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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

23
Nov21

Fernanda e o seu cancioneiro


Pacotinhos de Noção

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Ontem começaram as emissões do mais recente canal informativo em Portugal, a CNN.

Já muito se falou, já muito se brincou e já muito se comparou. Eu ainda só tive oportunidade de ver alguns minutos e, azar dos azares, foi quando Dani (ex-promessa do futebol português que passou a ex antes de concretizar a promessa) discutia futebol com José Manuel Freitas... Mais do mesmo, portanto.

Hoje a CNN continuou a ser motivo de comentários, mas não pela informação que apresentou ou pela sua grelha de programação. O motivo era o penteado da Judite de Sousa.

A minha geração não é a "woke" e irrita-me bastante toda a vitimização, falta de relativismo e ofensa fácil que estes "wokianos" gostam de propalar e, devo admitir, estava até à espera de verificar se iriam pegar em situações como a sororidade, o "body shaming" ou até esta forma de exploração da imagem feminina, usando essa mesma imagem para criticar uma jornalista já com tantos anos de carreira, gostemos nós dela ou não.

Não detectei que se tivessem abordado estes assuntos e ainda bem, confesso, não há paciência para tanta mariquice e biquinhos de pés por causa destes "wokes" e as suas redes sociais.

"Então e achas bem brincarem com o penteado/imagem da Judite de Sousa?"

Acho maravilhosamente bem. É uma figura pública, a imagem com que se brinca é aquela que ela apresentou a público, e como tal acredito que sim, que se pode brincar e até criticar. Aquilo que já não acho tão bem, são aquelas tais pessoas que defendem certos e determinados direitos e valores, mas só para alguns e em situações que lhe interessem. Isto porque uma das vozes que se fez ouvir foi a de Fernanda Câncio... Quem? Muitos conhecê-la-ão como a ex-namorada de José Sócrates que nada viu, nada soube e quando o assunto veio a lume de um modo mais assertivo, tratou de mostrar que o amor vence qualquer barreira e afirmou que "Sócrates mentiu, mentiu, mentiu e deve ser persona non grata. Mentiu até aos mais próximos levando-os a defenderem-no em público e até em privado". Se o Romeu tivesse uma destas Julietas bem que tinha batido as botas em vão... Mas voltando ao assunto em questão.

Câncio, conhecida já de outras histórias, como a de criticar Lenka e a RTP, pela exploração e objectivação do corpo feminino, ou ao se insurgir contra o modo como Dina Aguiar se despedia dos seus telespectadores com um "Até amanhã, se Deus quiser", numa televisão estatal, Estado esse que se quer laico, mas que serve uma população maioritariamente católica, veio agora fazer uma piada cheia de sororidade, no pântano que é o Twitter.

Gostava de chamar-vos à atenção de que os alvos preferidos de Fernanda são quase sempre mulheres. Curioso, não?

A piada foi muito fraquinha. Fernanda Câncio questionou porque estaria Judite de Sousa vestida de Nancy Reagan. Como disse é fraco e não ofende por aí além, até porque Nancy Reagan teve a sorte de ser a Primeira Dama de um Presidente norte-americano que por vir do mundo dos filmes ninguém esperava nada, e que aos americanos deu tudo. Deu-lhes estatuto, força económica, poder, orgulho em ser americano e ainda lhes deu uma folha de serviço imaculada, sem crimes. Muito diferente da pessoa com quem Câncio trocou juras de amor, e que muita esperança deu ao seu povo, nada de proveitoso fez, acabou por nos levar à bancarrota e o verdadeiro filme está ainda por revelar. Entre vestir-se como a Primeira Dama de um grande presidente ou a ex-namorada de um pilantra da pior espécie, quer-me parecer que Judite optou pela indumentária correcta.

Fernanda Câncio comporta-se como uma Robin dos Bosques da moral e bons costumes quando, na verdade o que gosta mesmo é da lambança e encher o papo como o Frei Tuck. Será mesmo possível que alguém com tanta perspicácia e língua viperina, ainda mais tendo formação jornalística, nunca sequer desconfiou que o menino dos seus olhos vivia acima das suas possibilidades? Que gastava dinheiro que não lhe pertenceria? 

Estas são questões bem mais pertinentes, e com resposta bem mais interessante, do que aquela que Judite de Sousa poderia dar por uma má escolha que fez, e que afinal de contas foi só de roupa, não foi de namorado. Aliás, Judite de Sousa foi casada anos com um autarca que, pelo menos até aos dias de hoje, não tem nada que se lhe aponte e que é Fernando Seara. Nem todas podem dizer o mesmo, não é?

Concluindo e falando uma vez mais na CNN.

Depois de um dia de emissão houve já despedimentos, o que para mim é escandaloso. Mandaram para rua quem penteou a Judite de Sousa, e percebe-se muito bem porquê. Mas que cabelo era aquele?

08
Nov21

Quem muitos burros toca...


Pacotinhos de Noção

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Hoje, mais do que nunca, todos têm que ter um lema, um modo de vida, uma causa para defender, mostrando o quão activos, conscienciosos e magnânimos conseguem ser.

Alguém, que como eu, defende apenas o "vive e deixa viver, sem me chatearem a cabeça" ou o "agradecia que me largassem da mão" é considerado um bandalho, ainda para mais quando tem redes sociais e não as utiliza para ser como um Jeová da defesa das causas, batendo à porta de todos e cada um, mostrando a podridão que grassa de forma galopante e que serve dois principais objectivos.

O primeiro é o da confirmação de que o Mundo está mesmo podre. Está podre não porque se come carne, se usa plástico ou combustíveis fósseis. Está podre já desde a altura em que plásticos e combustíveis ainda não existiam, e onde a carne ainda se podia comer porque não era produzida, seja de forma sustentável ou não, era apenas caçada. O motivo era, e é, a grande percentagem de humanos que apenas assim são apelidados por pertencerem a essa espécie, e não por o serem na verdadeira acepção da palavra.

O Homem para ser vil, desonesto, infame, sem nobreza de carácter, mesquinho e nojento precisa apenas de ser Homem. Não precisa de mais ferramentas nem motivos. Está-lhe na natureza e corre-lhe nas veias, poder plantar o terror e a discórdia pelos motivos mais fúteis ou mais megalómanos, não interessa. Como se percebe tenho a nossa espécie em óptima conta, a minha falta de fé no Homem é quase generalizada e só não o é totalmente porque sei que no meio de tanto lixo também há pessoas boas. São raras, são como os trevos-de-quatro-folhas que raramente se encontram, mas que existem. Não se confundam, não digo serem perfeitos, digo serem pessoas boas e sim, pessoas boas podem ser imperfeitas. Já pessoas com a mania de que são perfeitas... Essas já é mais complicado que consigam sequer chegar a menos mazinhas, quanto mais a serem boas.

E isto leva-nos ao segundo objectivo da podridão que nos rodeia e que é muito necessária. Pelo menos é-o para os visados deste segundo objectivo.

O que realmente me levou a escrever estas linhas foi uma saturação da minha paciência relativa a estas individualidades que são cheias de causas.

Por que razão o fazem, por que razão existem, por que razão têm tanta gente que os segue. As repostas a estas perguntas tenho-as para mim como verdades, mas isso não significa que realmente o sejam. De qualquer das formas, e segundo o meu ponto de vista, que sei que nalgumas vezes poderá ser demasiado crítico, aquilo que vou observando é o que vou afirmar.

As respostas às perguntas que fiz são, na verdade uma só, ou várias que se misturam e que confundem.

Visualizações, seguidores, necessidade de aparecer, necessidade de desempenhar um papel fictício que ninguém lhes atribuiu, fazer crer aos demais que eles realmente são demais e que o "eu", que defende causas, é que realmente importa e que todos deveriam ser como ele e até agradecer-lhe porque faz petições públicas via net, e partilha fotos de vítimas sejam elas humanas, animais ou vegetais.

Todos que leem agora já se terão deparado com pelo menos uma página de Instagram de alguém que até se denomina activista. Estas páginas têm como características estarem cheias de exemplos de atentados a vários direitos, como os das mulheres, dos animais, da liberdade de expressão... Tudo lutas válidas, mas que vão perdendo a validade quando se consegue perceber que o objectivo final não é o de resolver nada. Não é porque não se queira resolver, é apenas porque o objectivo final não é mesmo esse. O objectivo é o de conseguir fazer barulho para se dar nas vistas.

Sempre ouvi dizer que "quem muitos burros toca, algum deixará para trás", e aqui até nem faz mal porque não tem interesse continuar a tocar o burro. O interesse é apenas que o animal cause impacto para que depois seja partilhado, conseguindo assim mais visualizações. Hoje mostras uma petição a favor de uma menina que foi vendida num qualquer país árabe, mas amanhã já não queres saber porque, entretanto já houve um gato que foi maltratado pelos donos e amanhã há uma mulher agredida pelo namorado.

Tudo isto são divulgações com um grau de gravidade elevado e que mereceriam um acompanhamento mais passo a passo, para saber o que acabou depois por acontecer, ou não. Com este desfolhar de causas, que após mostrada se amarrota e se deita para o lixo como se fosse uma simples folha de papel, deixa-me a forte convicção, uma quase certeza, de que a força da gravidade daquilo que mostram, para eles, é apenas momentânea, quando esses mesmos casos não são de momento, são muitas das vezes perpetuados.

Aquilo que digo é também fácil de verificar por quem queira. Basta ver uma dessas páginas de Instagram e ver a periodicidade das causas que ali divulgam, e que são umas atrás das outras, e a total ausência de seguimento ou de desfecho do caso.

Depois há os que seguem estas pessoas, e que, na verdade, são apenas vampiros que querem sangue e mais sangue. São como aqueles tipos que causam trânsito porque andam muito devagar, ou até param, para conseguir ver bem o acidente que aconteceu do outro lado da estrada.

Quando há, por exemplo, a divulgação de um cobarde que bateu na mulher/namorada, na zona de comentários o que mais se vê é — "divulga a fotografia do gajo" ou "era fazer a folha ao gajo e partir-lhe os dentes todos". Nunca é "contacta de imediato as autoridades e denúncia", que seria o único gesto correcto a fazer.

Mas quando temos uma "influencer" que até fotografa ao lado do caixão do pai, e um indivíduo que achou um piadão ver uma velhota ser desfeita por um atropelamento de comboio (esta reacção assisti pessoalmente, ninguém me contou nem li em lado nenhum) que, tal como disse mais acima neste texto, a minha fé no Homem, está pelas ruas da amargura.

21
Set21

Não tenho causas por causa das causas


Pacotinhos de Noção

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Todos têm causas.

Seja a sororidade, a igualdade de género, a defesa dos animais, a sustentabilidade do planeta, a pegada ecológica ou a luta contra o uso de plástico, na verdade não interessa qual a causa que se diz que se defende, nem tão pouco se ou como se defende. É preciso é fazer muito barulho para que todos percebam que se é uma pessoa de causas.

Pois no meio de tantas causas e causinhas devo dizer que eu não sou uma pessoa de causas. Pelo menos dessas todas que estão na moda.

Motivos? Tenho vários, mas os principais são porque sou preguiçoso e se me propusesse a defender algo, certamente que teria que fazer mais do que apenas fazer partilhas em redes sociais. Defender uma causa não é feito apenas no mundo da internet.

A grande parte destes novos defensores só afirmam que o fazem porque têm de alguma forma preencher o enorme vazio que os rodeia. Um vazio que ainda por cima é moral. Não é por acaso que é na geração Z que moram a maior parte destes activistas de causas sem efeitos.

Nos anos 70 foi preciso lutar pela liberdade, nos anos 80 havia o flagelo da droga e a SIDA era uma sentença de morte, a partir dos 90 as coisas começaram a acalmar mas ainda assim os estudantes tiveram as suas lutas contra as propinas, e agora tem que se inventar alguma coisa para que não sintam que a sua existência se está a transformar num enorme nada.

 Mas depois são mais uma vez hipócritas, quando reclamam da pegada ecológica mas não abdicam das suas viagens de avião por mero lazer e capricho de poder dizer que estiveram aqui e ali. 

Quem morar perto de uma escola e de um supermercado, como comigo acontece, percebem o quão incongruente é esta geração Z, que defende como é criminoso usar plástico mas que depois o usam e até o deixam espalhado pelas ruas, quando até existem ecopontos nas imediações da escola.

Não me importo de ser apontado como alguém que não tem causas que queira defender, até porque não é verdade. As minhas causas são é minhas. Não tenho a pretensão de conseguir mudar o mundo de forma imediata. Vou, por exemplo, educando os meus filhos de forma a que sejam pessoas como devem ser e digo desde já que me parece que estou a fazer um bom trabalho. Isto aquece ou arrefece a sociedade? Para já poderá em nada alterá-la, mas se eu criar uma criança, que um dia mais tarde venha a ser um bom cidadão, julgo que a causa que escolhi para mim estará já ganha.

Ganha gostos e seguidores nas redes sociais?! Não. Mas dá-me enorme paz de espírito e satisfação pessoal.

Se me perguntarem se tenho algo contra a geração Z...

Sou um "Millenial", logo o meu estado normal é arreganhar o dente para os Z... Assim como a geração X ainda é aquela que vai patrocinando grande parte dos Millenials e dos Z's.

14
Mai21

Quem incumbiu o sermão?


Pacotinhos de Noção

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Tendo em consideração a opinião de uma mulher com quem sou casado, uma de quem sou filho e quatro de quem sou irmão, as mulheres estão fartas de ser porta estandartes para homens e movimentos que acham que defendem as mulheres, quando na verdade estão apenas a fazer o trabalho contrário, ou estão a aproveitar o facto para se tornarem apelativos ao sexo feminino. Mal comparado é como o tipo que não sabia tocar, mas que levava a viola para o liceu porque assim fazia sucesso entre as miúdas.
Há uns anos, quando uma mulher chegava a um lugar de destaque numa empresa, na boca dos outros chegava lá porque ou se deitou com a pessoa certa, porque seria filha de alguém fluente, porque era uma cabra ou porque seria efectivamente competente. Hoje em dia a única diferença, na boca dos outros, é que se adicionou mais uma opção que é, "a empresa é obrigada a ter quotas de mulheres na direcção". Isto é uma evolução? Não me parece.
As línguas viperinas vão sempre existir. Se ao invés de ser uma mulher for um tipo jovem, a meritocracia também não existirá, vai-se sempre inventar uma justificação que seja mais apelativa aos comentários maldosos. É uma característica típica do ser humano.
Estar-se sempre a defender a mulher porque é mulher, tem um efeito contrário ao que é pretendido. Tenho visto algumas mulheres a sentirem-se indignadas por terem sempre um qualquer papagaio a falar por elas, sem para isso estar abalizado.
Gostaria de falar sobre a sororidade. Sororidade é uma palavra inventada para servir de escudo a algumas mulheres que, como a grande generalidade das mulheres, fala mal das outras, mas que finge que não porque ela até defende a sororidade. As mulheres falarem umas das outras é algo de inato. Não se consegue lutar contra isso. Inato é também em mim o acto de abrir a porta a uma senhora, deixá-la passar primeiro, dar-lhe o meu lugar e tratá-la com alguma delicadeza, mas hoje em dia sei que piso terrenos pantanosos, porque ao fazê-lo poderei estar a ofender, não a mulher, mas um qualquer movimento que acha que estou a minimizar a mulher. A isto não se chama minimizar, chama-se cortesia. Cortesia essa que por acaso também tenho para com pessoas mais velhas, e nunca levei nenhuma bengalada.
Uma mulher que hoje em dia queira ficar em casa a cuidar dos filhos, que não queira entrar no mercado activo do trabalho, ou que queira ser dona de casa, é encarada como alguém que é manietada pelo marido, ou então que está a prescindir dos seus direitos, quando na verdade está no seu direito fazer ou não aquilo que entender. A sociedade ao exigir que todas as mulheres demonstrem ser realmente espectaculares, estão a colocar uma pressão desnecessária.
Estou de acordo que se defendam as mulheres fazendo leis mais punitivas nos casos de violência doméstica, que se criem apoios às mães que decidam não trabalhar para cuidar dos filhos e também que se criem condições para que as mães que querem trabalhar o possam fazer livremente, sabendo que os seus filhos estão a ser bem cuidados. Agora vitimizações e obrigações que acabam por colocar a mulher numa situação frágil, ai não estou nada de acordo e sei que muitas delas também não.
Se ao lerem estas linhas acharem que não respeito as mulheres, que sou misógino ou machista, então lamento. Não por aquilo que pensam, mas porque não consegui fazer passar a minha opinião correctamente. Mas mais uma vez sublinho, as mulheres têm voz activa. Não precisam de quem acha que deve falar por elas.

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