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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

19
Ago21

É proibido comer, diz o artigo que eu li


Pacotinhos de Noção

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Em 1964 Roberto Carlos lançou uma música cujo refrão era "É proibido fumar, diz o aviso que eu li". Quase 60 anos depois a música poderia ser alterada para o título que encabeça este texto.

É curioso que, numa altura em que todos gritam por liberdade, ninguém admite nem permite que lhes digam o que fazer e até apregoam serem donos dos seus narizes, venha o Governo e proíba determinados alimentos nas escolas, demonstrando que tem laivos de totalitarismo, achando até que pode contar as calorias que cada um pode ingerir.

Curioso é também que passa a ser proibido venderem aos miúdos nas escolas rissóis, chamuças e croquetes, mas é permitido que fumem. E não estou só a falar no ensino secundário, pois assisto com frequência miúdos a fumar nas entradas das E.B 2+3, antigas preparatórias. Outra coisa que assisto com frequência é que hoje em dia os miúdos pouco ou nada comem nas escolas, por variadíssimas razões.

A primeira é porque têm demasiado dinheiro na carteira. Com a idade deles, rara era a vez que tinha 1€, quanto mais cartão bancário.A segunda é porque tendo essa capacidade económica, preferem ir até ao supermercado mais próximo e comprarem lá bolos e refrigerantes que depois consomem, ou nas imediações do supermercado ou nas da escola, mas seja qual o ponto escolhido para a comezaina o resultado final é sempre o mesmo. São porcos e deixam as latas e embalagens espalhadas pelo chão, ou então nos parapeitos de janelas de pessoas que vivem na zona. Até parece impossível, uns jovens tão preocupados com o ambiente, e que até fizeram festa quando veio cá a Greta Thunberg, mas na prática são uns javardolas.

Terceira, mas não menos importante razão é porque a comida que há nas escolas é uma autêntica bodega. Já quase não existem escolas com refeitórios que preparem as suas refeições. A comida vem de fora, de empresas de catering que ganharam um qualquer concurso público em que para que a margem de lucro seja maior, obviamente que não vão gastar muito em produtos de qualidade.

Como a comida não presta os miúdos viam alternativa nos bares das escolas, mas com as novas proibições deixa de ser permitido que esses bares vendam aquilo a que os miúdos estavam habituados e a consequência é a procura de outros bares, pelos jovens.

E encontram. Encontram snacks-bar, geralmente de má fama, onde a comida é barata e a clientela rasca e onde os meninos, que não podem comer comida de plástico, aproveitam e até fazem corridas de imperiais.

"Ah, mas os miúdos comem muitas porcarias e depois ficam obesos."

Pois que o Ministério da Educação aposte mais no desporto extracurricular. A escola não serve só para formar o intelecto, também pode ajudar a moldar o carácter e porque não o físico?

Este tipo de proibições, e indicações de como cada um deve viver a sua própria vida, são características próprias de Estados socialistas. Para quem não percebe o conceito vou tentar simplificar.

O socialismo é como aqueles pais que tentam opinar sobre tudo na vida dos filhos, mesmo quando eles já são maiores, casados, têm casa própria e filhos, mas uma vez pediram 30€ aos pais e dessa forma deram margem para que eles tenham uma opinião sobre tudo. Deu para perceber.

Uma vez que este é um Estado que tem uma palavra a dizer sobre tudo eu queria perguntar se para limpar o rabo, o papel higiénico de folha tripla da Colhogar é o adequado ou também poderá ser proibido?

É o branquinho, não é o cor-de-rosa perfumado.

Aguardo rápida resposta.

14
Jul21

Convicções plastificadas


Pacotinhos de Noção

American-Beauty.jpgSe ainda existissem videoclubes o filme Beleza Americana (American Beauty, para os "tugas" cuja primeira língua é o inglês) estaria escondido lá mesmo no fundo da loja, bem depois dos filmes para maiores de 18 e até dos portugueses "Mustang" e "Amo-te Teresa". Primeiro por causa de todo o burburinho em volta do Kevin Spacey, depois porque tem aquela mítica cena do saco de plástico esvoaçante, que hoje seria impensável e poderia até levar ao cancelamento do filme. Proibição não, que não vivemos em ditaduras, apenas cancelamento.

Era eu miúdo, ali pelos anos 90, e a luta era a favor do plástico. Tinhamos que usar plástico em vez de madeira. As árvores dão-nos o oxigénio e o desmatamento avançava a galope. O papel também tinha que ser evitado ao máximo. Quase que deixou de haver embalagens de papel, passou tudo a ser de plástico, os americanos eram umas bestas porque só usavam sacos de papel e até os testes na escola eram feitos numas folhas recicladas acastanhadas. Nas escolas havia a recolha de papel, que geralmente ficava em contentores à espera que os viessem buscar o ano inteiro. Parecia o Banco Alimentar, mas para o papel.

Ao que parece as árvores, essas bestas, têm vindo a proliferar pois agora os talheres de plástico passaram a madeira, as palhinhas são de papel e um tipo que vá buscar um take away a um restaurante, ou bem que leva uma marmita para a comida ou tem que comer a caixa de plástico, para ser sustentável.

Bem sei que há-de existir alguém a dizer que o plástico é um mal para o Mundo e para toda a Humanidade.

É um mal por agora, mas este agora vai demorar quanto tempo, conseguirão responder-me? Não conseguindo é fazer o favor de se montarem nas vossas sustentáveis trotinetes eléctricas, cheias de plástico, e podem ir andando.

Não quero parecer agressivo, na verdade a sugestão de vos pedir para irem andando foi apenas para poder introduzir a piada/alfinetada da trotinete, mas começa a incomodar-me que tanta gente que fuma e lança as suas beatas para o chão, me aponte o dedo por causa de um saco de plástico que, vos posso garantir, nunca atirei ao mar. Assim como nunca cuspi para o chão nem tentei dar asas a uma máscara.

Estas modas e proibições fazem-me sempre lembrar os vegetarianos que tem os seus cintos e botas de cabedal, ou cujos carros têm estofos em pele. Ou aqueles que criticam a "pegada ecológica" de todo e qualquer um, mas que têm como passatempo viajar e por mais que eu pise, a minha pegada ecológica nunca vai ser tão grande como a deles, porque o consumo de combustível dos aviões que eles apanham para os seus passatempos não faz pegada na ecologia, calca-a.

Posso elaborar mil teorias e dizer que isto é o "lobby" das madeireiras a tentar criar lucro próprio, com a conivência dos vários Estados, mas na verdade acho que não. Mais uma vez acho que, na falta de melhor, existe uma franja da população que quer à viva força impor as suas vontades, e como é uma minoria acabam por depois conseguir agregar uma grande maioria de

pessoas sem personalidade que, na falta de guia espiritual, escolhem uma causa como guru.

A partir de agora serei considerado um marginal, de cada vez que pedir um saco seja onde for. Se estiver na fila da farmácia e pedir um saco, vão existir mais olhares reprovadores do que aqueles que existiram para o toxicodependente que passou à frente de todos para ir buscar seringas gratuitamente. Dirão que ele está a tratar-se mal a ele e eu a tratar mal o ambiente. Depende da perspectiva, pois senão vejam:

- Comprei um saco de plástico e tenho o hábito de o reutilizar. Mesmo que seja para utilizar como saco do lixo sei que aquele saco vai ter uma percentagem de reutilização. Essa reciclagem vai criar gases comburentes que serão lançados para a atmosfera, mas e na reciclagem do papel, nas várias lavagens químicas do material, não há problema? E na produção de papel, no fabrico da pasta de celulose, os químicos utilizados são inócuos? Sinceramente não sei.

- No caso do toxicodependente a humanidade também sofrerá. Reparem que as seringas não são para injectar penicilina no rabinho. Não se espantem mas a verdade é que ele se vai drogar. Com que dinheiro comprou a droga? Terá roubado alguém, roubado a reforma da mãe? Se calhar não, provavelmente trabalha e ganha o seu ordenado, mas ainda assim comprou droga e daquilo que sei a droga não se vende em supermercados. Tem que se contactar com gente que comete crimes e cuja produção dos estupefacientes utilizou trabalho escravo e muitas vezes infantil...

Como se vê é apenas uma questão de perspectiva e basta também usar um bocadinho de populismo, admito, mas não inventei nada do que disse.

Aproveito e acrescento também que mais uma vez o Estado faz dos portugueses gato-sapato. Entrou em vigor uma lei em que em qualquer estabelecimento comercial não pode oferecer o saco, seja ele de plástico, papel, cartão, crochet. O cliente terá que o pagar pois a oferta é proibida... Ia dizer "proibida não, cancelada", mas aqui o proibido é mesmo a palavra correcta. Esta lei serve apenas para gerar riqueza para o estado. Cada saco tem o seu IVA, e o IVA do plástico é tão bom quanto o do papel.

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