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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

02
Set21

Os directores ladram e a caravana passa


Pacotinhos de Noção

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Carlos Vaz Marques não é um mero apresentador de televisão. Não é um homem do entretenimento e não é um popularucho das redes sociais. Peço desculpa pelo que vou dizer caso leia estas palavras, mas também não é uma carinha bonita da televisão e não é apenas um locutor de rádio.

Carlos Vaz Marques é um jornalista, um homem das palavras, quer escritas quer faladas, com um percurso profissional que alguns invejam, muitos não imaginam e uns poucos não respeitam. Ora o azar acontece quando nesses poucos que não respeitam calham a estar no lugar dos que definem os caminhos de uma rádio, que já foi referência, mas que aos poucos vai ficando mais difícil de ouvir. Quer pela falta de respeito que demonstra por quem sempre dignificou as três letras da Telefonia Sem Fios, quer pela pouca qualidade que a frequência vem demonstrando. Cada vez é mais difícil sintonizá-la.

31 anos de entrega são anos que compõem uma vida. Não respeitar isto é cuspir num prato onde se comeu e no fim ainda se lambeu os beiços. A TSF, e todas as rádios, são feitas por quem nela trabalha, e se quem nela trabalha se entregar como Carlos Vaz Marques o fez, a rádio passa a ser de referência, como a TSF foi durante muito tempo.

Grupos empresariais que dominam meios de comunicação são cancerígenos. Neste momento os detentores da TSF são os tubarões da Global Media Group, que acharam por bem deitar fora uma das que seria a personalidade com mais história e currículo na casa. Porquê? Segundo aquilo que se percebe, apenas por uma questão de cortes orçamentais porque estes novos directores e administradores preferem perder em qualidade e ganhar em estupidificação, em pessoas que têm a cultura geral de um cepo, mas que tratam os entrevistados por "TU" e afirmam que o que está ali a acontecer não é uma entrevista, é uma conversa, o que a mim me parece apenas uma boa desculpa para justificar uma falta de, ou errada, preparação para a entrevista.

O jornalista de que vos falo e que foi remetido para trabalhos menores, já entrevistou figuras também elas menores, como o Dalai Lama e o Xanana Gusmão, mas também entrevistou personalidades de relevo como o Bruno Aleixo, por exemplo.

Esta diversidade demonstra a inteligência de alguém com sentido de humor. É por isso também que idealizou um programa como o "Governo Sombra" que consegue fazer aproximar assuntos políticos, normalmente tão cinzentos e taciturnos, de uma franja bem maior da sociedade do que aquilo que poderia ser considerado normal.

Até isso os fabulosos directores da TSF desrespeitaram, tendo há pouco tempo registado o título como propriedade sua, ignorando ridiculamente que aquilo que faz um programa não é o título, são os protagonistas.

Com os protagonistas do antigo "Governo Sombra" podiam até chamar ao programa "As aventuras e desventuras do babuíno de rabo rosa" que eu ia ver com o mesmo gosto e atenção... e ficar sempre à espera da intervenção do babuíno, mas isso seria um extra.

Fico a aguardar pela sessão desta semana do novíssimo "Programa Cujo Nome Estamos Legalmente Impedidos de Dizer", com a consciência de que vou estar a ver e a perceber que aquilo é muito, mas mesmo muito parecido com um outro programa que via às 6ªs feiras à noite na SIC Notícias, mas que lhe falta algo que parecendo que não pode mudar muita coisa.

Um director idiota.

05
Mai21

Perdoai-lhes televisão, pois eles não sabem o que dizem


Pacotinhos de Noção

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Sou um adepto confesso da televisão. Sinto sempre algum asco pela falta de agradecimento e pelo "cuspir no prato em que já se comeu", quando ouço alguém afirmar que vê cada vez menos, porque pensam que não tem qualidade. Vejo as coisas de outro prisma.

As pessoas não assistem televisão porque estão cada vez mais preguiçosas. Querem tudo "mastigado" e pronto a consumir. Prova disso são as imensas quantidades de séries que nos são injectadas incessantemente. Existirão séries de qualidade, com certeza, mas a qualidade aumenta substancialmente se for possível ver numa qualquer plataforma de streaming. Se passar na RTP, ou noutro canal qualquer, já não é assim tão boa. Esquisito, não é? Não... Dizer que se viu na Netflix dá outro estatuto. É o estatuto de rebanho, porque acabam por seguir a moda que todos seguem.

Tenho novidades. Séries como Black Adder, Alô Alô, Seinfeld, Cheers, Dexter, Breaking Bad, Friends, Quem sai aos seus, deram todas na televisão e foram todas feitas para essa mesma televisão e perduram todas na história do audiovisual. Já as de agora, uma vez que são feitas em barda, têm o seu grande sucesso mas são de consumo rápido e para serem de memória efémera. Mal comparado são como os "Los del Rio" com a Macarena, ou o "Psy" com o Gangnam Style. Todos os tocam durante um tempo e depois todos os esquecem, para sempre.

Um dos argumentos é que a televisão estupidifica. É verdade. Quando estupidifica mais é naquela altura em que se argumenta que ela estupidifica.

A televisão informa, instrui, esclarece, faz sonhar e ajuda também a discutir opiniões. Além de ser uma autêntica janela para o Mundo. Apenas temos que escolher o que ver.

Quero ver alguém afirmar que se sentiu mais estúpido, depois de ver um episódio do maravilhoso "Portugalmente" do Luís Osório, ou qualquer outro dos seus documentários. Ou uns mais actuais Governo Sombra, Irritações ou Eixo do Mal. Ou com o "Herman Enciclopédia", do Herman ou os episódios dos "Gato Fedorento".

Aprendi imenso com concursos como o "Quem quer ser milionário" do Carlos Cruz, a "Arca de Noé" do saudoso Fialho Gouveia ou até o Palavra puxa Palavra, com o António Sala.

E hoje em dia, o "Traz Prá Frente", com o Alvim, o Markl, a Inês Lopes Gonçalves, o magnífico Júlio Isidro e o Álvaro Costa, só não serve de fonte de curiosidades e informações se não quiserem.

Na televisão há de tudo, é apenas preciso saber escolher, mas a maioria das pessoas não está para isso. Preferem colocar a cabeça enfiada no ecrã de um smartphone ou de um computador e ficar alheios de tudo. Até da família.

Mesmo nessa questão a televisão acaba por ser mais amigável, pois é muito mais simples pais e filhos se sentarem em frente a um televisor e passarem algum tempo, até a partilharem o mesmo espaço, do que cada um pegar no seu aparelho e desaparecerem para os seus cantos acabando por ficarem a viver com estranhos.

Em termos de informação vão dizer que é tudo uma vergonha, mas dizem-no porque só têm a CMTV na ideia. Mas até a CMTV tem o seu mérito. É um facto que acabam por ser sempre os primeiros a chegar.

Mas dizer que a SIC NOTÍCIAS, não tem qualidade, e grande parte da TVI24, é uma desfaçatez. E depois temos, por exemplo, o 6ª às 9, na RTP com a Sandra Felgueiras. Programa de jornalismo de investigação de clara isenção e qualidade.

Não defenderei mais a minha dama. Acho que deixei bem explícito aquilo que penso e relembro que antes da internet a televisão já existia e de uma forma ou outra sempre ajudou a formar e a informar. Não sejam por isso ingratos com ela.

 

 

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