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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

13
Mai22

Mamadou Ba, onde estás tu, pá?


Pacotinhos de Noção

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Na madrugada de 5ªfeira, 12 de Maio, a PSP abateu a tiro um indivíduo alemão que, munido de facas, agrediu e sequestrou um homem. Ao que parece este tipo era bastante grande e ainda conseguiu ferir um polícia. Foram feitas várias tentativas para que a resolução fosse pacífica, mas acabou por não ser possível, e a PSP foi obrigada a agir.

Perdeu-se a vida de alguém que ameaçava a vida de outrem. Para mim a PSP agiu em conformidade e de forma sensata... MAS, e nestas situações há sempre um enorme "MAS", e se o agressor, em vez de alemão fosse um indivíduo de raça negra?

Será que já teria vindo a público o grande defensor das causas raciais, Mamadou Ba?

O facto da pele do indivíduo que morreu ser clara não lhe dá o direito que a associação SOS Racismo venha dizer que foi um crime de ódio, ou desnecessário, ou que a polícia utilizou de força excessiva disparando primeiro e falado depois? Ou o SOS Racismo discrimina consoante a cor da pele e não defende brancos, ou hispânicos, ou chineses?

Não me interpretem mal, eu não penso que tenha sido cometido qualquer erro por parte da PSP, aquilo que faço é aproveitar esta notícia para sublinhar a incoerência e a hipocrisia de Mamadou Ba, de partidos como o Bloco de Esquerda, e da SOS Racismo. É que os argumentos que lancei atrás não foram inventados por mim, são argumentos que já vi utilizados pelo dirigente da SOS Racismo.

Tenho plena consciência de que em Portugal existe mais racismo do que aquele que o cidadão comum imagina, mas não tanto como Mamadou Ba quer fazer crer.

E isto acontece porque tem mesmo que existir racismo, ou pelo menos é assim que as figuras da associação esperam que se mantenha, porque se não houverem números expressivos que justifiquem manter-se aberta uma associação deste tipo, então acabam-se os financiamentos.

Não se iludam, Mamadou Ba e a SOS Racismo são como os sindicalistas e os seus sindicatos. Fazem barulho, muita das vezes, não porque seja necessário, mas, porque têm que se mostrar, visto que há cotas que têm que se cobrar.

Este é um assunto que tem sempre que ser mexido com pinças, porque há pessoas com susceptibilidades muito frágeis e aproveitam logo para começar a disparar acusações de racismo para tudo o que é lado.

Como é habitual, nos posts que coloco no Instagram, faço questão de mencionar as pessoas visadas no texto. Mamadou Ba não será excepção, e caso o senhor leia isto e tenha a infeliz ideia de dizer que sou racista, eu terei então que utilizar da minha forte capacidade argumentativa e dizer um magnífico "quem diz é quem é", e neste caso, mesmo sendo a afirmação infantil, é a mais acertada que poderia fazer, na hipótese de essa situação vir a acontecer.

22
Nov21

Hoje sinto-me um imbecil


Pacotinhos de Noção

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Quem me lê há-de ter reparado que super e hipermercados são microcosmos que frequentemente utilizo para mostrar exemplos da quão ranhosa é esta nossa sociedade. Isto acontece por estas superfícies serem frequentadas por toda a categoria de gente. Mesmo o mais eremita precisa de mantimentos e é lá que se abastecerá.

Hoje desloquei-me a uma loja Minipreço e a cena com que lá me deparei abalou as minhas convicções. Agora, algumas horas passadas, tenho o discernimento para perceber que a unidade não é um todo, mas no imediato da situação não é com essa a sensação com que se fica.

Defendo que Portugal não é um país racista. Tem, como todos os países terão, elementos medíocres que por serem tão barulhentos até podem parecer que são muitos, mas a verdade é que não são. Mas quando atacam, ao atacado dói tanto como se fossem mais, e o que realmente interessa é isso. Vamos então ao relato da situação.

Entrando no supermercado que referi, ouço uma senhora a falar alto com a menina da caixa, que por acaso é brasileira. Não sei qual seria o motivo nem quem ali tinha a razão, mas sei quem rapidamente a perdeu.

O primeiro argumento que me acertou como um murro no estômago foi o bom e velho — "mas você não sabe que o cliente tem sempre razão?" — a resposta foi um educado -"talvez na sua perspectiva, mas na minha não". Como as pessoas que gostam de falar alto não lidam bem com quem lhes responde baixo e com educação, aproveitam logo para mostrar o jogo todo pondo as cartas na mesa, e o trunfo jogado foi lançado todinho de uma vez. Parecia uma avalanche de idiotice, estupidez e trampa que a tal senhora vomitou, e esta porcaria toda, para mim que nem tinha nada que ver com o assunto, em vez de voltar-me a acertar no estômago, acertou-me com toda a força nas trombas deixando-me até sem reacção. Esta senhora, a quem agora faço questão de apelidar de vaca, virou-se para a rapariga e metralhou-a com -"mas quem julga você que é? Vem para o país dos outros a dar ares de quem manda? Vá, mas é para a sua terra"...

O "vá, mas é para a sua terra" tem em mim o mesmo efeito que ver um animal atropelado na estrada. Sabemos que acontece, ocasionalmente vemos um, mas sempre que por ele passo, até sinto um arrepio na espinha.

Agora sei que deveria ter intervindo. Deveria ter chamado à atenção aquele saco de estrume e disponibilizar-me para servir de testemunha à funcionária ofendida. Não o fiz e sinto-me um imbecil por isso. 

Nesta situação não deveria ter tido pudores de ter sido até deselegante com tão desprezível pessoa, mas de facto não tive reacção. Reacção teve a ofendida que se retirou e foi-se fechar no W.C. a chorar. Estou certo que o fez não só pela ofensa mas também por não ter tido quem a defendesse e até por se ter sentido traída por colegas que não tomaram as suas dores, apenas porque ficaram com receio da cliente. Percebo que o nervoso tenha-lhes toldado o discernimento. Se me aconteceu e não era nada comigo, imagino como terá sido difícil para eles engolir esta ofensa. Até porque também eles são brasileiros.

Aquilo que posso apenas dizer é que me sinto envergonhado.

Sinto-me envergonhado por assistir a isto e não ter reagido. Não vou aqui afirmar que "sou isto e aquilo" e "que faço e aconteço", mas hoje podia ter sido só um bocadinho "daquilo" para fazer "acontecer" e o acontecer aqui até podia ter trazido o bónus de ter feito uma "tuguinha" ranhosa sentir-se humilhada por ser chamada à atenção por outro "tuguinha", que foi ranhoso por não intervir. E ser "tuguinha" é isto... É muito provavelmente ter familiares a trabalhar no estrangeiro, é afirmar que já se sofreu de preconceito por um ou outro motivo, é sublinhar que quanto mais conhece as pessoas mais gosta de animais, mas que mal tem a sua oportunidadezinha de espezinhar alguém não hesita e fá-lo com os dois pés, e até com botas da tropa, para saber que calcou bem e sentir orgulho numa nação que trata assim quem nela mora. Mas mais uma vez afirmo, e não me deixo ir ao engano, por assistir a este triste espectáculo não mudo a minha opinião. Não somos um povo racista, mas temos por cá muita porcaria, que curiosamente até por cá nasceu.

03
Out21

Ser ou não ser? Eles não são


Pacotinhos de Noção

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Há algumas personalidades que me irritam particularmente. Duas delas são Joacine Katar Moreira e o suposto humorista, Diogo Faro.

Irritam-me porque são pessoas, uma delas até com um cargo político de relevo, que aproveitam a sua mediatização para lutas propagandeadas como essenciais, mas que depois mostram que usam grandes espingardas que apenas disparam tirinhos de fulminantes.

Os exemplos são imensos, mas aquele de que quero falar é apenas um. O racismo.

Tanto um como outro enchem a boca para afirmar que existe racismo no país, que as pessoas são catalogadas pela cor da pele e que tal não é admissível em pleno século XXI.

Se existe ou não racismo no país, não posso afirmar. Posso afirmar que temos uma grande percentagem da população que é ignorante. Uns são ignorantes e têm falta de educação, proferindo por vezes comentários que poderão ser considerados racistas, derivado a esses dois atributos.

Exemplo disso é, em conversa com alguém que nem conhecem bem, referirem-se a António Costa como o "monhé", ou que foram à loja dos "chinocas", pensando que ao falar desta maneira estão a ser hilariantes. No seu âmago nem se estão a referir com o intuito de ofender porque "em casa, com a família, até falam assim na brincadeira" mas a verdade é que não estão casa, não estão com familiares e até podem mesmo estar a ofender. Mas isto é a ignorância aliada à falta de educação, como disse atrás, e também misturada com algum preconceito, que as pessoas limitadas inevitavelmente têm.

Depois temos os ignorantes do outro lado da barricada. Os activistas de causas emprestadas, que de próprio não têm nem os argumentos. Aqueles que pegam em qualquer situação para fazer um festival contra a opressão do povo branco contra minorias, mesmo quando as minorias não se revêem naquilo que eles estão a defender. Os activistas que querem deitar abaixo monumentos, espartilhar toda uma sociedade, obrigar a uma inclusão que é feita de uma forma que tem tudo menos o ser natural, e apagar o passado enquanto acendem o lume de uma fogueira ateada à base de livros do Tintin, do Astérix e do Lucky Luke.

Estas pessoas irritam-me porque deixam de parte o que verdadeiramente importa, e que é a luta contra os que realmente são perigosos. Os que já cometeram crimes de ódio, tornaram a cometer e têm orgulho em demonstrar que o vão continuar a fazer.

Dia 1 de Outubro faria 54 anos Alcindo Monteiro. Faria mas não fez. Na realidade deixou de fazer anos aos 27, quando foi morto numa visita ao Bairro Alto, a 10 de Junho de 1995. Para nós, o dia de Portugal, para ele o seu último dia, para os assassinos, o dia da raça

Pelo nome quase ninguém sabe de quem estou a falar, mas se eu disser que Alcindo Monteiro é o rapaz preto que foi morto no Bairro Alto, pelo grupo liderado pelo skinhead Mário Machado, os Hammerskins, já grande parte se lembrará.

Vamos lá ver, Alcindo teve na verdade um azar do caraças, e estava mesmo a pedi-las.

Primeiro era preto, logo ai estava mesmo a pedi-las, e depois teve azar porque a grupeta das cabeças rapadas bateu em tanta gente naquele 10 de Junho, sendo que mais ninguém morreu, por isso foi só azar.

Alcindo foi morto porque era preto. Todas as outras pessoas que foram agredidas naquele dia foram-no por serem pretas, e não morreu mais ninguém por mero acaso. Os Hammerskins têm um currículo de agressões qie mais parece uma bíblia, de tantas páginas que tem. Desde agressões com recurso a armas brancas, tacos de basebol, murros, pedradas e pontapés. Está lá tudo.

Houve condenações neste caso. As mais altas de 18 anos, as mais baixas de 2 e meio. Mesmo que tivessem cumprido toda a pena (que não cumpriram) já estavam cá fora, como estão, e estando já voltaram a cometer crimes da mesma tipologia. Se bem que agora a escolha é variada. Agridem pretos, chineses, indianos, ciganos, paquistaneses, homossexuais e até pessoas que se intrometam nas agressões que eles perpetram.

As autoridades têm conhecimento que existe esta organização, o Governo também. Não se escondem e têm páginas nas redes sociais. Aliás, a possibilidade de vir a ser invadido e ofendido por comentários destes acéfalos é grande, porque o esgoto da sociedade parece que tem radares. Quando falam deles acabam sempre por ficar a saber e, por incrível que possa parecer, há sempre alguém que por acaso até está de acordo com algumas ideias que eles apresentam, "mas não concordam com as agressões".

Isto não existe. Concordar com uma vírgula, de algo que organizações como a Hammerskin defenda, é estar a validar tudo aquilo que fazem.

Estes são os verdadeiros crimes de ódio que devem ser julgados e cujas penas deveriam ser exemplares. 18 anos para quem tira a vida a outro, sem nenhum tipo de justificação!? Isto foi matar pelo simples prazer de o fazer, e como tal deveria haver excepções à lei e aplicar prisão perpétua, sem hipóteses de recurso. Não me venham com a desculpa de que errar é humano. Estes tipos não são humanos. São monstros que andam entre nós. Camuflam-se por entre claques de futebol, pois é outra forma de validar pancadaria, e quando não há futebol vão à procura das suas vítimas que hoje há-de ter sido alguém, mas amanhã podes ser tu ou um outro alguém, mas que seja da tua família.

É por isto que os tais activistas da esquerda caviar me dão nervos. Apelidam tudo de racismo ou crimes de ódio, e quando há estes que são MESMO crimes raciais e de ódio, a sociedade acaba por não estigmatizar os criminosos, com tanta força como deveria fazer.

De que me interessa ter vergonha no passado. Não posso ter vergonha de algo que não fiz. É passado e lá ficará. Aquilo que tenho é vergonha do presente e temor pelo futuro, porque se de um lado temos os extremismos bacocos de políticos e figuras públicas como a Joacine Katar Moreia e Diogo Faro, do outro temos verdadeiros extremistas que já provaram que para eles matar é mais simples do que conjugar o verbo "Ser". Até porque Ser, eles não são nada.

21
Set21

Não tenho causas por causa das causas


Pacotinhos de Noção

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Todos têm causas.

Seja a sororidade, a igualdade de género, a defesa dos animais, a sustentabilidade do planeta, a pegada ecológica ou a luta contra o uso de plástico, na verdade não interessa qual a causa que se diz que se defende, nem tão pouco se ou como se defende. É preciso é fazer muito barulho para que todos percebam que se é uma pessoa de causas.

Pois no meio de tantas causas e causinhas devo dizer que eu não sou uma pessoa de causas. Pelo menos dessas todas que estão na moda.

Motivos? Tenho vários, mas os principais são porque sou preguiçoso e se me propusesse a defender algo, certamente que teria que fazer mais do que apenas fazer partilhas em redes sociais. Defender uma causa não é feito apenas no mundo da internet.

A grande parte destes novos defensores só afirmam que o fazem porque têm de alguma forma preencher o enorme vazio que os rodeia. Um vazio que ainda por cima é moral. Não é por acaso que é na geração Z que moram a maior parte destes activistas de causas sem efeitos.

Nos anos 70 foi preciso lutar pela liberdade, nos anos 80 havia o flagelo da droga e a SIDA era uma sentença de morte, a partir dos 90 as coisas começaram a acalmar mas ainda assim os estudantes tiveram as suas lutas contra as propinas, e agora tem que se inventar alguma coisa para que não sintam que a sua existência se está a transformar num enorme nada.

 Mas depois são mais uma vez hipócritas, quando reclamam da pegada ecológica mas não abdicam das suas viagens de avião por mero lazer e capricho de poder dizer que estiveram aqui e ali. 

Quem morar perto de uma escola e de um supermercado, como comigo acontece, percebem o quão incongruente é esta geração Z, que defende como é criminoso usar plástico mas que depois o usam e até o deixam espalhado pelas ruas, quando até existem ecopontos nas imediações da escola.

Não me importo de ser apontado como alguém que não tem causas que queira defender, até porque não é verdade. As minhas causas são é minhas. Não tenho a pretensão de conseguir mudar o mundo de forma imediata. Vou, por exemplo, educando os meus filhos de forma a que sejam pessoas como devem ser e digo desde já que me parece que estou a fazer um bom trabalho. Isto aquece ou arrefece a sociedade? Para já poderá em nada alterá-la, mas se eu criar uma criança, que um dia mais tarde venha a ser um bom cidadão, julgo que a causa que escolhi para mim estará já ganha.

Ganha gostos e seguidores nas redes sociais?! Não. Mas dá-me enorme paz de espírito e satisfação pessoal.

Se me perguntarem se tenho algo contra a geração Z...

Sou um "Millenial", logo o meu estado normal é arreganhar o dente para os Z... Assim como a geração X ainda é aquela que vai patrocinando grande parte dos Millenials e dos Z's.

27
Mai21

Em alto e bom som, para toda gente ouvir


Pacotinhos de Noção

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Situação passada hoje, no comboio.

Uma senhora fala ao telemóvel em alta-voz. Uma outra senhora, mais velha, pergunta-lhe se pode antes falar em modo normal, porque a incomoda ter que ouvir conversas pessoais.

A senhora pede desculpa, desliga o alta-voz e segue conversa.

Duas paragens mais à frente entram uma senhora africana, com a filha e curiosamente também a falar em alta-voz. Vai sentar-se precisamente junto da senhora mais velha.

Depois de alguns minutos, e vendo que a conversa não ia terminar tão depressa, a senhora mais velha faz o pedido que também tinha feito à outra. A senhora, que está com a filha, dando-lhe assim o exemplo correcto de como agir nestas situações, responde: "Quem está mal muda-se. Não estou a incomodar ninguém e a senhora nem ouve a minha conversa."

A senhora mais velha respondeu que já estava naquele lugar, que se sente incomodada por ter que estar a ouvir conversas privadas, que mesmo sem querer está a ouvir a conversa, tal como toda a carruagem, e que até sabe que a chamada é para a neta poder falar com a avó, e que tem que se ter consciência de não usar desta forma o alta-voz, pois se naquela carruagem todos o fizessem, ninguém conseguiria falar.

A resposta da mãe foi a mais simples de todas. Disse: "Só me está a dizer isso porque sou preta. É racista."

Eu ficaria desarmado com este murro no estômago, mas a senhora mais velha, com todo o seu sangue frio e espírito acutilante, respondeu: "Antes da senhora entrar fiz o mesmo pedido a outra menina, sem lhe ter olhado à cor da pele. E deixe-me que lhe diga que a educação não tem cor, e era isso que devia transmitir à sua filha".

O que é verdade é que a mãe há-de ter tido alguma vergonha, porque acabou por desligar o alta-voz.

Em relação ao esgrimir do argumento do racismo nem me vou pronunciar.

A senhora foi só parva e já aqui tinha referido que vai chegar a altura em que tudo acabará por ser como a história do Pedro e do Lobo. Com tanta vitimização despropositada, vai chegar uma altura em que as pessoas vão deixar de acreditar. E não estou a falar só de questões raciais. Quando há uma denúncia há que se investigar e punir o agressor quando é verdade, mas julgo que também se deve punir o denunciante quando se descobre que é mentira.

Esta questão da alta-voz, das colunas de som, do não se querer saber se estamos ou não a incomodar o próximo é mais um reflexo da falta de educação, noção e senso comum? Será que estamos todos a ficar parvos e já não conseguimos perceber que supostamente é bom "pensar fora da caixa" mas também é bom que cada um se mantenha "dentro do seu quadrado" e que tente não invadir o espaço dos outros. Mesmo em restaurantes é incómodo querer fazer uma refeição e nas mesas do lado ter grupos de pessoas que não se sabem comportar em público, proferindo asneiras em alto e bom som e rindo ou gritando, apenas porque estão muito contentes ou são muito sociais.

Parece-me uma batalha perdida porque na verdade tudo é uma questão de educação e a educação não aparece por osmose. Tem que haver um trabalho de pais, família, sistema de ensino e até da sociedade para que se evitem estas situações e até outras como a da Jéssica do Seixal, cujas agressões fizeram um rapaz correr para a frente de um carro, sendo atropelado e não morrendo por um triz.

A senhora do comboio de hoje, aquela que tinha mais idade, fez a parte dela e eu invejei não ter a capacidade que ela demonstrou de exigir que quem partilha um espaço público comigo me saiba respeitar como eu os respeito a eles.

23
Abr21

Cyborgs das redes sociais


Pacotinhos de Noção

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Há cerca de uma semana, em S.Domingos de Rana, um miúdo de 15 anos (Tomás Braga) foi assassinado por um colega de escola de 18.

O motivo não interessa. Um miúdo morreu, outro, não tão miúdo, matou.

Tirando a CMTV, os restantes canais pouca ou nenhuma relevância deram ao caso. O que morreu era branco, o que matou era preto. Não vi o Mamadou Ba, o Diogo Faro ou a Joacine Katar Moreira a elevar a voz, ou a colocarem posts no Instagram acicatando toda uma multidão contra o preto que matou. Isto porque provavelmente não consideram que tenha sido um crime de racismo. E eu concordo. Aliás, não é este, não é o do Bruno Candé, não é o do George Floyd. O assassino que matou Floyd também mataria um branco, quem matou o Candé também, e o rapaz que matou o Tomás matá-lo-ia tivesse ele a cor que tivesse, porque o que falha aqui não é a cor da pele, são os valores.

O que é que leva um rapaz, com toda uma vida pela frente, a cometer um acto destes?

Simples. Falta de carácter, falta de respeito pelo próximo, falta de sentimentos.

Isto porque andamos a criar seres ciborgues. Não têm um braço ou uma perna robótica mas o cérebro está formatado para "likes" e validações em redes sociais.

Com que fundamentação faço tal afirmação? Analisando este caso concreto.

O rapaz que matou discutiu com o Tomás numa rede social. Os "amigos" disseram-lhe que ele não podia deixar as coisas ficarem assim, que era uma humilhação, que teria que haver sangue e teria que haver facada. Eles filmaram o acto em si porque estavam a transmitir para a rede social. Uma discussão ou uma luta vai dar "likes", vai fazer ganhar seguidores. É para isto que vive a geração mais nova.

Aquele que era um nicho social há uns tempos, que depois formava indivíduos para serem protagonistas de "reality shows", está a deixar de ser um nicho e começa a ser generalizado. Como pai tenho receio. Sei que estou a educar os meus filhos com os valores basilares para saberem viver em sociedade, mas saberá a sociedade de então, viver com eles?

Hoje os comportamentos desviantes ainda são fáceis de identificar, mas será que mais tarde o serão? Ou o comportamento desviante será uma pessoa que demonstra o mínimo de respeito e educação e acabará por ser marginalizado, porque não vive segundo os cânones da sociedade da altura? Ninguém sabe as respostas a estas perguntas e resta-nos aguardar.

Esta febre da malta nova pelas redes sociais deveria ser travada. Tal como a pornografia, o álcool, conduzir e o tabaco, as redes sociais só deveriam ser permitidas depois dos 18 anos, porque ter-lhes acesso enquanto têm o sistema cognitivo em formação, é estar a transformá-los em seres insensíveis e sem escrúpulos.

Em vez de andarem a proibir desenhos animados como o Dragon Bal, onde existe uma clara diferenciação entre o bem e o mal, ou a fazer caça às bruxas porque nos Simpsons o que faz a voz de determinado boneco não é da raça desse boneco, cujo intuito é apenas o de estimular o sentido de humor, que é uma clara demonstração de inteligência, deveriam analisar os prós e os contras das redes sociais na mente dos jovens e crianças, e então tomar decisões...

"Ah, o meu filho tem 3 anos e sabe mexer muito bem no tablet"...

Tudo bem, mas se calhar ainda usa fraldas e não sabe usar um talher. Prioridades, meus amigos, prioridades, para mais tarde não termos que ir à prisão, visitar o nosso filho ou pior, ao cemitério.

Estou a ser dramático? É natural, a situação é dramática.

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