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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

07
Dez22

A dureza da ingratidão


Pacotinhos de Noção

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Começo por dizer que nunca fui dos deslumbrados por Ronaldo, mas a partir de determinada altura passei a admirá-lo. Sempre o preferi ao Messi. Não por ser português, mas por ter a coragem de demonstrar o seu valor em vários clubes, por conseguir deixar a sua marca em todos, por ser um exemplo de trabalho, de evolução e de conceito família. Tinha tudo para se deixar deslumbrar, encostar-se aos títulos e ao dinheiro ganho e aguardar pelo seu fim de carreira, sem se ter que incomodar, afinal de contas já tinha os bolsos cheios. Em vez disso, Ronaldo quis sempre melhorar, quis sempre crescer, bater recordes. Passou a ser um vício, uma necessidade de afirmação, e podemos criticar por isso? Numa sociedade, longe de perfeccionista, que desempenha as suas funções de maneira sofrível, não seria de admirar quem trabalha para ser o melhor?

A grandiosidade deu-lhe alguma falta de modéstia e até alguma gabarolice? Pois com certeza que deu, e se esse é o seu maior mal, então está de bom tamanho.

Cristiano Ronaldo não é o D.Sebastião desaparecido, não é o salvador da pátria, e importa-me muito pouco se nos quatro cantos do mundo sabem o que é Portugal apenas por causa dele. Aquilo que me importa é que Ronaldo já foi O MAIOR, O MELHOR, o arquétipo do perfeito jogador de futebol, e nós pudemos ser testemunhas desse feito. Tivemos outros bons jogadores na selecção, mas poucos com a entrega dele. Todos têm presente a imagem de Eusébio a chorar, em 1966, depois da selecção perder contra a selecção inglesa. É uma imagem que demonstra a entrega de um jogador à selecção. Temos disso em Cristiano Ronaldo, mas não tínhamos, por exemplo, noutro grande jogador português, que chegou a afirmar que se vinha à selecção para perder prestígio, então preferia não vir. Quer proferiu estas palavras foi Luís Figo.

Não era, enquanto CR7 estava no auge, que o mesmo precisava de respeito, de apoio, de amizade por parte dos adeptos. É agora, numa altura em que todos lhe viram as costas, em que ele ainda joga ao mais alto nível, mas em que a populaça, e os comentadores, não hesitam em tentar rebaixar e menosprezar.

Ainda presentemente Paulo Futre, que já não joga há uns anos valentes, é amado, acarinhado e respeitado pelos adeptos do Atlético de Madrid, Ronaldo, ainda no activo, perdeu a imprensa, os comentadores, os treinadores e alguns adeptos.

Relembro que Ronaldo não criou o futebol em Portugal, mas faz parte de um época em que, talvez, o mesmo tenha tido o seu ponto mais alto. Foi campeão europeu... Para mim, sinceramente, isso diz-me muito pouco. Não ligo assim tanto ao futebol que julgue que ser campeão europeu seja algo com tanta importância, mas é verdade que antes de Ronaldo estávamos habituados a um futebol português comparável ao tremoço, e agora temos um futebol comparável ao caviar.

Estão a ser injustos e mal-agradecidos para alguém que acima de tudo sempre trabalhou imenso.

Espero que no resto do Mundial Ronaldo ainda possa dar duas ou três chapadas de luva branca àqueles que sempre precisaram dele para fazer notícias e vender jornais, e que agora dizem cobras e lagartos.

No fim de carreira as pessoas devem ser acarinhadas, não espezinhadas. A imagem que ilustra este texto é demonstrativa de alguém que no fim, depois de tanta ribalta, vai dar graças a Deus por ter investido numa família que ama. São eles que lhe irão dar o colo que irá necessitar.

Temo que para muita gente, Cristiano Ronaldo só será novamente elevado a grandioso no dia em que morrer, e em que relembrarem o artista que foi com os pés.

06
Dez22

Precious... My precious!


Pacotinhos de Noção

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Quem vai às compras sabe que tudo está pela hora da morte. Os únicos que não se escandalizam com os preços são os inconscientes, os desastrados e os que compram nos supermercados do El Corte Inglês. É a inflação, a guerra e uma falta total de vergonha na cara. Não se justifica que leite de origem portuguesa tenha aumentado o seu valor em quase 50%. Haverá sempre quem diga que a produção também encareceu, mas a esses respondo para irem dar uma grande volta ao bilhar grande, porque posso ser estúpido, mas não sou parvo. Os ordenados não aumentaram 50%, a energia não aumentou 50%, a inflação não é de 50% e os combustíveis também não aumentaram esse valor, e nos últimos tempos até têm baixado (se bem que o larápio do António Costa já decidiu aumentar o ISP, para conseguir amealhar mais algum. Falta de vergonha na cara). Houve aumentos, sim, senhor, mas aumentando leite, natas, queijos, e todos os derivados, os produtores lucram mais do que antes, assim como o Estado, que tendo um preço mais alto vai buscar mais IVA, o que nos leva a crer que afinal esta crise não é má para todos, só para o Zé-Povinho.

Mas indo numa visita ao hipermercado vemos que mesquinho não é só quem vende, mas também quem compra. Vimo-lo com a pandemia, na corrida louca aos rolos de papel higiénico, máscaras e álcool, e agora, nesta nova crise pela qual passamos, vemos noutros produtos ainda mais essenciais do que o papel higiénico, porque quem não limpa, lava... espero eu.

Ao passear pelos corredores de qualquer super ou hipermercado, vemos prateleiras nuas, desprovidas do produto que procuramos, e procuramos porquê? Porque vamos ao mais barato, porém o mais barato já voou. Comecei por falar do leite porque é o exemplo que testemunhei. 

Um litro de leite meio-gordo, de uma qualquer marca branca de supermercado, está pelos 0,83 €, 0,84 €. Ontem, o Jumbo de Sintra, colocou o litro de leite Milhafre a 0,75 €... Meus amigos, as pessoas pareciam hienas, a tentar aproveitar um resquício de carne putrefacta que não serviu aos leões. Corriam a levar paletes e paletes do leite, com medo que viesse alguém e que pudesse levar também. Levaram leite que nunca na vida imaginaram que iriam beber, havia até um ou outro beberrão cujo único líquido que lhes passa pelo estreito é tinto, branco ou a martelo, mas ainda assim são mais espertos do que os outros, e levam aos 30 litros de leite.

Isto mostra que aquele pessoal que costuma dizer que consegue tirar a camisa para dar ao outro, hoje em dia, quando a dá ao outro, diz, "cuidado a passar que não a quero vincada".

O egoísmo é enorme, o desrespeito pelo próximo também. São o tipo de pessoa que dão um pacote de massa ao banco alimentar para depois ficar o resto do ano a dizer que ajudaram. Não é solidariedade, é soberba.

Cada um olha por si e pelos seus, e eu até compreendo, aquilo que não compreendo é o que cada um faz, que é olhar para o outro, tentando fazer com que o outro nunca tenha tanto como ele, para que assim se sinta estúpido. E aqui falamos de alimentação, não são sinais exteriores de riqueza, são antes sinais interiores de pobreza... e que pobreza.

04
Dez22

O copo meio cheio


Pacotinhos de Noção

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No final de uma semana em que os chefes de equipa das Urgências do Hospital Garcia de Horta demitiram-se em massa, em que houve notícias de que nesse mesmo hospital haveria pessoas nos corredores em macas, e cadeiras de roda, há 3 dias, e em que eu pude testemunhar o caos nas urgências pediátricas do Hospital de Cascais, onde médicos e enfermeiros não tinham mãos a medir, ouve-se dizer, ainda assim, para que ninguém se preocupe porque está tudo óptimo. Está tudo a andar sobre rodas.

Não sou eu que o digo, era a anterior Ministra da Saúde (que não deixa saudades), Marta Temido, é o Sr.Primeiro-ministro, para quem aquilo que realmente interessa é saber com que olhos o vêem os grandes da Europa, e é o actual Ministro da Saúde, Manuel Pizarro, que tem o carisma de uma couve de Bruxelas, mas que para marioneta do Primeiro-Ministro, chega perfeitamente.

A moda de António Costa, que respinga para todos os seus fantoches, é o ser extremamente positivo, o de encarar tudo com o copo meio-cheio, para espantar assim o negativismo para bem longe de si, e fazer com que os mais incautos não se apercebam no esgoto a céu aberto em que o nosso país se torna e, mais especificamente, o Serviço Nacional de Saúde.

Manuel Pizarro, imbuído talvez do espírito natalício, presenteia-nos com declarações em que afirma que as demissões apresentadas não colocam em causa o normal funcionamento do Hospital Garcia de Horta, e aqui até temos que concordar, pois desde há muitos anos para cá que o normal funcionamento daquele hospital é péssimo. Mas isto não se diz, o que se diz é que está tudo normal... é o tal copo meio-cheio.

A inflação sobe a pique, o poder de compra diminui, os preços aumentam absurdamente, e Costa afirma não haver lugar a alarmes. Portugal até subiu mais do a Alemanha, por exemplo, diz o nosso Primeiro Vigaristro, perdão, ministro. Copo meio-cheio, vêem? Aquilo que convém falar é que Portugal subiu mais que a Alemanha. Não sei bem a que níveis se referem, mas se for, por exemplo, no que diz respeito a subir a escadaria do Bom Jesus de Braga, então aí concordamos, porque as promessas dos portugueses para fugir à fome, hão-de ser tantas que aquilo é um corrupio de gente, a subir e descer as escadas.

Mas, porque diabos haveria Costa de achar que o copo não estaria meio-cheio? Se existe tipo que nasceu com a regueifa virada para a lua, esse tipo é ele.

Sucedeu a um Governo que teve que tomar atitudes difíceis, impopulares e que fizeram os portugueses apertar o cinto. Na altura em que iria haver uma retoma da economia, António Costa consegue chegar a Primeiro-Ministro sem sequer ganhar as eleições. Recebeu de herança um país com as decisões difíceis já tomadas, e teve assim a desculpa perfeita para dizer que tudo o que de mal pudesse vir a acontecer não seria da sua responsabilidade, teve uma pandemia que, numa altura em que a sua popularidade descia, permitiu-lhe criar, junto com o seu compincha Marcelo, estados de emergência uns, a seguir aos outros, e propagandear assim uma luta hercúlea que teve contra a pandemia.

Foi lançando umas migalhas aos povo, sob uma capa de subsídios de ajuda à pandemia. Uns não receberam, outros não eram elegíveis, outros eram elegíveis, mas os cálculos eram referentes a meses onde já havia pandemia e então a ajuda era miserável... Mas o copo continua sempre meio-cheio, porque depois veio um PRR, que seriam rios de dinheiro que colocariam o português comum a viver como um marajá, mas porra, começou a guerra na Ucrânia. O PRR passa a ser canalizado para outros efeitos porque a guerra criou uma crise que, curiosamente, estava já anunciada, ainda nem se imaginavam os devaneios de Putin, mas pronto, mais uma vez Costa tem a desculpa perfeita.

O nosso Primeiro-Ministro não pode ser o bode expiatório de todo o mal que acontece no Mundo, isso é óbvio, mas é, isso sim, o bode principal que causa a maioria dos grandes males do nosso país.

Que algo está mal, só não vê quem não quer. Houve mais uma remodelação governamental. Saíram uns amigos do Costa, entraram outros, um foi promovido, mas mais uma vez o enchimento do copo é positivo porque há um Mundial e assim o escrutínio da situação é colocado de lado.

Mas no final o maior motivo que faz com que António Costa ande de sorriso nos beiços, e que considere sempre que tem o copo meio-cheio, não é o facto de estar rodeado de uma sua máfia, não é o facto de ter uma imprensa que lhe até é favorável, vá-se lá saber o porquê, nem é o facto de que sabe que mais tarde ou mais cedo terá um cargo apetitoso para desempenhar na europa, não, não é isso. O que lhe dá essa característica é saber que tem aqui, neste entalado rectângulo entre mar e Espanha, um grande grupo de idiotas, pouco esclarecidos e imbecilóides, que além de lhe terem dado a maioria, ainda hoje o defendem e, muito provavelmente, fariam com que ganhasse de novo as eleições.

Para esses eu não queria um copo meio-cheio, queria um balde completamente cheio, para lhes atirar às trombas para ver se acordam.

23
Nov22

Deixem-se de pequenices


Pacotinhos de Noção

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Tem sido divulgada uma notícia, que ainda não tendo tido uma confirmação 100% credível, também ainda não foi desmentida, e tendo em consideração os passos recentes dados pelos estúdios da Disney, estou em crer que não será uma notícia falsa.

É um assunto repetido aqui no Pacotinhos de Noção. Se procurarem pelo texto "Pequena Sereia - Inclusão a Martelo", já perceberão parte da minha opinião, mas aquilo que agora pretendem fazer à "Branca de Neve e os 7 anões", ultrapassa todos os limites da noção, da liberdade criativa e do respeito pela história da 7.ª arte.

Ao que parece o filme será lançado nos finais de 2023, princípios de 2024, mas a polémica já surgiu.

Quando se soube desta nova produção da Disney, uma das primeiras vozes que se levantou contra foi a do actor Peter Dinklage.

Peter Dinklage é um actor norte-americano com provas dadas. Já ganhou 5 Emmys e um Globo de Ouro, e conta com uma carreira de mais de 30 anos, mas foi só em 2012, com a sua personagem na série "Guerra dos Tronos", que Peter alcançou grande notoriedade, levando-o até a ganhar os prémios que atrás mencionei. A sua personagem dava pelo nome de Tyrion Lannister, cujas alcunhas eram Meio-Homem, Duende, Pequeno Monstro.

Peter foi escolhido para interpretar este papel, acredito porque é um bom actor, mas principalmente porque é um bom actor anão. A personagem foi escrita como sendo anão porque fazia sentido para a história, interpretada por Peter porque também fazia todo o sentido. De resto devo dizer que muitos dos papéis de Dinklage foram-lhe atribuídos precisamente devido ao seu nanismo. Em "The Last Rites of Ransom Pride" a sua personagem é "O Anão". No seu mais recente filme, "Cyrano", o actor também é escolhido por ser anão, pois no Cyrano de Bergerac original, o herói não quer mostrar à sua amada quem é por ter vergonha do seu imenso nariz, nesta história de 2021 a intenção de não aparecer é a mesma, mas desta feita por ser anão.

Resumindo e concluindo, e não tirando mérito a Peter Dinklage como actor, mas a verdade é que deve o seu sucesso, e o reconhecimento por parte de todos, graças a todos os papéis que fez, e em que ser anão era uma característica definida, e justificada, na história. A pergunta à qual era importante saber a resposta (assner em inglês) é:

Se enquanto precisou, o actor nunca se insurgiu contra isto, porque é que agora, depois do sucesso alcançado, e de ter chegado a milionário, se lembra de vestir a pele de virgem ofendida, de ser humano humilhado pela história, de pessoa segregada, para criar à sua volta uma onda de indignação tal, que levou a Disney a afirmar que no filme "Branca de Neve e os 7 anões", a parte dos anões vai deixar de existir. Em vez de anões vão optar por "umas criaturas mágicas".

Ignorantemente Peter Dinklage defendeu ser uma vergonha estereotiparem os anões como uns tipos que viviam em cavernas, o que como argumento é completamente estúpido, porque os anões não viviam em grutas, trabalhavam nelas, uma vez que eram mineiros.

Não temos anões na Branca de Neve, não temos o beijo do Príncipe à Bela Adormecida porque é um acto não consentido, não temos a Bela e o Mostro, porque ser bela é objectificação da mulher, e chamar Monstro ao Monstro pode ser considerado "bullying", o Egas e o Becas não podiam ser apenas amigos a partilhar o apartamento, tem obrigatoriamente que haver uma relação homossexual, o Apu dos Simpsons não pode ter um caucasiano a fazer a sua voz porque é racismo e qualquer dia o Rato Mickey vai ser cancelado porque não tem pudor em dizer que gosta de uma rata. Deixem-se de falsos moralismos, de puritanismos bacocos. Este tipo de ditadura, de cancelamentos, de espartilhamentos mentais e sociais, acabam por saturar a mente do comum mortal, daquele que não vê o diabo a cada esquina e a maldade em cada vírgula. 

As interpretações são como a maldade, esta apenas nos olhos de quem vê e nos ouvidos de quem houve. Às vezes uma história é apenas uma história, e se há tantos polícias da moralidade a magia da história deixa de existir, e aquilo que poderia ser comparado a um café, que na sua origem era puro, agradável e forte, depois de tanta separação e filtragem, passou a ser apenas uma água de lavar borras que proporcionará as piores caretas, a quem tiver o azar de a bebericar.

Aqui falo de filmes, ou desenhos animados, que sofreram deste escrutínio escabroso, mas esta inquisição espalha mais depressa que fogo em mato seco, e vemos na sociedade exemplos destes, nos mais variados sectores.

Em Portugal, celebramos todos os anos a liberdade que o 25 de Abril de 74 trouxe-nos, mas não sei qual a data que devemos marcar no calendário para assinalar quando essa liberdade passou a ser fictícia. Noutras partes do Mundo, aquilo que vai acontecendo são pessoas, que sempre forem ponderadas, começarem a encostar a extremos, que se dizem conservadores, na esperança de que este culto inquisidor tenha algum travão. É um erro, porque não é com vinagre que se apanham moscas, mas se não pretendem que grande parte dos países, mais tarde ou mais cedo se tornem em estado ditatoriais, deixem-se destas pequenices de espírito, que transformam quem as pratica, em seres tão, mas tão pequeninos, que até os anões da Branca de Neve quando olham para eles, olham de cima.

16
Nov22

Man"infestações"


Pacotinhos de Noção

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Estou farto de tanta pinça para mexer no assunto, tantos "rodriguinhos", tantos não me toques para com estes "janados", filhos de papá, que se deixaram manipular por partidos de extrema-esquerda, para fazerem o trabalho sujo por eles.

Não se iludam, a essência destas manifestações, feitas por esta praga de idiotas (dai a man"infestação ") não é a descarbonização do ambiente, não é a tentativa de acabar com os combustíveis fósseis. Estes movimentos são apenas políticos, e prova disso é a falta de preparação dos manifestantes.

Estes palhaços têm consciência do que aconteceria se realmente parássemos de imediato com o uso dos combustíveis fósseis? Pois eu digo...

Desemprego, Miséria, Fome, Implosão da Economia, Mortes.

Isto não é ser fatalista, é a realidade pura e dura.

E já agora deixo a pergunta. Qual seria a alternativa imediata aos combustíveis fósseis? A electricidade?

Além de idiotas, são burros e estúpidos.

Em Portugal a produção de electricidade não é maioritária nas barragens portuguesas, ao contrário daquilo que possam pensar. Os caudais dos nossos rios são fracos, pelo que as barragens pouco fabricam. Grande parte da nossa electricidade tem origem na queima de carvão, o que é extremamente poluente, e sim, eu sei que Portugal acabou com o fabrico de electricidade recorrendo a carvão, mas isso não significa que o tenha deixado de utilizar, a única diferença é que agora compra esse tipo de electricidade a Espanha. Significa assim que contribui menos para a poluição? Mais uma hipocrisia.

Mas, tal como estes manifestantes, eu não quero fazer parte do problema, quero fazer parte da solução, e julgo que todos temos que dar um passo inicial. Sugiro então que todos os que boicotam as aulas, tanto no Liceu Camões, na Escola António Arroio e na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, juntem todos os seus telemóveis, tablets, Ipad's, computadores e os entreguem para posterior destruição, e respectiva reciclagem, pois estes são objectos que quer no seu fabrico, quer no seu uso, são altamente poluentes. Fica a sugestão. Já vi comentários a defender que os passos a dar não podem ser individuais, que tem que ser apenas as grandes empresas a arcar com as responsabilidades, contudo no meu entender isto é apenas uma forma fácil de sacudir a água do capote e imputar a culpa aos outros. Assim é muito simples, mas se eu não limpo o meu quintal porque e que deverão vir outros e limpar por mim?

Não sou negacionista de que o ambiente está diferente, mas também não sou alarmista. Sou mais aquilo a que podemos chamar de conformado. 

O ser humano tem uma forte característica, que é a de conseguir destruir tudo à sua volta, e o planeta também tem uma característica ainda mais poderosa, e que  a de, mais cedo ou mais tarde, restabelecer o equilíbrio natural das coisas. Aconteceu com os dinossauros e acontecerá também com os humanos. Numa altura em que o planeta decida fazer uma reinicialização, pois com certeza que o fará, e nós somos o vírus maléfico que desaparecerá com a formatação. Se até esta altura pudermos melhorar a nossa estadia, então concordo que se o faça, mas melhorar não é ter um grupo de piolhosos malcheirosos, cujo pequeno-almoço é à base de ganzas, a impedir que todos os outros colegas de determinada escola, vão assistir convenientemente às suas aulas. Para mim esta gentalha era toda corrida a faltas injustificadas, e não passaria de ano.

Querem manifestar-se por algo realmente exequível? Manifestem-se pela construção de centros de dessalinização em toda a orla costeira. Querem maior fonte de água inesgotável do que a água do mar?

Querem construir "pipelines" para transporte de gás? Construam-nos para o transporte da água dessalinizada até aos leitos dos rios secos. A água não se desperdiçará, porque se bem me lembro do que aprendi na escola, os rios desaguam no mar, e teríamos vários problemas resolvidos. A falta de água, as irrigações agrícolas, a fauna e a flora nos, e junto aos rios, as barragens a funcionar a 100% para a produção de energia limpa... Fica caro? Será que fica tão caro assim? Ficará mais caro que uma TAP, um BES, uma EFACEC e um novo aeroporto que, aliás, nem é necessário. Somos um país pequeno. Temos aeroporto no Porto, em Lisboa, em Faro e um em Beja que está LITERALMENTE, e aqui é mesmo literalmente, às moscas. É descentralizar a chegada e partida de aviões. Poupa-se em construção, poupa-se num aeroporto construído, que não é utilizado, valorizam-se outras regiões do país e é um passo para a descentralização. Querem apostar em energias limpas, apostem na energia nuclear. Atualmente é segura e é das energias mais limpas que se pode usar.

O problema é que depois há todo um conjunto de instituições e associações, cuja fonte de rendimento é o Estado, e as lutas de epopeia que travam, cuja existência deixará logo de fazer sentido.

O texto vai extenso e recordo que o início do mesmo se deveu à tentativa de análise das manifestações contra os combustíveis fósseis, e a exigência de demissão do Ministro da Economia, portanto se estiverem chateados com esta porcaria que leem, levantem o rabo do sítio onde estão sentados, montem-se numa trotineta eléctrica, vão até a uma das escolas acima mencionadas, e espetem um par de estalos bem-dado a um destes manifestantes de rede social. Sim, porque estas manifestações, na realidade, não servem para mudar e melhorar o Mundo. Servem apenas para fazer "lives", e conseguir mais e mais seguidores.

02
Nov22

Tudo tem um lado positivo


Pacotinhos de Noção

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O que têm em comum as eleições no Brasil, o C0VlD19, o crescimento do CHEGA, e a guerra na Ucrânia?

Curiosamente é algo de positivo. Ninguém adivinha? Eu digo.

Estas situações, umas mais graves, outras mais chatas, nenhuma agradável, serviram para fazer sair das suas tocas todos os anormais, idiotas, retardados e descompensados que nem sequer sabíamos existirem... E alguns podem estar mais perto do que poderíamos imaginar. Pode ser um colega de trabalho, um vizinho, um amante, o dono do café que frequentamos, ou até um familiar.

Quando partimos de conceitos pré-definidos como a justiça, a honra, a bondade, o senso comum, a consciência e até a inteligência, esquecemos que poderá existir um grande número de pessoas que não se regem por nenhum desses conceitos e que, se há uns tempos se apercebiam que calados eram poetas, agora passaram a ter para si que aquilo que defendem, e em que acreditam, por mais estúpido e bárbaro que possa ser, é passível de ser vomitado para uma sociedade que, de tão politicamente correcta, passou a afirmar que todas as opiniões são válidas, e isto não é verdade. Se realmente é positivo saber quem são os estupores que nos rodeiam, para assim estarmos de sobreaviso acerca dessas pessoas, dar tempo de antena, e rastilho para a sua pólvora, é estar a fazê-los acreditar que aquilo que dizem, vale mesmo a pena.

Vamos a exemplos caso a caso, que é para isso que realmente aqui estamos.

 Agora que já acabaram as eleições, posso dar a minha opinião sem cair no risco de mudar as intenções de voto. Podem até achar que minto, mas a par da Globo, o Pacotinhos de Noção é o órgão de comunicação que mais influência a intenção de voto no Brasil. Se estiver a mentir, que o "N" deste teclado deixe já de fucioar…  

Dizia, nas eleições no Brasil ficou bem claro que malucos existem aos milhões.

Lula é um corrupto, e isso está mais que provado e comprovado, mas a alternativa a este corrupto é um maluco que quer armar, ainda mais, um país onde o crime violento, recorrendo a armas de fogo, é dos mais elevados em todo o Mundo, um país que por ano tem mais mortes ligadas a armas de fogo do que alguns países que estão em guerra há vários anos.

Milhões de brasileiros queriam para presidente um tipo que ameaça jornalistas, adversários e que não tem nenhum pudor em exprimir o seu apoio a Vladimir Putin. Um tipo que encara a homossexualidade como uma doença e que defende que "o pobre só é bom para votar". Queriam dar o segundo mandato a alguém que lança a atoarda da corrupção, mas que tem o filho envolvido em casos que são tudo menos claros. O problema aqui não é Jair Bolsonaro. Que ele é maluco e perigoso já todas as pessoas perceberam... menos os 58 milhões que votaram nele, e que defendem agora protestos violentos, para contestar esta eleição. A única diferença entre Lula e Bolsonaro é a prisão. Um já por lá passou, o outro AINDA não.

Já os maluquinhos dos negacionistas do C0VlD acho que nem têm nada de novo que se lhes aponte. Todos sabemos as alarvidades que disseram e agora, pasmem-se, andam todos orgulhosos a dizer que falsificaram testes e certificados de vacinação. Isto não poderá ser encaixado numa moldura penal qualquer? É que há aqui falsificação de documentos. No meu entender, a justiça deveria actuar sobre estes indivíduos. O que mais me surpreendeu foi ter dado conta de que até conhecia alguns negacionistas. Pessoal que até parecia equilibrado, mas que bastou haver uma pandemia e "soltaram a franga", elaborando teorias conspirativas e afirmando que os culpados disto tudo eram "ELES", e que "ELES" até nos iam implantar chips. Que "ELES" inventaram isto para matar os velhotes e poupar nas reformas... Os velhos que conheço devem ser todos muito resistentes, porque não houve um que tivesse lerpado com a pandemia, para eu agora ter uma história para contar.

A negação da invasão da Rússia à Ucrânia é algo que ainda estou para perceber. Quem defende isto, é negar as evidências, ou então quer contrariar só para chocar. Neste caso concreto eu nem demoro tempo a discutir, porque não há nada para discutir. Quem defenda Putin defende o indefensável e, muito sinceramente, devia barrar a cara com fezes, ao conseguir ter o descaramento de tentar sequer argumentar algo que não seja a condenação de tão vil ataque.

No final vou dar-vos um exemplo de como alguém, que por acaso até é meu familiar, consegue ser de tal forma idiota que nem daria para ser inventado.

Esta pessoa não admite que simpatiza com o CHEGA, mas todas as suas ideologias vão de encontro às do dono da falecida coelha Acácia.

Há uns meses houve uma discussão entre famílias rivais de ciganos no Almada Fórum. Um indivíduo saca de uma arma, dispara dois ou três tiros e um dos tiros acerta, precisamente, no joelho da sua filha de 5 anos. Esta minha familiar condena os tiros, condena a luta entre as duas famílias, e mais... condena a menina de 5 anos, porque é filha daquele pai. Esta minha familiar tem filhos da mesma faixa etária que a menina, que não pediu para nascer, não pediu para ser filha de um estúpido que anda armado em centros comerciais, nem tão pouco pediu para levar com um balázio no joelho, dado pelo próprio pai. Mas para esta minha familiar a miúda tem culpa, porque nem devia estar com o pai no Almada Fórum. Já disse que a menina tinha 5 anos, não já? É que não conheço muitas crianças de 5 anos que tivessem a presença de espírito de dizer ao pai: "Desculpa lá, pai, mas não quero estar aqui contigo. Vou sair do Almada Fórum e vou já apanhar o autocarro para o Monte da Caparica."

Curiosamente isto é o tipo de pessoa que depois também acaba por ser mais ou menos negacionista, segundo palavras dela, mais ou menos racista, mais ou menos homofóbica, mais ou menos a favor do Putin, mais ou menos completamente parva e estúpida.

Tal como em quase tudo na vida, há males que vêm por bem. Não é que este bem nos faça sentir melhor, afinal de contas acabamos por nos aperceber que estamos rodeados de gente que se houvesse uma "Noite de Crime", como no filme "A Purga", nos viriam bater a porta, e não seria para pedir Pão por Deus. Assim já sabemos quem são esses malucos. É esse o lado positivo.

12
Out22

Lobo em pele de cordeiro


Pacotinhos de Noção

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Que Marcelo Rebelo de Sousa, como político, era pouco confiável, já muitos sabiam. Um homem populista, vaidoso, que não suporta que a comunicação social fique mais do que 48 horas sem se referir ao Presidente, causando até constantes fugas de informação em Belém para ficar assim sempre no olho do furacão.

Que era um homem com esqueletos no armário, só alguns é que sabiam, calculavam ou lembravam.

Diz-se que um homem é o reflexo da educação que teve, por isso acho que é importante referir que o Professor Marcelo deve o seu nome ao nosso último ditador, Marcelo Caetano. Caetano não foi seu padrinho de baptismo, mas foi padrinho de casamento dos seus pais. Era amicíssimo da família Rebelo de Sousa e o, então Marcelinho, sempre viveu numa família feliz, abastada e impregnada de amizades do Estado Novo. Marcelo Caetano não era o  padrinho de baptismo do Marcelinho, mas era Camilo de Mendonça, um Ministro da Economia de Salazar. 

Em 1972 casa com Ana Cristina Motta Veiga, filha de António Jorge Motta Veiga, outro - adivinhem - ex-Ministro de Salazar, neste caso Ministro da Presidência.

"Diz-me com quem andas, dir-te-ei quem és" é uma máxima mais antiga que Cristo, mas aqui é de fácil aplicação e faz-nos até compreender um pouco melhor a facilidade com que o Presidente da República, em conluio com o Primeiro-Ministro, não teve pudor em ir repetindo estados de emergência, mesmo quando os mesmos já não se justificavam. Era a sua veia de "Estado Novista" a latejar.

Conhecer as raízes de alguém mostra-nos a flor que mais tarde germinará, ou se em lugar de uma flor crescerá uma erva daninha. Dou-vos agora a conhecer, em forma de coscuvilhice, mais um caso que demonstra bem a fibra de que é feita a mais alta figura do Estado.

Estávamos ali pelo ano de 1993/1994, e no programa Parabéns, do Herman José, o convidado era Paulo Portas. Água vai, água vem, e na conversa do ex-director do jornal Independente com o apresentador, vem à baila um assunto em que Paulo Portas conta que, apenas para ter o que dizer, Marcelo se "desbronca" acerca de uma reunião, em forma de jantar, que houve entre Cavaco Silva, Mário Soares e alguns constitucionalistas, entre eles Marcelo, uma vez que é esta a sua formação. Contou tudo tão ao pormenor que até referiu que foi saboreada uma sopa fria, uma "Vichyssoice".

Paulo Portas, para confirmar a informação, contactou outro dos presentes nesse jantar e ficou a saber que a maioria do que Marcelo lhe havia dito era mentira, apenas lhe fez um relato inventado para, mais uma vez, estar no olho do furacão. 

Marcelo não gostou de ser exposto desta maneira em horário nobre, no programa do Herman, e cortou relações com Paulo Portas... E Herman? O que aconteceria a Herman?

Dois anos depois, Herman José estaria no centro de uma nova tentativa de censura a um seu programa. Era o Herman Zap, mais especificamente um sketch sobre a "Última Ceia".

Éramos guiados por um Governo PS, de um muito católico António Guterres. A Igreja não achou piada que brincassem com a história da comezaina final de Jesus, e começou a mexer os cordelinhos. Marcelo, que poderia estar calado, viu aqui uma oportunidade de se vingar de Herman José, e fez todos os esforços possíveis para conseguir censurar o episódio. É importante referir que ele era na altura o líder do PSD, e ainda assim não hesitou em dar o braço ao PS, para poder tentar derrubar Herman. Bato palmas à administração da RTP daquela época, que não cedeu a pressões e não permitiu que o sketch fosse cancelado.

Temos então um Marcelozinho azedo e vingativo.

Estas histórias todas servem para chegar à conclusão de que não me surpreende esta afirmação de que 400 casos de pedofilia não serem, afinal, assim um número tão elevado... E se calhar até não são, depende do ponto de vista.

Será que Marcelo diz que 400 casos denunciados não são muitos, tendo em consideração todos os que ele conhece, ainda para mais estando Marcelo há tanto tempo na política, e envolvido com altas patentes da Igreja?

Este texto vai beber muito ao passado, mas como muitos dos que me lêem são de uma geração mais recente, gosto, ocasionalmente, de referir assuntos que foram autênticos escândalos, mas que vão caindo no esquecimento.

Ballet Rose foi um escândalo de prostituição infantil e pedofilia, na década de 60 do séc.XX, que envolveu personalidades da altura, entre elas Ministros do Estado Novo, e figuras de alta importância na Igreja portuguesa. Dois tipos de grupos com quem Marcelo Rebelo de Sousa sempre teve o gosto de privar. Lembram-se dos padrinhos e do sogro?

É, portanto, perfeitamente normal que para o Sr.Presidente, 400 casos sejam poucos, no meio de tantos que há-de ter tido conhecimento.

Para terminar devo dizer que também me faz um bocadinho de confusão, como o caso de alguns miúdos, já adolescentes, que se prostituíam no Parque Eduardo VII, para ter dinheiro para comprar droga e roupas, teve a repercussão que teve, e este caso, apenas porque envolve a igreja, é abafado o mais possível. A imprensa fala nele, mas com pinças muito compridas.

Não quero criar teorias da conspiração, mas em relação à Casa Pia gostaria que recordassem que os políticos, alegadamente envolvidos, foram os primeiros a ser afastados do caso, porque afinal não havia provas contra eles. A ideia com que se fica é que, realmente, tiveram que adicionar uns nomes sonantes ao processo, para que outros nomes não fossem mencionados. O Herman teve a sorte de terem sido incompetentes quando o tentaram envolver. Outros não tiveram essa sorte. De facto, ser-se alguém famoso em Portugal, às vezes é uma corda no pescoço. 

Sim, sei que este texto está imenso, mas parece-me importante que se consiga traçar um perfil daquela que é a mais alta figura do Estado, mas que dá mais importância a tirar umas selfies, do que ao facto de existirem padres a tirar cuequinhas a crianças.

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