tem pelo menos um bocadinho de respeito e consideração por mim.

Para finalizar tenho uma situação que já presenciei várias vezes e que se está a tornar muito comum, mostrando o quão arrogante se pode ser, e que colocar um monte de bosta (em sentido figurado, claro) na cabeça de alguém, é coisa que não custa assim tanto.

Imaginem que se chamam Duarte ou Luana. São nomes meramente exemplificativos mas qualquer nome que foneticamente possa ser confundido com outro, serve.

Perguntam-vos o nome e respondem Duarte ou Luana e a pessoa, que poderá ter percebido mal diz "Eduardo!? Joana!?" Podia ser um mero equívoco, mas deixa de o ser quando a partir deste momento não importa mais, porque podem emendar, soletrar, fazer o pino mas para aquela pessoa são o Eduardo ou a Joana. Por mais que insistam em corrigir o máximo que vão conseguir é um "sou muito distraída, mas Duarte/Eduardo, Luana/Joana, é quase igual.

Não não é. Galinha e perua também são quase iguais, mas não são os mesmos e olhando para uma pessoa que não consegue fixar o nome da outra, a confusão que poderá aqui emergir é apenas essa. Se ela é uma galinha ou uma perua.

O nosso nome é o NOSSO nome, por mais comum que possa ser. Joões há muitos no mundo, mas há um João específico que é aquele João, com as suas qualidades, defeitos, feitios e individualidades. Estar a errar no nosso nome, e ainda insistir no erro, é dizer que "esta pessoinha é tão insignificante que nem me esforçarei minimamente para corrigir ou sequer recordar de como se chama. Estas pessoas são as mesmas que tratam os empregados de mesa por "Psst" e que "Obrigado" e "Se faz favor" são como às calças à boca-de-sino, que já se usaram mas que entretanto já nos deixámos disso.

O exemplo dos nomes é o que mais me toca, precisamente porque é o tipo de falta de respeito mais pessoal que pode haver. Ninguém nos está a ofender moralmente, não estão a dizer que alguém é isto ou aquilo nem tampouco a chamar nomes a uma progenitora, mas este tipo de ofensa, e pouco caso para com o outro, demonstra que cada vez mais queremos saber menos das pessoas. Na verdade todos os exemplos que dei demonstram isso mesmo.

Não sou sociólogo mas sou muito "teoriologo", e embora não elabore teorias da conspiração elaboro algumas acerca da sociedade. Situações como a que se viveu no Euro 2020, dos adeptos da Inglaterra que individualizaram a culpa da derrota em 3 jogadores da própria selecção, demonstram que é cada vez mais simples faltar-se ao respeito a uma pessoa só, do que a toda uma comunidade. Isto porque as comunidades são enormes minorias que, cada vez mais, vão tendo sempre associações, membros partidários e individualidades do mundo social que os defendem porque acaba por ficar bem, quando se falta ao respeito a uma pessoa só então estão a faltar ao respeito a uma pessoa que está mesmo SÓ. Reparem que este caso não teve manchetes porque os jogadores foram ofendidos individualmente. O que chamou à atenção foi porque foram vítimas de racismo e a comunidade negra foi toda ofendida. Com uma sociedade a querer cada vez menos saber de cada um de nós, é natural que depois, mesmo que camufladamente, existam pessoas que se comportem como se o outro seja apenas um nada. Ainda por cima muitos deles podem até ter lido livros do Gustavo Santos, que gosta de afirmar que "aquilo que importa é o EU.Todos à volta são nada, o importante é aquilo com que vivo e eu vivo 24 horas com o EU".

Lamento pelo Gustavo Santos, porque se o EU de quem gosta for igual ao ELE que nós vemos, então é uma desgraça, e lamento por todos os que se focam demasiado no EU e que que acabam por ser um eu seco e vazio que mal se dará com um ELES e que dificilmente terá um NÓS.