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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

23
Set22

Idosa vítima do "Não há"


Pacotinhos de Noção

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Todos terão conhecimento do caso da velhota filmada num lar, coberta de formigas. Aquilo de que ainda não se falou foi da verdadeira razão para isto acontecer e porque morreu a senhora.

Primeiro que tudo a senhora morreu devido à sua já provecta idade, e consequência também, de todos os problemas de saúde que a afectavam, e que poderão ter sido agravados pelas condições em que esta senhora se encontrava.

Segundo devo dizer que Florinda Queiroz foi vítima do "Não há".

Todos conhecem o "Não há", que tem sido longamente debatido nos programa de análise política, e até nos de economia.

Não há médicos, não há enfermeiros, não há varredores de rua, não há dinheiro. Não há vergonha na cara, não há oposição, não há professores e também não há água.

Estes são alguns dos "não há" que podemos imputar ao Governo, aos políticos e a todos que não o cidadão comum. Os "Não há" que foram servindo de pregos no caixão da D.Florinda não parecem tão graves, mas foram-lhe fatais.

Não há, por parte da Santa Casa da Misericórdia, vergonha por terem lares com esta falta de condições. Não há supervisores na instituição que façam vistorias para que a situação não chegue nem perto deste ponto. Na Segurança Social também não há técnicos/inspectores que visitem os lares da SCM ou mesmo os da própria Segurança Social. Relembro que há poucas semanas foi encerrado um lar, cheio de condições e com utentes satisfeitos, mas que burocraticamente, tinha uma série de papéis em falta. Não há noção.

Aquilo que também não há é a honra, a empatia, o cuidado para com o próximo e dignidade. Aqui refiro-me a quem fez estas gravações, e que mais tarde as divulgou.

A princípio teve um gesto correcto e sensato, mas se há coisa que aqui não há são estúpidos nem otários, e tal como em quase todos os vídeos de denúncia de lares, eles só são divulgados depois da colaboradora que os fez, já ter sido demitida, ou não ter visto o seu contrato renovado. Soa a vingança, a mesquinhez. Se tivesse continuado a lá trabalhar, já não divulgaria os vídeos?

Estas gravações foram feitas a 12 de Junho... Estamos no finalzinho de Setembro.

Como esta ex-funcionária conseguiu, dia após dia, encostar a cabeça no travesseiro e dormir, sabendo que no lar onde trabalha estava, pelo menos, uma idosa a ser calmamente devorada por formigas. Deixa-me também um pouco apreensivo em como é que não houve uma rápida necessidade de limpar e ajudar aquela senhora. Teve muito mais impacto a gravação das formigas, e do carreirinho que faziam. A verdade é que a 24 de Julho a D.Florinda morreu, e só a 8 de Setembro a Segurança Social, e a GNR, visitaram o lar, pouco tempo depois da denúncia.

Quem divulgou o vídeo que não julgue que teve um acto herói. Da maneira como fez as coisas prova que aqui não há heróis, há apenas cúmplices.

Para acabar queria falar no facto de que não há amor.

Então durante todo o tempo que a senhora esteve neste lar a sofrer, não houve um familiar que lhe fosse fazer uma visita, constatando as precárias condições em que a senhora se encontrava? Que raio de pessoas são estas que despejam os velhos em lares e não mais querem saber deles.

Em abono da verdade, o Cro-Magnon, filho da D.Florinda, já falou para a CMTV, muito indignado, dizendo que na visita que fez à sua mãe, a 12 de Junho, viu que ela tinha formigas no braço e nos ouvidos, que se dirigiu a "alguém" e que questionou:

"Atão a nha manhi tá chêa de framigas?"

— mas não lhe deram nenhuma resposta, o que foi pelos vistos suficiente para ele, pois não houve mais visitas nem tentativas de tirar a mãe deste lar. Não há amor e não há respeito por quem o pariu, por quem lhe deu de mamar e por quem tão erradamente o educou.

Para acabar posso dizer que no final deste texto também não há novidade, pois repito aquilo que já hão-de ter lido noutros textos meus. A sociedade está podre, tenho vergonha de poder ser confundido com algum destes seres, só porque ambos somos bípedes.

20
Mai21

O vício de ser do contra


Pacotinhos de Noção

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Começou na última 3ª feira a ser vendida a Raspadinha do Património. Para quem não conhece esta raspadinha qual é a diferença para todas as outras? As diferenças são várias, entre elas o facto de que o dinheiro obtido com a sua venda (custa 1€) será para investir na manutenção de museus e teatros históricos, por exemplo. Diz-se que também poderá servir para criar fundos de apoio a artistas, com o intuito de evitar situações vividas pelos mesmos, como a que sentiram por alturas do confinamento.
Outra diferença é o valor máximo do prémio. Logo aqui dá para perceber que quem atribui é o Estado. Enquanto outras raspadinhas apostam em 20.000 e 50.000€ o Estado atribui apenas 10.000€. Mas também não se pode querer tudo, não vá o valor do prémio fazer falta a algum fundo de restruturação de um qualquer banco privado, e sendo assim faz todo o sentido que o prémio seja mais fraquinho.
Agora a diferença maior e mais nefasta nesta raspadinha e que tem gerado uma grande polémica, existindo até vozes que se têm levantado de forma a mostrar a enorme vergonha que é esta raspadinha. A grande e horrorosa diferença é que esta raspadinha PODE VICIAR. É verdade meus caros leram bem, pode viciar.
Nunca tal se tinha visto. Um jogo, que pertence a um leque de jogos que se apelidam de "jogos de azar", pode levar a que as pessoas fiquem com uma ânsia tão grande de raspar, que nem crostas vão conseguir ter no corpo, raspando-as logo... Sim eu sei, não é a imagem mais bonita mas dá para perceber onde quero chegar.
Não tenho o hábito de jogar em raspadinhas, mas isso pode ser porque as outras não viciam, e como tal nunca me seduziram. Já esta Raspadinha do Património vejo-a nos escaparates das papelarias e parece que ouço uma voz cantante a chamar por mim, deixando-me em transe e com uma vontade doida de usar o meu €uro para ganhar 10.000. Mas tal como o Ulisses, eu resisto ao canto desta sereia feita de cartão, e evito entrar no mundo da dependência.
Atenção, posso até brincar com a situação, mas a verdade é que a adição do jogo é real e coloca muitas famílias em situações complicadas. Agora dizer que esta raspadinha em concreto vicia é o mesmo que dizer que os ovos são carecas. Todo o jogo vicia.
Há o argumento de que é uma vergonha o Estado aproveitar-se de algo que leva à adição para com isso obter alguma espécie de lucro.
Também penso que é uma vergonha. Aliás, é uma pouca vergonha, até porque nunca foi feito.
Qualquer dia o Estado ainda se vai lembrar de cobrar um qualquer imposto abusivo no tabaco e nas bebidas açucaradas, por exemplo. Obviamente não seriam capazes disso, mas até aposto que se fossem iriam dizer que o imposto era para colocar um travão às pessoas, no uso destes produtos, uma vez que são muito prejudiciais à saúde pública. Em última análise, e se fossem mesmo muito descarados, podiam até inventar um imposto especial para os combustíveis, dando a desculpa de que seria para a população utilizar os transportes públicos como alternativa, ou haver mais pessoas por cada carro. Mas isto são hipóteses, porque nada disto existe, o que existe é esta raspadinha viciante e vergonhosa que utiliza a fraqueza dos viciados.
Quem for viciado vai sempre jogar, seja a raspadinha do património, da Santa Casa, do Pai Natal. Todo o viciado não deixa de ser viciado porque o Estado deixar de cobrar. É por isso que sou defensor da legalização de qualquer tipo de drogas, sejam elas leves, pesadas, duras, moles ou até se forem todas "fit" e ginasticadas. Quem consome vai sempre consumir e sendo de mais fácil e controlado acesso, fornecido pelo Estado, então poderia baixar a criminalidade, quer de quem rouba para consumir, quer dos cartéis que as vendem, e o imposto aplicado ia acabar até por ser uma mais valia.
Mas isto é outra história, e como já me estou a alongar vou ver ser encontro mas é uma papelaria onde possa gastar 1 ou 2 euritos. Estou com uma vontade de raspar...

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