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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

27
Jan22

Lei do menor esforço


Pacotinhos de Noção

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Existem várias categorias de leis. Existem as conhecidas leis judiciais, existe a lei de Lavoisier, a de Newton e até a de Murphy, mas todas elas são leis muito fraquinhas quando se deparam com a grandiosa Lei do Menor Esforço, que tem ganho adeptos diariamente e que são acérrimos defensores da mesma e colocando-a em prática contra tudo e contra todos.

É uma lei de uso fácil e à qual rapidamente nos adaptamos, mas não é inócua ou inofensiva porque para que alguém a possa usar há quase sempre o reverso da medalha que é o de existir que saia de alguma forma prejudicado. Mas vamos aos exemplos propriamente ditos, para que assim me consiga explicar melhor.

Recebo com frequência encomendas. Visto que durante o dia não estou em casa utilizo o endereço da minha mãe que vive num primeiro andar sem elevador, mas que sendo numa vivenda não fica assim tão alto.

Aconteceu-me já, não apenas por duas ou três vezes, que o tipo da transportadora, ou dos CTT, me telefone quando está quase a chegar ao destino, para informar que vai fazer a entrega e solicitando que desça até ao portão para vir buscar a encomenda, para que ele assim não leve tempo a subir as escadas, pedido este que rejeitei sempre por dois motivos. Primeiro porque me parece que custara muito menos a um "galalau" de vinte /trinta anos, a subir as escadas e depois descer, do que uma senhora de 65 a descer para depois ter que subir. Segundo porque, quando se paga a uma transportadora para ser feita a entrega da encomenda, não se paga até ao portão ou porta do prédio, mas sim para fazer a entrega na mão do cliente.

Receando estar a ser injusto ainda me passou pela cabeça se o indivíduo sofreria de mobilidade reduzida. Nunca se sabe, a empresa poderia estar a tentar ser inclusiva e ter contratado alguém de cadeira de rodas, e quando lhe perguntei isso mesmo obtive a resposta -"Não senhor, vou de carro".

Sim, pelos vistos os CTT são inclusivos, mas não com quem tenha mobilidade reduzida, mas antes com mentalidade reduzida. E só isso justifica a enorme lata, que alguém que despenhando as suas funções laborais, peça ao cliente que faça parte do seu trabalho. Mal comparado é como ir ao café, pedir uma bica e o funcionário dizer para me servir "porque a máquina está já ali".

Já não concordava com a recente moda dos super e hipermercados de terem caixas consideradas expresso, em que é o cliente que tem que fazer todo o serviço. Depois de começar a pagar pelo saco, para ajudar o ambiente, agora também trabalho como caixa para poder ajudar a empresa a poupar em funcionários, pagando assim menos  ordenados. Ainda por cima aquilo nem é verdadeiramente expresso porque, ou sou eu que tenho muito azar ou então nem sei, é invariavelmente apanho sempre uma velha à minha frente que não percebe nada daquilo e começa a registar as compras às 10:00 e só acaba a seguir ao almoço. Já para não falar nas vezes que as máquinas ou não reconhecem o código, ou a balança assumiu algo que não devia, ou ficam sem papel... Enfim, vida difícil.

Difícil, difícil é também a vida de alguns agentes imobiliários que tentam usufruir da "Lei do Menor Esforço", mas que não conseguem.

Quantos de vocês já tiveram um agente da Remax a perguntar se conhecem alguém que queira comprar ou vender casa e se, caso conheçam, não lhe ligam e ele depois até vos dá uma comissãozinha?

Comissãozinha não quero, assim como não quero a comichãozinha do nervoso que fico por ter mais alguém que quer que eu faça parte do seu trabalho.

Tudo bem, até me está a aliciar com uma comissão, mas se eu quisesse ganhar comissões a vender casas ia trabalhar para a REMAX. E não vou porquê? Porque não sei fazê-lo.

Ao contrário do que se possa pensar é um trabalho que para ser bemfeito tem muito que se lhe diga, aliás, como grande parte dos trabalhos. Por isso é que há depois  aqueles que o fazem como deve ser e há também os outros, que tentam aplicar a lei do menor esforço tentando que alguém trabalhe por si.

Concluindo tenho uma proposta para os meus amigos.

Iniciei agora um apaixonante trabalho de limpeza premium de retretes.

Gosto muito e nasci para isto, mas gostava de saber quem dos senhores sabe manejar com mestria um piaçaba. Quem souber que diga algo, que preciso de uma mãozinha.

30
Ago21

Curriculum Virtuale


Pacotinhos de Noção

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Tive a necessidade de comprar parafusos. Sempre me foi dito que tinha falta de alguns e a altura para tratar do assunto foi esta.

Desloquei-me a uma daquelas superfícies de bricolagem que há AQUI e ali, e na dificuldade de encontrar o material que precisava decidi perguntar a quem sabe... Ou que pelo menos deveria saber... Ou que pelo menos, tendo a informação deveria partilhar sem que fosse preciso arrancar a ferros.

A falta de vontade de atender o cliente é de tal ordem que quem compra quase que se sente na obrigação de não incomodar quem arrasta os pés pelos corredores, envergando um uniforme em que houve alturas que era indicador de que "EU TRABALHO AQUI", mas que agora apenas nos mostra que "PAGAM-ME PARA ESTAR AQUI".

Gostava de ser mosca e ter assistido às entrevistas de emprego destes "calinas" laborais. O currículo nem preciso ler. Sei que são todos pró-activos, "multitasking", com facilidade na resolução de problemas e com uma capacidade de atendimento ao público, acima da média. Trabalham também todos muito bem sob pressão.

Serem utilizadores de Word na óptica do utilizador ainda lá está, mas já de nada serve, só que não se apaga porque sempre são mais umas linhas de texto para ler. São currículos pré-fabricados que se encontram pela internet.

Não sei qual o meu espanto no facto de alguém mentir no currículo. Então mas se já tivemos Ministros e Primeiros-ministros que também o fizeram, porque é que para repor artigos numa prateleira, um tipo não o pode fazer?

Se bem que no meu entender, só se mente nos currículos porque muitas das vezes a entidade patronal está mesmo a pedir que se minta.

Quando ainda estudava, um dos meus primeiros trabalhos foi precisamente um destes de arrumar prateleiras em superfícies comerciais. Não me foi pedido currículo. Tenho em crer que nem tinham ideia se eu sabia ler ou escrever, e um dos funcionários mais antigos explicou-me o porquê dessa situação. Segundo ele, só não colocavam macacos a fazer o serviço simples que nós fazíamos, porque acabava por ficar mais dispendioso ensinar os primatas. Tendo isso em consideração, passou a ser, curiosamente, mais simples e prazeroso desempenhar a minha função, pois estavam a pagar-me para fazer algo que qualquer pessoa com meio dedo de testa conseguiria fazer.

Não tenho nada contra trabalhos que não requeiram "canudo" ou curso superior. Muito pelo contrário, acho que toda a sociedade começa pela sua base e como tal tem que ser valorizada. O chato da questão é que quem compõe essa base não respeita o trabalho que faz, não respeita o dinheiro que lhe pagam, não respeita quem lhe dá o dinheiro a ganhar e não consegue perceber que havendo cada mais ofertas de serviços, se o cliente deixa de ir aquele estabelecimento, o patrão não tem dinheiro a entrar e terá que fazer cortes podendo até esses cortes chegarem ao limite de falências e insolvências, ficando o funcionário, que mostrou tanta má vontade ao ajudar-me na procura de um simples parafuso, a continuar a morar em casa dos pais no alto dos seus 35 anos.

No fundo no fundo, e para resolver questões como esta e parecidas com esta, tem que passar a haver respeito.

Respeito pelo trabalho que se faz, respeito pelo cliente que se atende, respeito pelo lugar que se ocupa e que poderia ser ocupado por outro, quem sabe até 

mais competente.

Só respeito, basta isso... E um currículo bem aldrabado.

 

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