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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

01
Dez21

Maravilhoso espírito natalício


Pacotinhos de Noção

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E eis-nos então chegados à outra época do ano pela qual tudo faz sentido. Uma é o Verão, em que aquecemos a pele ao sol, torrando-a e "recarregando baterias" como tantos costumam dizer, e outra é o Natal onde aquecemos os nossos corações e aquilo que torramos é o pouco dinheiro que se vai tendo na carteira. Mas gastar para oferecer não é gastar, é investir. Investir em relações fraternas e genuínas, que serão mais fraternas e genuínas consoante o valor daquilo que se dá ou se recebe.

Por esta altura temos os aconchegantes anúncios natalícios.

Quando era miúdo havia o dos chocolates da Regina em que o "o coelhinho ia com o Pai Natal, e o palhaço, no comboio ao Circo". A casa deste anúncio aparentava ter lareira, ser quentinha, tal como ficavam os nossos corações, e a árvore de Natal era bonita e luminosa, sem lâmpadas fundidas ou a falhar, nem gatos a mandar a árvore abaixo. Havia também o anúncio "Da Minha Agenda" em que vozes de crianças cantarolavam, desejando e pedindo que "Este ano a minha prenda eu quero que seja, a Minha Agenda, a Minha Agenda..." Mas isto acabou. Não me estou a referir às agendas, que também já viram melhores dias, mas acabaram os desejos e os pedidos. Agora temos exigências e obrigações.

Tal como antes, os anúncios de Natal existem, mas de ano para ano têm perdido algum do encanto e magia. Temos uma Popota que ocupou todo o espaço que também já foi da Leopoldina, mas que a abafou por completo. O poder subiu-lhe à cabeça, o mau gosto apoderou-se da hipopótama e de ano para ano tem mostrado ser cada vez mais pindérica. Qualquer dia compra acções de um qualquer grupo de ‘media’ e passa a sentir ser dona do Mundo.

Depois temos os anúncios natalícios que apelam ao coração de forma lamechas e com frases retiradas de um qualquer livro de "coaching", vendido numa bomba de gasolina. Tratam-me por tu, mas tudo bem, é Natal e como o amor que se sente é fraterno não tem mal todos nos tratarmos como irmãos.

Por fim vou falar dos anúncios natalícios das empresas de telecomunicações, mais especificamente do lançado há cerca de duas semanas pela NOS. É o lindo anúncio do boneco de neve. Ainda não viram? Devo dizer que o meu coração bateu mais forte e as lágrimas quase me escorreram pela face.

O anúncio retrata uma família, presumivelmente de Lisboa, ou de um sítio onde normalmente não neva, mas em que a vontade da menina era a de ter um boneco de neve.

Os pais, queridos como eles só, tentam fazer um em esferovite, mas a menina não gosta, tentam em papel, mas a menina não aprova, tentam até em gelo e a filha não se coíbe de mostrar que não é o que queria, fazendo até cara feia. É então que, a determinada altura, os pais fazem uma pequena surpresa à garota, tapam-lhe os olhos, e na cena seguinte vemos a menina, toda alegre e sorridente, rodopiar junto de um boneco de neve, com os pais todos satisfeitos a verem a sua pupila com uns óculos de realidade virtual colocados, rodando no nada, fazendo figuras de tontinha.

No fim deste anúncio é sempre difícil conter as emoções, que não são muitas, mas que são fortes. Pelo menos eu penso que raiva e nojo são fortes.

Então aquilo que se quer transmitir é que por mais que um casal de pais se esforce, a pirralha nunca vai ficar satisfeita?

Querem mostrar o egoísmo de uma criança, que não considera tudo o que os pais fizeram, da melhor forma que conseguiram ou puderam,  para tentar proporcionar-lhe o sonho e o estaferminho de saias nem hesitou em fazê-los sentir mal?!

É isto que se pretende? Que a miudagem dos nossos dias só se interesse por tecnologias e aparelhos electrónicos de satisfação rápida, sendo que depois não têm paciência nem para um puzzle de 50 peças? 

Julgam que eles vão ficar mais inteligentes, por terem acesso à tecnologia, que depois lhes invade o quotidiano, as refeições e todos os momentos importantes do dia, ou vão ficar frios, desligados da humanidade e sem empatia pela sociedade, por irmãos e até pais, pura e simplesmente porque nunca quiseram nem souberam comunicar entre, e com eles? Habituaram-se a viver com a cabeça enfiada nos tablets e smartphones e aos poucos vão ficando com um cérebro empapado que de nada lhes servirá, tal foi a habituação à falta de uso do mesmo.

"Ai o Salvador ainda não sabe falar, mas já sabe jogar no tablet."

Mãe e pai, isto não significa que o Salvador é um sobredotado, significa que o jogo que o Salvador joga é básico, e que esta é a medida a que ele se vai habituar, por isso vai crescer também um básico. E quanto ao não saber falar, lamento muito, mas provavelmente é algo que vai perdurar porque para aprender a falar tem que comunicar, e os tais aparelhinhos não o permitem. Por isso é que nunca se ouviu falar tanto em terapeutas da fala como agora.

A culpa destas situações não é da publicidade. A publicidade apenas faz um retrato daquilo em que a sociedade aos poucos se transformou, e se a sociedade agora é isto, e a publicidade quer vender, é isto que nos vão oferecer.

Tempos houve em que a televisão era muito criticada por conspurcar os lares das pessoas, mas essa ao menos, ainda permitia que todos vissem um conteúdo em simultâneo, já os smartphones e tablets são aparelhos que promovem o isolamento, afastando os elementos de uma família cada vez mais e mais.

29
Out21

Apple ou Android, peguem nisto


Pacotinhos de Noção

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Aqueles que outrora eram apenas conhecidos como telefones ou telemóveis, evoluíram tanto que passaram a ser smart's. Com eles conseguimos levantar dinheiro, fazer pagamentos, usar como GPS e chamar um táxi sem sequer telefonar.

São tão desenvolvidos que já vêm com reconhecimento facial, de voz e de impressão digital. Servem até para verificar se o nosso Certificado Digital está válido ou não.

Com tanta evolução como é que ainda não incorporaram nos smartphones um "Sensor I".

Este sensor é uma tecnologia inventada pela minha cabeça, que provavelmente só nela funcionará, e que terá uma aplicação muito simples.O I refere-se a IDIOTA ou IMBECIL.

Activar-se-á automaticamente quando sentir que o telemóvel está a ser utilizado de forma idiota ou imbecil, como o próprio nome indica, e bloqueia o aparelho, sendo sempre necessária a colocação do PIN, para que volte a funcionar.

Seguem exemplos:

- Conduzir e mandar sms.

- Dar o telemóvel para a mão do filho durante uma refeição.

- Não dar atenção ao/à namorado/a, quando estão num restaurante ou numa esplanada ou na lua. Em suma, em qualquer lugar.

- Entrar num estabelecimento e encetar uma conversa com o funcionário enquanto ainda conversa ao telemóvel.

- Num jantar de família utilizar o telemóvel como consola de jogos, colocando-se assim à parte.

- Mais de 3 selfies por semana.

- Falar em público com o alta-voz ligado.

- Obrigar a que desconhecidos vejam fotos dos seus filhos, netos, animais, sem terem mostrado sequer interesse nisso.

Não dou aqui todos os exemplos pois no que diz respeito a idiotice ou imbecilidade a oferta é muita e variada. Arrisco-me até a dizer que deverá ser infinita, mas o Sensor I terá a capacidade de detectar tudo ao que o assunto diz respeito.

Mas e porque me surgiu esta ideia, perguntarão os mais interessados, inteligentes e com presença de espírito, permitam-me que o diga.

Surgiu por causa de uma visita, durante a minha hora de almoço, a um hipermercado Continente.

Já sabia o que ia comprar, já sabia quanto custava, tanto que até levei só o dinheiro necessário, e até já sabia a que caixa me haveria de dirigir. Escolhi as de self-service que, neste caso, tinham 5 disponíveis para pagamento com cartões e apenas uma que aceitava tanto dinheiro como cartões. Era para essa que deveria ir pois só, como já referi, só tinha dinheiro.

À minha frente estava um tipo na casa dos 45/50 anos que certamente não estava na sua hora de almoço, pois pressa não tinha nenhuma. Para pagar sacou do cartão e já comecei a ficar eriçado... Com tanta caixa para cartões (ainda por cima vazias) tinha que escolher a única que também dava para pagar a dinheiro?! Mas tudo bem.

Aquilo que verdadeiramente me irritou foi o facto de, depois de ter pago as suas compras e vendo que havia gente na fila da caixa a dinheiro, o imbecil e idiota, agarrou-se ao telemóvel e começou a navegar na internet.

Tentei colocar o meu fato de diplomata, dirigi-me ao infeliz e disse:

"- Peço desculpa... O senhor importa-se?"

Respondeu-me que se importava porque estava a ver os pontos no cartão Continente ao que eu respondi que se quer ver os pontos que veja, mas fora da caixa, em vez de estar ali agarrado ao telemóvel, pois eu tinha que voltar ao trabalho.

O que eu fui dizer... Quase que me ofereceu porrada por ter dito que ele estava agarrado ao telemóvel. Muito provavelmente é daqueles que acha piada a dizer que é infoexcluído e um desconhecido descobrir-lhe a careca há-de ter sido um choque demasiado grande.

A sorte foi que a situação ficou por ali, que o senhor imbecil ainda vociferou uns impropérios mas eu mantive o sangue frio e não me fui a ele, sujeito a levar algum sopapo, ou assim. Afinal de contas ele era maior do que eu.

E basicamente a minha proposta aos fabricantes de smartphones é esta.

Teria muito mais para dizer mas já é para ai a 7ª ou 8ª vez que tenho que colocar o PIN no meu telemóvel, que teima em bloquear. Não sei o que se passa, deve ser algum defeito de fabrico.

06
Jul21

Isto da evolução ainda vale?


Pacotinhos de Noção

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Eis-me aqui para abanar os alicerces da ciência, com uma nova teoria que tem a sua lógica e que só não será aceite por casmurrice.

Há cerca de 160 anos, Charles Darwin elaborou, também ele uma teoria, que quase todos conhecemos, e que é a evolução da espécie.

Esta teoria tem uma falha imensa que detectei, e em que Darwin não pensou.

Ora o cientista afirmava que nós, os humanos, somos fruto de uma constante evolução e que descendemos de primatas.

BA-LE-LAS.

Afirmo isto com convicção, porque como poderia Darwin dizer que somos uma evolução, se ele só acompanhou até ao período em que ele próprio viveu? É que desde lá para cá, o ser humano conseguiu começar a provar que a tal dita evolução estagnou e que, numa grande parte dos casos começou até a regredir, e rapidamente.

Aquilo que digo é facílimo de constatar, e caso estejam perto de uma qualquer taberna ou tasco que tenha esplanada, poderão observar como a "desevolução" tem sido acelerada. Muita da comunicação passou até a ser feita por urros, como de primatas pré-históricos se tratassem.

Uma das conquistas do nosso desenvolvimento foi a comunicação e a informação.

Saber comunicar é sinónimo de cultura, inteligência, formação e evolução.

Estar informado demonstra que somos preocupados com o presente e com o futuro e que adquirimos conhecimentos e capacidades para nos ajudarem no nosso dia-a-dia. Isto não é novidade nenhuma e toda a gente o sabe.

Acontece que se existisse uma máquina do tempo e Darwin nos visitasse, ele ia baixar os braços e dizer: "Ponho-me a inventar sem ter provas concretas, e atribuo evolução e inteligência a uma das poucas espécies que se acha única e especial e que é na verdade oca e desinteressada.

Estamos há 21 anos no século 21, e recordo-me de no final dos anos 80 pensarmos que depois do ano 2000 isto ia ser tudo futurista e evoluído... Mas não é.

Tecnologicamente evoluímos muito, é um facto, mas isso reflecte-se pouco no nosso quotidiano.

Com a internet por todo o lado e com tablets, telemóveis e computadores com acesso à mesma, não deveria ser possível que fosse possível (passo a redundância) que alguém tivesse dúvidas fosse sobre o que fosse, e não se tente esclarecer, optando antes por ser ignorante.

Há dias fizeram duas décadas desde a morte da Princesa Diana. Sei que foi já há 20 anos, mas existirem pessoas com a idade de 27, e que até já tinham 7 anos aquando do acidente em Paris e que me perguntam quem era a Princesa Diana, e que justificam a sua ignorância com um "Ah... Não era do meu tempo"...

Napoleão não é do nosso tempo, Abraham Lincoln não é do nosso tempo, Salazar, não é do nosso tempo, mas fazem parte da história que é do nosso tempo e que nunca se apaga. Muito pelo contrário. Está toda disponível para consulta gratuita e está bem dentro do nosso bolso, no telemóvel

Só continuaremos ignorantes se quisermos e o grave é que queremos.

Com esta ignorância, ainda por cima arrogante, vem ainda uma falta de desinteresse por tudo e um foco exagerado numa só tarefa que está normalmente ligada às consolas e jogos de computador.

Se a desculpa do tempo fosse sequer plausível, o correcto era nem sequer termos compêndios de história, pois tudo o que lá está escrito ficou no passado, e como tal é deitar para o lixo.

Costumava dizer-se na escola que estavam a formar os Homens do amanhã, mas aquilo que agora se vê é que algo deve ter falhado, porque os Homens já são Homens, o amanhã já é hoje e os Homens ou não estão formados ou estão mal formados.

27
Mai21

Em alto e bom som, para toda gente ouvir


Pacotinhos de Noção

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Situação passada hoje, no comboio.

Uma senhora fala ao telemóvel em alta-voz. Uma outra senhora, mais velha, pergunta-lhe se pode antes falar em modo normal, porque a incomoda ter que ouvir conversas pessoais.

A senhora pede desculpa, desliga o alta-voz e segue conversa.

Duas paragens mais à frente entram uma senhora africana, com a filha e curiosamente também a falar em alta-voz. Vai sentar-se precisamente junto da senhora mais velha.

Depois de alguns minutos, e vendo que a conversa não ia terminar tão depressa, a senhora mais velha faz o pedido que também tinha feito à outra. A senhora, que está com a filha, dando-lhe assim o exemplo correcto de como agir nestas situações, responde: "Quem está mal muda-se. Não estou a incomodar ninguém e a senhora nem ouve a minha conversa."

A senhora mais velha respondeu que já estava naquele lugar, que se sente incomodada por ter que estar a ouvir conversas privadas, que mesmo sem querer está a ouvir a conversa, tal como toda a carruagem, e que até sabe que a chamada é para a neta poder falar com a avó, e que tem que se ter consciência de não usar desta forma o alta-voz, pois se naquela carruagem todos o fizessem, ninguém conseguiria falar.

A resposta da mãe foi a mais simples de todas. Disse: "Só me está a dizer isso porque sou preta. É racista."

Eu ficaria desarmado com este murro no estômago, mas a senhora mais velha, com todo o seu sangue frio e espírito acutilante, respondeu: "Antes da senhora entrar fiz o mesmo pedido a outra menina, sem lhe ter olhado à cor da pele. E deixe-me que lhe diga que a educação não tem cor, e era isso que devia transmitir à sua filha".

O que é verdade é que a mãe há-de ter tido alguma vergonha, porque acabou por desligar o alta-voz.

Em relação ao esgrimir do argumento do racismo nem me vou pronunciar.

A senhora foi só parva e já aqui tinha referido que vai chegar a altura em que tudo acabará por ser como a história do Pedro e do Lobo. Com tanta vitimização despropositada, vai chegar uma altura em que as pessoas vão deixar de acreditar. E não estou a falar só de questões raciais. Quando há uma denúncia há que se investigar e punir o agressor quando é verdade, mas julgo que também se deve punir o denunciante quando se descobre que é mentira.

Esta questão da alta-voz, das colunas de som, do não se querer saber se estamos ou não a incomodar o próximo é mais um reflexo da falta de educação, noção e senso comum? Será que estamos todos a ficar parvos e já não conseguimos perceber que supostamente é bom "pensar fora da caixa" mas também é bom que cada um se mantenha "dentro do seu quadrado" e que tente não invadir o espaço dos outros. Mesmo em restaurantes é incómodo querer fazer uma refeição e nas mesas do lado ter grupos de pessoas que não se sabem comportar em público, proferindo asneiras em alto e bom som e rindo ou gritando, apenas porque estão muito contentes ou são muito sociais.

Parece-me uma batalha perdida porque na verdade tudo é uma questão de educação e a educação não aparece por osmose. Tem que haver um trabalho de pais, família, sistema de ensino e até da sociedade para que se evitem estas situações e até outras como a da Jéssica do Seixal, cujas agressões fizeram um rapaz correr para a frente de um carro, sendo atropelado e não morrendo por um triz.

A senhora do comboio de hoje, aquela que tinha mais idade, fez a parte dela e eu invejei não ter a capacidade que ela demonstrou de exigir que quem partilha um espaço público comigo me saiba respeitar como eu os respeito a eles.

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