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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

13
Abr22

Da Marie, corri


Pacotinhos de Noção

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Há uns tempos saiu da casa do Big Brother uma miúda que me fazia lembrar a boneca Emília, do Sítio do Pica Pau Amarelo.

Não sei se era boa ou má concorrente porque não tenho seguido o programa. Comecei por ver a primeira edição, com o Bruno de Carvalho, mas cansei-me rápido. Esta segunda não tenho acompanhado de todo, mas não vivo debaixo de uma pedra, e como tal vou ficando a saber de uma ou outra polémica, de um ou outro assunto.

Ao que parece esta excêntrica menina não fazia a depilação, vestia umas roupas esquisitas, tinha um estilo próprio, e como tal já era quase um ícone.

Depois que saiu foi quando "vi" mais barulho. Afirmavam ser uma pena ter saído porque era uma pessoa genuína, que mostrava aos jovens que não faz mal ser diferente. E não faz, mas vamos por partes.

Andaram as mulheres anos a fio a chatear a cabeça aos homens, de que pareciam uns macacos peludos e que tinham que resolver o assunto. Agora que grande parte deles, entre idas ao ginásio e batidos de proteínas, fazem a sua depilaçãozita total, parecendo depois autênticos Nenucos musculados, o mulherio decide que afinal o que está bem é deixar crescer as pilosidades.

Nada contra ou a favor, cada um, deixa crescer os pêlos que quiser. 

Eu pessoalmente não gosto de ver uma mulher cheia de pêlos, e dizendo isto posso ser acusado de masculinidade tóxica quando, curiosamente, se uma mulher afirma não gostar de um homem de bigode, o facto será apenas catalogado como "uma questão de gosto".

Em relação às roupas que a menina veste, não se iludam. Seria original se aquilo fosse ideia dela, mas, na verdade, existe uma marca que a veste e, pasmem-se, não é nada barata. O Carnaval já passou, mas caso tenham interesse então é visitar a loja "A outra face da Lua".

Estarei agora a ser mauzinho? Se calhar, mas não mais que todos aqueles que criticam o José Castelo Branco, por também ser uma pessoa excêntrica. Coerência, meus caros, coerência.

Valter Hugo Mãe, um dos supostos pensadores da actualidade, também se deixou levar por esta rede de marketing da coitadinha que é diferente e ostracizada, devendo assim servir de exemplo para uma geração. No seu texto, "A Marie da Estela", publicado no Notícias Magazine, afirma que Marie é necessária por fugir ao estilo padronizado que se tem reproduzido graças às redes sociais, imputando maiores responsabilidades ao Tik Tok, ignorando assim que Marie é precisamente um produto Tik Tok e YouTube.

Marie não é diferente de tantos outros que hoje em dia inundam essas mesmas redes, ganhando a vida como "influencers" e que, eles sim, pretendem padronizar toda uma geração, e até o estão a conseguir.

Perdendo alguns minutos, e vagueando pelas redes, encontramos vários exemplos de "Maries" que têm em comum vestirem-se de forma diferente, que acaba por ser igual, fazerem-se de burrinhas para haver a percepção de que são muito inocentes, e passar uma mensagem que parecendo que é diferente, não o é.

Para Marie e os seus seguidores era importante afirmar que uma mulher pode ser feliz deixando crescer os seus pêlos, e se existir alguém que queira difundir uma opinião diferente desta, é porque se curva perante uma sociedade supérflua e fútil, que apenas olha para o visual e não para o interior de cada um... Mas atenção, isto é uma contradição enorme. Marie é apenas visual. Marie não passou a sua mensagem envergando umas calças de ganga e uma t-shirt branca. Ela fez como os Caricas, amigos do Panda, que para chamar a atenção da pequenada usam cores espampanantes, mas aqui as crianças já são um bocadinho maiores e deveriam perceber quando são feitos de tolos.

Na essência não sei se a ex-concorrente do Big Brother é ou não boa pessoa, e não é isso que vem ao caso, aquilo que interessa perceber é que de burra não tem nada. Criou uma personagem, que no Tik Tok e YouTube é apenas mais uma, contudo teve a sorte, e também mérito, de ser chamada para um programa que atinge um público alvo em que para eles Marie é novidade.

Que ganhos terá ela com isto? Recordo novamente que a menina é "influencer", vive dos seguidores das suas redes sociais.

Afirmo no título que "Da Marie, corri" por, primeiro ser uma boa alusão a Marie Curie, e depois porque destas criações de redes sociais fujo a sete pés. Sou alguém de miolo um pouco mole, completamente influenciável, e amanhã posso decidir deixar de me depilar e começar a usar brilhantes nos dentes, e numa rapariga jovem a coisa até passa despercebida, agora num homem feito, poderá apenas ser esquisito. Ou então não, e se me fizer de burrinho até posso angariar uma legião de fãs. É um caso a pensar.

Para terminar, e caso sintam mesmo muita necessidade de encontrar alguém diferente na casa do Big Brother, posso dar-vos dois exemplos.

Temos Marco Costa, que sendo um produto deste género de programas, e em que ninguém dava nada por ele, aproveitou a mediatização para evoluir naquilo com que sempre trabalhou, e hoje tem a sua rede de pastelarias, mostrando que o título de "bronco" que lhe imputavam, não é mais forte do que o título de "sucesso" que acaba por alcançar. Podemos gostar ou não do tipo, mas temos de dar-lhe valor.

E que dizer acerca de outro concorrente, o Chef Fernando Semedo, cuja história agora foi divulgada. Viveu na miséria, num bairro de lata com casas de paredes descascadas. Viu-se sozinho com os irmãos após ver a mãe ser presa e terem sido abandonados pelo pai. Era uma história que teria tudo para dar errado e os exemplos mostram-nos que normalmente dá, mas Fernando sentiu que a vida tinha algo mais para lhe dar e hoje não é o Nando que arruma carros ou que já passou pela esquadra... É o Chef Fernando. Parabéns por isso e que sirva de exemplo para muitos.

14
Jun21

Certifica-se que está certificado


Pacotinhos de Noção

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Como todos sabem as redes sociais são de modas. Quer de assuntos, quer de páginas visitadas e até de fotos.

A moda mais recente é a de colocarem fotos de certificados de vacinação COVID, para mostrarem que já levaram pelo menos, a primeira dose da vacina.

Daquilo que me tenho apercebido, e segundo ouvi dizer, TODOS vão ser vacinados, por isso aquilo que fazem questão de mostrar nas redes sociais não é grande avaria. Significa apenas que são mais velhos que os que ainda não foram vacinados ou que podem ter alguma comorbidade... Que treta, hein?

Mal comparado isto é como o surgimento do carrito Smart lá pelos finais da década de 90, princípio da de 2000. Inicialmente só se via um ou outro, e os donos queriam muito mostrar. As pessoas não conheciam o bólide, até achavam alguma piada e olhavam com vontade. Depois foi uma enchente de tal forma grande que parecia mais uma praga. Havia até lugares de estacionamento próprios para Smart's nalguns centros comerciais. Agora que quase já toda a gente conduziu, pelo menos uma vez aquele minicarro, ninguém lhe liga nenhuma.

Mas percebo que estejam satisfeitos. Afinal de contas é um importante passo dado, rumo à tentativa de vitória contra o ranhoso deste vírus. Mas se querem assim tanto mostrar que estão vacinados sugiro que, das duas uma, ou vos colam os certificados na testa ou então levam com um carimbo no lombo como se faz às carcaças dos leitões ou até como os ovos, que têm sempre o carimbo da validade.

Tem graça que ainda me recordo de até há bem pouco tempo existirem pessoas que temiam a vacina, porque o malandro do Bill Gates queria injectar-nos um chip para ficar a saber tudo sobre toda a gente. E não é que o sacana conseguiu. O chip pelos vistos comanda as vontades dos vacinados, e deve ser por isso que eles mostram os certificados.

Alguns mostram até o acto da vacinação em si. Já não via tanta seringa espetada no braço desde que mandaram abaixo o Casal Ventoso.

Mas deixemo-nos de brincadeirinhas parvas porque na realidade estou um tanto ou quanto apreensivo. Imaginem que passa a ser práctica comum a colocação de fotos de exames, e resultados dos mesmos, nas redes sociais.

Uma "pica" e posterior certificado ainda se aguenta, mas e se a pessoa vai fazer uma endoscopia com biópsia!? Não quero nada imagens disso. As endoscopias são tramadas tanto de fazer como de ver, com a pessoa ali deitada, toda a regurgitar-se.

Preocupa-me ainda mais se calha a alguém ter que ir fazer o exame da próstata...

Pode ser que num dia, em que me calhe a mim ter que fazer este exame, que esta moda macaca já seja apenas uma memória distante.

Caso continuem a insistir nesta treta de expor os certificados, julgo que o nosso Senhor Presidente da República deveria declarar novo estado de emergência, só para assim poder obrigar a que cada pessoa, que expõe o certificado de vacinação, seja também obrigado a expor o seu certificado de habilitações, com os seus 11 e 12 valores, a Educação Visual e Português B. Iam apanhar grande vergonha. Nunca mais punham certificado nenhum online.

23
Abr21

Cyborgs das redes sociais


Pacotinhos de Noção

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Há cerca de uma semana, em S.Domingos de Rana, um miúdo de 15 anos (Tomás Braga) foi assassinado por um colega de escola de 18.

O motivo não interessa. Um miúdo morreu, outro, não tão miúdo, matou.

Tirando a CMTV, os restantes canais pouca ou nenhuma relevância deram ao caso. O que morreu era branco, o que matou era preto. Não vi o Mamadou Ba, o Diogo Faro ou a Joacine Katar Moreira a elevar a voz, ou a colocarem posts no Instagram acicatando toda uma multidão contra o preto que matou. Isto porque provavelmente não consideram que tenha sido um crime de racismo. E eu concordo. Aliás, não é este, não é o do Bruno Candé, não é o do George Floyd. O assassino que matou Floyd também mataria um branco, quem matou o Candé também, e o rapaz que matou o Tomás matá-lo-ia tivesse ele a cor que tivesse, porque o que falha aqui não é a cor da pele, são os valores.

O que é que leva um rapaz, com toda uma vida pela frente, a cometer um acto destes?

Simples. Falta de carácter, falta de respeito pelo próximo, falta de sentimentos.

Isto porque andamos a criar seres ciborgues. Não têm um braço ou uma perna robótica mas o cérebro está formatado para "likes" e validações em redes sociais.

Com que fundamentação faço tal afirmação? Analisando este caso concreto.

O rapaz que matou discutiu com o Tomás numa rede social. Os "amigos" disseram-lhe que ele não podia deixar as coisas ficarem assim, que era uma humilhação, que teria que haver sangue e teria que haver facada. Eles filmaram o acto em si porque estavam a transmitir para a rede social. Uma discussão ou uma luta vai dar "likes", vai fazer ganhar seguidores. É para isto que vive a geração mais nova.

Aquele que era um nicho social há uns tempos, que depois formava indivíduos para serem protagonistas de "reality shows", está a deixar de ser um nicho e começa a ser generalizado. Como pai tenho receio. Sei que estou a educar os meus filhos com os valores basilares para saberem viver em sociedade, mas saberá a sociedade de então, viver com eles?

Hoje os comportamentos desviantes ainda são fáceis de identificar, mas será que mais tarde o serão? Ou o comportamento desviante será uma pessoa que demonstra o mínimo de respeito e educação e acabará por ser marginalizado, porque não vive segundo os cânones da sociedade da altura? Ninguém sabe as respostas a estas perguntas e resta-nos aguardar.

Esta febre da malta nova pelas redes sociais deveria ser travada. Tal como a pornografia, o álcool, conduzir e o tabaco, as redes sociais só deveriam ser permitidas depois dos 18 anos, porque ter-lhes acesso enquanto têm o sistema cognitivo em formação, é estar a transformá-los em seres insensíveis e sem escrúpulos.

Em vez de andarem a proibir desenhos animados como o Dragon Bal, onde existe uma clara diferenciação entre o bem e o mal, ou a fazer caça às bruxas porque nos Simpsons o que faz a voz de determinado boneco não é da raça desse boneco, cujo intuito é apenas o de estimular o sentido de humor, que é uma clara demonstração de inteligência, deveriam analisar os prós e os contras das redes sociais na mente dos jovens e crianças, e então tomar decisões...

"Ah, o meu filho tem 3 anos e sabe mexer muito bem no tablet"...

Tudo bem, mas se calhar ainda usa fraldas e não sabe usar um talher. Prioridades, meus amigos, prioridades, para mais tarde não termos que ir à prisão, visitar o nosso filho ou pior, ao cemitério.

Estou a ser dramático? É natural, a situação é dramática.

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