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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

04
Jul22

Tanto talento, e nenhum na TV


Pacotinhos de Noção

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Acabaram hoje os Ídolos... Finalmente.

O "Uma Canção para ti ainda não acabou... Infelizmente.

Para começar, e justificar a imagem que emoldura o texto, gostaria de referir que a maneira como os apresentadores, e até dos júris, são vestidos, define bem estes programas. Uma parolada. Joana Marques, o Elvis manda dizer que quer a roupa de volta.

Não aprecio especialmente estes "talent show" mas também não penso que devem deixar de existir. Defini-los como "talent show", quando o talento é algo que por ali não passa, é que já me parece demasiado.

Portugal é um país pequenino, é natural que não consiga produzir um Paul Potts ou uma Susan Boyle, mas a verdade é que mesmo que aparecesse alguém do mesmo género destes dois, dificilmente iriam ganhar, porque não teriam "star quality", e porque não se encaixam no estilo "pop" que a parolice portuguesa tanto procura.

Os Ídolos já tiveram várias temporadas, Nuno Norte, Sérgio Lucas, Filipe Pinto, Sandra Pereira, Diogo Piçarra e João Couto foram os anteriores vencedores. Fora Diogo Piçarra, nenhum dos outros alcançou uma carreira de sucesso.

Existem alguns participantes que ficaram conhecidos, como a Luciana Abreu, Salvador Sobral ou a Carolina Torres. Tudo pessoas que, me parece, ficam a dever tanto para o mundo da música, como para a sanidade mental, ou educação, como recentemente Carolina Torres mostrou, ao abandonar, de forma prematura, o palco dos Ídolos, para o qual foi convidada. Quem vier com o argumento de que o Salvador Sobral ganhou a Eurovisão, chamo só a atenção de que este ano ganhou a Ucrânia, porque está em guerra, não tem nada que ver com música, já ganhou uma mulher barbuda, ou um barbudo vestido de mulher, e uma tipa vestida de galinha, só por ser israelita.

Voltando, e terminando o assunto "Ídolos", gostaria só de sublinhar que os jurados perdem toda e qualquer credibilidade, quando no lote de finalistas existem vozes paupérrimas, mas ainda assim todos os júris se desfazem em elogios. Posso apenas ser eu que sou duro de ouvido, mas há casos bastante evidentes de participantes que nem em karaokes se safariam.

O caso do "Uma Canção para ti" já é diferente.

A qualidade continua a ser nula, os jurados são 50% de elementos que não percebem nada de música, por muito que o Manuel Luís Goucha defenda a Rita Pereira, arranjando justificação para o facto de ela ali estar, e acho também uma certa piada que elementos do PAN façam burburinho pela exploração de animais para entretenimento popular, mas que não façam chegar nenhuma queixa junto das autoridades, pelo facto de às 00:30 haver miúdos nas cantorias da TVI. Apenas falo nisto devido à falta de coerência, e porque de facto a TVI ganha bom dinheiro com o uso destas crianças. Isto só acontece porque há imensas pessoas a assistir ao programa, pessoas que elevam a voz para reclamar o direito de tudo e mais um pouco, mas ver os meninos a cantar, até tão tarde, dá-lhes alegria.

Sinceramente falando, faz-me confusão a mim? Sim, faz alguma. Nem tanto pelos miúdos ou pelo programa, porque os miúdos até se deverão estar a divertir, e o programa cumpre a sua função que é a de tentar entreter as pessoas em casa, mas não tiro da cabeça que por detrás de cada uma daquelas crianças poderão estar uns pais, para quem faz sentido que os filhos fiquem a cantar até de madrugada, apenas porque assim podem vir a ter uma carreira... Não sei porquê, mas só me consigo lembrar dos pais do Saúl Ricardo.

Só mais uma pequena curiosidade, que reparei agora, enquanto acabo este texto.

A SIC está a transmitir o concerto da Anitta, no Rock in Rio, o que confirma que saber cantar não é o critério por eles escolhido, para hoje aparecer na televisão.

24
Abr22

Pensava que foi um sonho mau


Pacotinhos de Noção

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Não falei deste assunto durante a semana porque o que de facto aconteceu foi o seguinte. No Sábado passado adormeci em frente à televisão, e então tive um sonho horrível, que passarei a contar...

Era um estúdio escuro, com a Pipoca mais Doce e o Gilmário Vemba, a tentarem apresentar algo parecido com um programa de humor, mas de forma muito atabalhoada. Chamavam dois convidados que debitavam depois piadas escritas por miúdos de uma qualquer escola C+S, em que a coisa mais engraçada seria algo como "És cocó!" ou um "Avisa a tua mãe que me esqueci das cuecas na mesinha de cabeceira".

Depois havia 3 jurados. Um árbitro com um cabelo ridículo, uma tipa que julga que o abecedário são só as vogais, e metade d"Os Homens da Luta". Aquele que luta para manter a cabeça à tona no mundo do audiovisual.

Sofri muito, até suores frios tive, mas depois fui dormir, acordei e troquei os lençóis por ter molhado a cama, tal foi o medo que tive deste sonho macabro.

Eis senão quando, hoje mudo para a TVI e verifico que afinal aquilo não foi apenas um sonho mau. Aconteceu mesmo e hoje tornou a ir para o ar esta xaropada do Betclic Mano a Mano. Nada mais a propósito ser uma empresa de apostas a patrocinar, porque eu apostava que isto não vai conseguir transmitir todos os programas que tencionavam gravar... É que é tudo péssimo, claramente mau. Insistir neste erro é como um tipo que quer martelar um prego, mas sofre de astigmatismo, martelando assim sempre o dedo. Ele sabe que o desfecho é sempre o mesmo, não tem como fugir, mas ainda assim vai martelar de novo.

Algo que se pode fazer com este Betclic Mano a Mano, é compará-lo aquele tio inconveniente, que foi a uma festa de malta mais nova, e em que decide dançar e ser o centro da festa. Não tem ritmo, não tem piada e teríamos ficado bem mais felizes se não tivesse vindo.

Não sei quem foi a mente iluminada que decidiu o parto deste programa, mas nasceu cheio de problemas, e pau que nasce torto...

13
Abr22

Da Marie, corri


Pacotinhos de Noção

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Há uns tempos saiu da casa do Big Brother uma miúda que me fazia lembrar a boneca Emília, do Sítio do Pica Pau Amarelo.

Não sei se era boa ou má concorrente porque não tenho seguido o programa. Comecei por ver a primeira edição, com o Bruno de Carvalho, mas cansei-me rápido. Esta segunda não tenho acompanhado de todo, mas não vivo debaixo de uma pedra, e como tal vou ficando a saber de uma ou outra polémica, de um ou outro assunto.

Ao que parece esta excêntrica menina não fazia a depilação, vestia umas roupas esquisitas, tinha um estilo próprio, e como tal já era quase um ícone.

Depois que saiu foi quando "vi" mais barulho. Afirmavam ser uma pena ter saído porque era uma pessoa genuína, que mostrava aos jovens que não faz mal ser diferente. E não faz, mas vamos por partes.

Andaram as mulheres anos a fio a chatear a cabeça aos homens, de que pareciam uns macacos peludos e que tinham que resolver o assunto. Agora que grande parte deles, entre idas ao ginásio e batidos de proteínas, fazem a sua depilaçãozita total, parecendo depois autênticos Nenucos musculados, o mulherio decide que afinal o que está bem é deixar crescer as pilosidades.

Nada contra ou a favor, cada um, deixa crescer os pêlos que quiser. 

Eu pessoalmente não gosto de ver uma mulher cheia de pêlos, e dizendo isto posso ser acusado de masculinidade tóxica quando, curiosamente, se uma mulher afirma não gostar de um homem de bigode, o facto será apenas catalogado como "uma questão de gosto".

Em relação às roupas que a menina veste, não se iludam. Seria original se aquilo fosse ideia dela, mas, na verdade, existe uma marca que a veste e, pasmem-se, não é nada barata. O Carnaval já passou, mas caso tenham interesse então é visitar a loja "A outra face da Lua".

Estarei agora a ser mauzinho? Se calhar, mas não mais que todos aqueles que criticam o José Castelo Branco, por também ser uma pessoa excêntrica. Coerência, meus caros, coerência.

Valter Hugo Mãe, um dos supostos pensadores da actualidade, também se deixou levar por esta rede de marketing da coitadinha que é diferente e ostracizada, devendo assim servir de exemplo para uma geração. No seu texto, "A Marie da Estela", publicado no Notícias Magazine, afirma que Marie é necessária por fugir ao estilo padronizado que se tem reproduzido graças às redes sociais, imputando maiores responsabilidades ao Tik Tok, ignorando assim que Marie é precisamente um produto Tik Tok e YouTube.

Marie não é diferente de tantos outros que hoje em dia inundam essas mesmas redes, ganhando a vida como "influencers" e que, eles sim, pretendem padronizar toda uma geração, e até o estão a conseguir.

Perdendo alguns minutos, e vagueando pelas redes, encontramos vários exemplos de "Maries" que têm em comum vestirem-se de forma diferente, que acaba por ser igual, fazerem-se de burrinhas para haver a percepção de que são muito inocentes, e passar uma mensagem que parecendo que é diferente, não o é.

Para Marie e os seus seguidores era importante afirmar que uma mulher pode ser feliz deixando crescer os seus pêlos, e se existir alguém que queira difundir uma opinião diferente desta, é porque se curva perante uma sociedade supérflua e fútil, que apenas olha para o visual e não para o interior de cada um... Mas atenção, isto é uma contradição enorme. Marie é apenas visual. Marie não passou a sua mensagem envergando umas calças de ganga e uma t-shirt branca. Ela fez como os Caricas, amigos do Panda, que para chamar a atenção da pequenada usam cores espampanantes, mas aqui as crianças já são um bocadinho maiores e deveriam perceber quando são feitos de tolos.

Na essência não sei se a ex-concorrente do Big Brother é ou não boa pessoa, e não é isso que vem ao caso, aquilo que interessa perceber é que de burra não tem nada. Criou uma personagem, que no Tik Tok e YouTube é apenas mais uma, contudo teve a sorte, e também mérito, de ser chamada para um programa que atinge um público alvo em que para eles Marie é novidade.

Que ganhos terá ela com isto? Recordo novamente que a menina é "influencer", vive dos seguidores das suas redes sociais.

Afirmo no título que "Da Marie, corri" por, primeiro ser uma boa alusão a Marie Curie, e depois porque destas criações de redes sociais fujo a sete pés. Sou alguém de miolo um pouco mole, completamente influenciável, e amanhã posso decidir deixar de me depilar e começar a usar brilhantes nos dentes, e numa rapariga jovem a coisa até passa despercebida, agora num homem feito, poderá apenas ser esquisito. Ou então não, e se me fizer de burrinho até posso angariar uma legião de fãs. É um caso a pensar.

Para terminar, e caso sintam mesmo muita necessidade de encontrar alguém diferente na casa do Big Brother, posso dar-vos dois exemplos.

Temos Marco Costa, que sendo um produto deste género de programas, e em que ninguém dava nada por ele, aproveitou a mediatização para evoluir naquilo com que sempre trabalhou, e hoje tem a sua rede de pastelarias, mostrando que o título de "bronco" que lhe imputavam, não é mais forte do que o título de "sucesso" que acaba por alcançar. Podemos gostar ou não do tipo, mas temos de dar-lhe valor.

E que dizer acerca de outro concorrente, o Chef Fernando Semedo, cuja história agora foi divulgada. Viveu na miséria, num bairro de lata com casas de paredes descascadas. Viu-se sozinho com os irmãos após ver a mãe ser presa e terem sido abandonados pelo pai. Era uma história que teria tudo para dar errado e os exemplos mostram-nos que normalmente dá, mas Fernando sentiu que a vida tinha algo mais para lhe dar e hoje não é o Nando que arruma carros ou que já passou pela esquadra... É o Chef Fernando. Parabéns por isso e que sirva de exemplo para muitos.

16
Fev22

Carta escancarada para Bruno de Carvalho


Pacotinhos de Noção

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Caro Bruno,

 

Após a carta aberta escrita por uma activista cuja maior actividade é fazer barulho no Instagram, a Francisca Magalhães Barros, da Carolina Deslandes e a Mariana Mortágua te apontarem o dedo sem qualquer tipo de vergonhas ou pudor, e a Pipoca Mais Doce e o Flávio Furtado terem tido o despautério de terem dado as suas opiniões como se fossem pagos para isso, resolvi escrever esta carta que mais que aberta é escancarada, pois, é um rascunho que não tem medo de ir contra a corrente daquilo que a maior parte da sociedade portuguesa teima hoje em afirmar, e que são os teus alegados crimes de abuso sobre a Liliana.

Tenho que admitir que te dirijo hoje esta minuta com um pouco mais de conhecimento de causa, não porque tenha andado para trás na box ou, porque tenha feito uma aprofundada pesquisa, mas sim por ouvir o Extremamente Desagradável, da Joana Marques, em que foi reunido um maravilhoso "Besta Off" dos grandes laivos de amor que foste tendo ao longo da tua estadia no programa.

Sendo assim aproveito para te pedir desculpa em nome da Carolina, da Mariana e de todos quem, injustamente, te acusaram de seres criminoso quando, afinal, eras apenas uma vítima.

Sim, eu sei que esta minha afirmação não será a mais agradável de se ler por aqueles que te querem mal, mas tenho certeza que todos concordarão comigo quando digo ser passível de acção criminal toda e qualquer pessoa que dê início a um relacionamento amoroso com um indivíduo que claramente padece de uma forte desvantagem mental. Aliás, esta discussão gerou-se toda à volta do assunto da violência doméstica quando, na verdade, se devia ter focado antes noutro assunto muito actual que é a falta de saúde mental.

E é com isto que estou preocupado Bruno. Preocupa-me muito a tua saúde mental, que ao que parece nunca foi muita, mas que está agora pelas ruas da amargura.

A tua saúde está doente, pinga do nariz e não tem lenços com que se assoar.

Um ponto que o demonstra é a fraca capacidade de discernimento em distinguir entre alguém que está apaixonado por ti e alguém que precisa de se aguentar dentro de um programa de televisão e que para isso aproveita o primeiro patego que lhe aparece para fazer de par romântico. Poderia tentar justificar que te deixaste engabelar por teres falta de amor-próprio, mas estaria a mentir, porque amor-próprio é algo que não te falta. Só isso justifica pensares que alguém, que cá fora tinha um relacionamento lésbico, com todas as lutas que isso significa e que hoje ainda se tem que travar na sociedade, para viver esse mesmo amor, ia deitar tudo cano abaixo só pelos teus lindos olhos e o teu magnífico romantismo, vomitado pela tua maviosa voz. É atitude de herói, tenho que reconhecer, herói esse que admito até que possas ser. Para mim tu és o Hulk. És verde, descontrolado e quando falas não se percebe nada... Uns calções roxos e podias até ir fazer parelha com os outros Vingadores.

Para terminar queria fazer menção a alguns "prints" que circulam pelas redes sociais, em que se lê o quão bem te defendes quando alguém te ataca de forma vil e despropositada. Vi aquele giríssimo da senhora que te aconselha a procurar ajuda psiquiatra e em que o meu querido Bruno, simpático, cortês e prestável como só tu sabes ser, perguntas à senhora qual o tamanho de dildo prefere que lhe dês, se o S, M ou L.

Ao ler isto fiquei com dúvidas nalgumas coisas. A primeira é porque é que tens uma colecção de dildos tão impressionante, e a segunda é porque é que omitiste o dildo XL e o XXL? Não estarás aqui a ser um pouco invejoso, ao querê-los só para ti?

E pronto, haveria muito mais para dizer, mas não tenho tempo.

Espero que leias esta carta com todo o amor e carinho com que a escrevi, e que ela te encontre bem, pelo menos fisicamente, porque mentalmente sabemos que a coisa já viu melhores dias.

Forte abraço e por este abraço não precisas de dizer que me amas.

13
Fev22

Maluco Tristeza


Pacotinhos de Noção

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Que era maluco já todos sabíamos, mas nos últimos dias têm chovido comentários e posts nas redes sociais, principalmente no Instagram, a afirmar que Bruno de Carvalho pratica violência doméstica para com a Liliana.

Para se conseguir mais umas quantas partilhas até se fazem cartas abertas ridículas para a TVI. E considero ridículas porquê?

Porque se realmente o tipo tem sido abusivo, e uma vez que o faz em televisão nacional, as meninas Carolina Deslandes e  Francisca Magalhães Barros (e sendo uma figura pública e a outra auto intitulada activista) a coisa certa que têm a fazer, em vez de cartas abertas bacocas e partilhas de vídeo que em nada adiantam, seria apresentarem uma queixa formal na esquadra mais próxima delas, contra Bruno de Carvalho. Afinal de contas violência doméstica é crime público.

Se querem saber a minha opinião digo-vos que é um comportamento abusivo, que a Liliana como mulher que se afirma como empoderada deveria fazer com que acabasse. Não estamos a falar de alguém que possa vir a ter repercussões, porque se há sítio onde pode mandar Bruno de Carvalho à fava, esse sítio será no próprio programa. Não lhe faltam testemunhas e até quem a proteja. Não é uma situação semelhante à de uma mulher que tenha que conviver entre quatro paredes só com o marido, sem ter ninguém que a ajude.

Mas às duas "activistas" sugiro esse passo.

Ajudam uma mulher, punem o agressor e ficam com o sentimento de dever cumprido...

Poderão é não conseguir tantos gostos, partilhas e serem trends.

03
Nov21

Cambada de "coninhas"


Pacotinhos de Noção

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Volto hoje a falar do Big Brother.

Este programa, por quase ninguém visto, continua de certa forma a dar audiências, e o que é um facto é que quando algo de mais marcante acontece todos ficamos a saber e acaba quase toda a gente também por comentar, porque sabemos que havemos de conseguir, nem que seja uma raspa no fundo do tacho do "sururu" que foi criado. É o meu caso aqui, que gosto de escrever mas também gosto que leiam o que escrevo, e por isso tento sempre estar em cima da onda da actualidade, e é também o caso do Bruno Nogueira, por exemplo, que também não gostando do formato, sabe disto que acabei de referir e acabou por se debruçar sobre o grave assunto do qual todos falam.

Mas será que foi assim tão grave?

Resumidamente conto-vos o que se passou.

Um concorrente afirmou ter tido já um contacto sexual com a namorada que fez na casa. Isto sem que ela se tenha apercebido, nem sequer consentido. Este foi o rastilho para que de repente estivéssemos no meio do incêndio de Roma, e o Nero que o ateou foi a própria produção. É fácil de perceber porquê. O formato vai ficando cada vez mais esgotado e há que aproveitar cada pisadela em ramo verde que um concorrente possa cometer. Desta forma podem ralhar, punir, causar polémica e burburinho chegando até a humilhar os concorrentes, mas não faz mal porque neste caso o "falem mal mas falem de mim" é o lema preferido e a exploração de situações que se possam tornar virais são aquilo que interessa. Prova disso mesmo foi a suposta queda do Eduardo Madeira para a piscina, no programa da Cristina Ferreira que, mesmo o Eduardo Madeira esforçando-se, deu para perceber como foi uma encenação muito mal executada.

Há uns anos uma boa desculpa, para quem via o Big Brother, era a de que viam como um fenómeno ou um estudo sociológico. Ninguém admitia que era porque gostava de assistir a um bate boca, cusquice ou peixeirada, ou até um ameaço de bofetada.

Nos dias de hoje esse fenómeno ou estudo sociológico continua a ser muito válido. De facto passou até a ter o dobro da validade, porque fazemos o estudo sociológico dos concorrentes que estão dentro da casa e fazemos o mesmo estudo do público que os segue.

As conclusões que se poderá tirar do estudo são que no primeiro Big Brother tínhamos concorrentes com o 9ºano, o 12º e homens da tropa. Chateavam-se, davam até pontapés uns nos outros mas dava perceber que eram na sua essência genuínos e que nem sabiam bem ao que iam. Agora temos na sua maioria licenciados, mas que pouco ou nada trabalharam, não fazem ideia de como se faz seja aquilo que for (achava piada pedirem-lhes para construir um galinheiro como fizeram com o Zé Maria) e têm a capacidade de argumentação de um maple do IKEA.

Capacidade de argumentação que poderia ter sido útil ao concorrente visado nesta polémica porque fui ver as imagens e aquilo que vi foi apenas uma piada, uma brincadeira.

A única pessoa que vi defender este ponto de vista, sem medo de colocar todos os pontos nos i's, foi o Flávio Furtado, que trabalhando até dentro do formato, não teve pudores de dizer aquilo que realmente pensa, não se vergando ao peso das audiências e das redes sociais.

Só quem esteja de má-fé, ou que queira muito pontos de audiência de forma muito badalhoca, é que pode agarrar neste contexto e dizer que o que se passou é uma vergonha, um crime, um abuso do homem pela mulher...

Tudo isto é demagogia barata. Aquela mesma demagogia utilizada pelo CHEGA e que supostamente tanto asco causa a tanta gente mas que afinal de contas até é bastante simples de usar, apenas e só porque a hipocrisia é a nota dominante.

O que nos leva ao estudo sociológico do "públicuzinho".

Estão todos transformados numa cambada de coninhas. Hoje em dia não se pode brincar com isto ou com aquilo, é uma ofensa, estão na televisão e têm que dar o exemplo... Deixem-se de tretas.

Pode-se e deve-se brincar com tudo. Não há limites para o humor. Há é os limitados sem humor, mas isso já é problema deles, por isso deixem-se ficar desse lado do monitor e vomitem as opiniões que quiserem mas pensem primeiro se valerá mesmo a pena. É que ao criarem essas opiniões pré-fabricadas vão apenas ser mais um bode naquele rebanho que tanto desdenham e ao qual imputam a pertença de indivíduos que pensam de maneira diferente da vossa, sem perceberem que por pensarem de maneira diferente de vós estão a demonstrar que afinal do rebanho não conhecem nem o pastor.

Ser uma ofensa é outro problema do receptor da mensagem que o programa possa passar. Quando alguém se vira para vocês e diz "És uma trampa", isso sim é uma ofensa, mas sentirem-se ofendidos por algo que passa na televisão é o mesmo que sentiam os inquisidores para justificar a queima das bruxas e das adúlteras, e a PIDE, para justificar o uso desenfreado do lápis azul. E felizmente, nos dias de hoje, mesmo que queiram usar o lápis azul, eu tenho a liberdade de sugerir que enfiem o lápis azul num sítio onde o sol não brilha, porque já não há pachorra para estes inquisidores de redes sociais, que não tiram os seus rabos suados da frente dos computadores e cuja coisa mais próxima de actividade física que praticam é vestir o fato de treino surrado que lhes serve de pijama, dia após dia, sem sequer lavar.

Querer também que a televisão sirva de exemplo é, mais uma vez, demitirem-se de toda e qualquer responsabilidade que têm para com a sociedade. A televisão é entretenimento e nela poderá, e deverá até, vir incluída cultura, regras de convivência e de cidadania... Mas poderá não vir, e se não vier o exemplo que os vossos filhos, caso tenham, devem seguir não é nunca o da televisão, é o exemplo dos pais, e o exemplo que eles vão seguir é o de alguém que, vivendo num país próximo da bancarrota, em que tudo aumenta, com um SNS deficitário (ao contrário do que nos querem fazer crer) e com políticos e governantes que mostram que a corrupção vai sendo a norma e não a excepção, se vai indignar com aquilo que um idiota que se fechou numa casa com outros 15 idiotas, para ser filmado para ser visto por algumas centenas de milhares de idiotas, disse. Belo exemplo para os garotos, sim senhor.

Para terminar, e fazendo também a minha análise sociológica, elaborando uma teoria rebuscada, a ideia que me dá é que a época em que vivemos está de barriguinha cheia.

Depois das Guerras Mundiais, as sociedades levaram o seu tempo para se restruturarem novamente, quer economicamente quer em valores morais e em convivência na sociedade. Como passaram por momentos traumáticos e como tinham mais em que pensar, os assuntos considerados menores nem sequer eram abordados. Só se perdia tempo com o que era essencial. Aqui tivemos uma ditadura e a Guerra do Ultramar e depois uma revolução que nos deu a liberdade, mas que nos tempos iniciais andou ali aos soluços e que sofria com várias instabilidades. Os anos foram passando e hoje somos filhos e somos netos de uma revolução, de uma ditadura e de guerras que vão ficando cada vez mais distantes e esquecidas. Isto leva-nos a um vazio de ideais e de convicções que sejam realmente importantes, o que nos leva também a que sejamos uns palonços que poderiam até tentar lutar contra algo maior que eles e que poderia levar a mudanças, mas ser-se inoperante já está tão vincado e passou a ser tão confortável que as lutas que se escolhe são aquelas que se apanham na televisão ou nas redes sociais e que não exijam grande coisa de nós, além de mandar uns bitaites como, por exemplo, acabei eu de fazer por aqui.

20
Out21

Joana Marques, sua Liliputiana


Pacotinhos de Noção

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Num anterior post intitulado "A estupidez deixa-me estúpido", já tinha enaltecido a capacidade da Joana Marques se rir com a estupidez que nos inunda diariamente, quer na rua, no trabalho e até em casa, mais concretamente ao fim-de-semana à tarde, se tivermos a infeliz ideia de assistir à programação dos canais privados generalistas.

Ao Sábado temos na TVI o "Em Família", com o Rúben Rua.

Considerar que estamos em família até que faz sentido, pois todos temos pelo menos um membro familiar que é sem noção, sem talento e que ainda por cima tem uma enorme falta de sentido de humor. Algo que é também natural pois é defendido que o sentido de humor é uma característica de quem tenha inteligência. Se isto é verdade ou não, não sei, porque nunca achei piada a este tipo de estudos.

Ao Domingos temos o Domingão, com os tripulantes do camião TIR, Luciana e Emanuel.

Uma curiosidade. Já repararam que para a palavra ALUCINADA basta apenas adicionar as letras A e D a LUCIANA, e que em inglês adicionar é ADD. Tem mais um D do que o necessário mas acaba por fazer sentido. O D que sobra do "alucinada" de Luciana pode bem ser entregue ao Emanuel, uma vez que também ele anda ali, em cima do camião, todo alucinado. Estou em crer que possa ser consequência da inalação dos gases de escape da viatura, mas não sei.

Mas o que une Joana Marques, Rúben Rua e Luciana Abreu? A maior parte dos leitores já saberá, até porque quase toda a gente ouve o Extremamente Desagradável, mas eu resumo.

A Joana brincou com uma entrevista parola que o Rúben Rua deu na Rádio Comercial, em que se o modelo/apresentador/namorado da Cristina tivesse o mínimo de noção, fazia-se de morto ou então fingia ter achado piada de tão ridícula que realmente foi essa entrevista. Nela deu para perceber que ele não se acha a última bolacha do pacote, ele é o pacote todo. Vazio, mas é o pacote.

Mas não. Rúben Rua quis demonstrar o quão eloquente conseguiria ser na resposta à humorista, e a ideia que dá é que queria fazer piada com a pouca altura da Joana Marques. Pesquisou "altura" no Google e apareceu-lhe uma explicação da Wikipédia sobre a densidade do ar e ele copiou a parte em que se falava de altura fazendo com que o que escreveu tenha sido uma salgalhada que mistura os limites da comédia, com educação e densidade do ar. Um fartote, digo-vos eu.

Menos discreta acabou por ser aquela que poderia ser considerada a vuvuzela do canal de Carnaxide, Luciana Abreu.

É sabido que a antiga Floribella não nutre grande simpatia pela animadora das manhãs da Renascença, e aproveitou a oportunidade para enviar um recadinho bem endereçado mas sem destinatário explícito, mas que todos perceberam que era a Joana. Até a própria. Deu para perceber porque mais uma vez os pontos comuns com Rúben foram os de que não podem ser ultrapassados os limites do humor, que não se pode brincar com tudo e com todos e, mais importante, indirectas à altura da mulher do quase gigante, Daniel Leitão.

Tanto o Rúben Rua como a Luciana Abreu, são exactamente o tipo de virgens ofendidas que gritariam aos quatro ventos terem sido vítimas de "body shaming", caso alguém fizesse menção a alguma característica física fora do normal da qual pudessem padecer. No entanto é essa a arma que preferiram utilizar... Mas é normal, este é o tipo de arma utilizada pelos ignorantes mas se realmente quisessem ofender a Joana Marques de maneira vincada, mas subtil ao mesmo tempo e em que até fariam o brilharete de mostrar que leram o livro "As Viagens de Gulliver", sem terem tido uma síncope. Poderiam ofender ao dizer que ela era uma "Liliputiana". Ofendiam pela pequena estatura característica dos liliputianos e depois ofendiam também pela fonética "putiana" que não significa nada, mas que reporta logo a algo bem mais ofensivo, se é que me faço entender.

15
Set21

Livre de dar opinião, se for permitido


Pacotinhos de Noção

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Não gosto de nêsperas nem de nespereiras.

A nêspera é demasiado doce, mas ao mesmo tempo meio borrachona. Já a nespereira teima em dar abundantemente um fruto do qual não gosto, e só para me afrontar ainda os deixa cair quando estão maduros.O que acontece depois é ver as formigas todas atarefadas, atropelando-se umas às outras, famintas pelo pedaço e pelo açúcar, da nêspera de que não gosto, mas que lhes proverá o alimento do Inverno rigoroso.

Está corrida desenfreada das formigas, ilustra perfeitamente aquilo que hoje aconteceu na internet. Por muita volta que se dê, acaba sempre por aparecer a notícia de que o Quintino Aires foi dispensado, de que fez comentários homofóbicos e que devia ser queimado na fogueira.

Tudo bem, esta parte da fogueira inventei, mas pouco falta.

Vou já sublinhar que não suporto o Quintino. Não o conheço pessoalmente, nunca me fez mal algum, mas de todas as vezes que lhe ouvi a voz senti que a minha fraca opinião acerca da psicologia tem um fundamento bastante válido. Bem sei que não é uma ciência exacta mas é um facto que tem bases. Essas bases perdem alguma sustentabilidade porque existem diferentes pontos de vista e várias vertentes, o que a mim me dá a percepção (pode até ser errada) de que ser psicologo mais não é do que debitar as suas opiniões, por mais ridículas que possam ser. O Quintino Aires, para mim, é a prova viva do que acabo de dizer. Ele é pago para dar a sua opinião, e podendo ser ridículo ele aproveita e é.

Podemos ou não concordar com aquilo que disse. Eu, por exemplo, também não acho piada às marchas de orgulho LGBT. Acho que com estas marchas folclóricas, ao invés de estarem a agir com a normalidade que se ser homossexual ou heterossexual deverá ter, estão apenas a querer criar um nicho, mostrando que só eles percebem o que é ser-se ou não LGBT. E estão certos, só eles é que deverão perceber. Eu, que não sou, não tenho interesse nenhum em saber. A minha mentalidade não foi mudada por qualquer marcha que tenha visto ou em que tenha participado, até porque a minha mentalidade não mudou.

Para mim, que sou heterossexual, faz todo o sentido que o homem se junte com uma mulher, mas para mim, que sou heterossexual, também faz todo o sentido que o Joaquim se junte com o Manuel, porque se amam. São dois homens!? Tudo bem, não me faz qualquer espécie, mas isto foi acontecendo no meu âmago, porque sim. Não foi nenhum panfleto, não foi nenhuma marcha, não foi o Brokeback Mountain. Foi o não querer saber, porque realmente não quero. Cada um ama quem quiser, e respeito isso.

No meio disto tudo o que me causa algum repúdio é, mais uma fez, esta política de cancelamento, de amordaçar e quase esventrar publicamente quem tem uma opinião que, ou não é politicamente correcta, ou não respeita a normalidade que as redes sociais instituíram.

Os movimentos LGBT lutam pela sua liberdade, pelos seus direitos mas são os primeiros a tentar acorrentar e a desprezar alguém que pensa e sente diferente.

O Quintino Aires não incitou ao ódio, expressou uma opinião macaca e descabida na óptica da maioria, mas é apenas a sua opinião. Foi pago para isso, sabe que ser polémico gera audiência, barulho e potenciais clientes, mas esqueceu-se que estamos a viver numa época de virgens ofendidas, que querendo usufruir das suas liberdades não querem permitir que os outros também as tenham, porque lhes podem beliscar o orgulho.

Falando em liberdade alguém argumentará que a liberdade de alguém termina quando começa a do outro. Mas e se a liberdade do outro for mais invasiva do que a minha? Quem define o tamanho da liberdade de quem?

Comecei com uma analogia, meio que inserida a martelo, e vou acabar com outra.

Sinto que actualmente voltámos à época das arenas romanas, em que a populaça, para se sentir um bocadinho menos excrementosa daquilo que era, fazia questão de querer que alguém sofresse, quase sempre até à morte. Dava-lhes gozo imaginar que o desfecho se devia àquilo que decidiam, quando de facto esse poder não lhes cabia. Apenas se regozijavam porque existia alguém, naquele momento, para quem conseguiam canalizar as suas frustrações.

Não sou psicólogo, mas também sei inventar.

 

07
Set21

O alheamento do Miguel


Pacotinhos de Noção

Momento-da-entrevista-de-Sousa-Tavares-a-Costa-queNuma entrevista ao Primeiro-ministro, onde foram dadas tantas voltas para não recebermos nenhuma informação relevante, e em que se ficou a perceber que aos olhos de António Costa, Paulo Rangel será o mais provável sucessor de Rui Rio (calha bem, depois do que escrevi ontem) a populaça apenas se cativou pelos 2700 euros do primeiro emprego do jovem, que Miguel Sousa Tavares há-de ter sido.

Devo dizer que Miguel Sousa Tavares desperta em mim algo de bonito, uma vez que cada vez que abre a boca a única coisa que me vêm à cabeça é a frase "Estás bonito, estás". A culpa é da TVI que o coloca aquela hora, em que provavelmente já vai jantado e bem regado. Mas os bêbedos também podem ter voz activa, mesmo que a voz pareça mais o coaxar de um sapo. Mas é deixá-lo coaxar... falar, digo.

Ainda assim queria sublinhar que, e lamento se realmente eu estiver certo e a maior parte do pessoal estiver apenas a utilizar este exemplo porque de resto nada conseguiram tirar da entrevista, o Miguel Sousa Tavares fez o chamado de "supondo que".

"Supondo que" um jovem no primeiro emprego ganha 2700€, é um "supondo que" parvo, estúpido e irreal, porque se um jovem conseguir no primeiro emprego chegar aos 700€, não estará no bom caminho mas estará no caminho habitual no nosso país. E sim, estou a falar de pessoal licenciado. Hoje há pessoal licenciado que começa por ganhar muito próximo do salário mínimo nacional, e se querem querem, se não querem metam-se num avião e vão trabalhar no estrangeiro, onde por pouco que sejam mais valorizados, ainda assim são-no mais do que aqui. Conheço muitos casos assim, que não estão felizes pois prefeririam estar em casa, junto dos seus, mas que se recusam a ser gozados no seu recibo de vencimento.

Esta realidade não é só culpa das entidades patronais, que por cada funcionário que têm pagam uma batelada de dinheiro ao Estado, que vai ainda buscar outra batelada ao vencimento de quem trabalha. E quão maior for o vencimento maior é o ro(u)mbo.

Voltando ao Miguelito, que deu um exemplo estúpido porque a realidade dele é diferente.

Será que quem me lê neste momento é assim tão diferente dele?

Pergunto porque nesta pirâmide social em que vivemos não é só quem está lá mesmo no topo, no pico do pico, que não olha para baixo. Para cima todos olham, para invejar e desdenhar o que o outro ganha, e eu até acho que nem tem mal nenhum, se o facto de invejar fizer com que sonhem que um dia lá poderão chegar. Afinal de contas sonhar não custa e por semana há dois sorteios do Euromilhões. Nunca se sabe. Uma coisa é certa, a trabalhar nunca lá chegarão, e a roubar só se tiverem os contactos certos. Mas voltando ao alheamento do Miguel, que afinal é geral.

Existe toda uma classe média que tem mulheres-a-dias e que tentam pagar o mínimo possível à hora a essa senhora. Essa mesma classe média é a que se queixa de que o seu filho ganha pouco no primeiro emprego, até porque houve um grande investimento na universidade privada do seu menino, ignorando o facto de que aquela senhora a quem ela tenta pagar o mínimo possível à hora, para conseguir chegar ao fim do mês com um ordenado que se veja, tem que trabalhar em mais duas ou três senhoras por dia, sendo que todas elas gostariam de lhe pagar menos do que aquilo que pagam e que o filho não anda na universidade, por muito que ela gostasse, mas a vida não lhe permitiu. Ah, e o primeiro que se lembrar de dizer que estudando teriam acesso a bolsas, podem agarrar nesse argumento e enfiar bem fundo na bolsa. As bolsas não são comparticipadas na totalidade. Há sempre gastos numa universidade, que alguém que é filho de uma mulher a dias, por muito esforço e vontade que tenha, não vai conseguir suportar.

Mas estas pessoas da classe média também trabalham, e trabalham para aqueles que gostam que os funcionários vistam a camisola e, como todos sabem, vestir a camisola no nosso país é trabalhar o máximo que conseguires, cumprindo objectivos estapafúrdios, com prazos ridículos, para que a empresa X fique satisfeita com a empresa onde a pessoa da classe média trabalha, para assim garantir mais contratos promissores que vão garantir que o patrão ganhe muito dinheiro, com o mínimo do seu esforço, mas não dando grande valor ao esforço de quem trabalha, para que a sua empresa cumpra os tais objectivos. Mas não podemos levar a mal o patrão. É que ele é como o Miguel, está lá em cima e a realidade dele é diferente da realidade do cidadão comum, assim como a realidade do cidadão comum é diferente da do cidadão de baixa classe social, assim como a do cidadão de baixa classe social é... Esqueçam, abaixo pouco há. A base da pirâmide é esta e se a base for composta pelos que menos têm nunca chegaremos a lado nenhum, porque uma base fraca acabará por se desmoronar. E isto é um facto a que não podemos ficar alheios.

09
Ago21

Todos juntos não fazem um


Pacotinhos de Noção

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Alguns já reconheceram o senhor que está na foto, outros não fazem a mínima ideia de quem seja.

Este senhor é (ou era, sinceramente não sei se ainda está vivo) o Sr.Engenheiro Luís Almeida, ou o mais comummente conhecido "Papa Concursos".

Nos anos 80 foi vítima de muita admiração, de muita inveja e de muita maledicência.

Inveja e maledicência porque como participava em todos os concursos, e geralmente ganhava, as pessoas afirmavam que não era normal ele conseguir ser sempre seleccionado e que por isso devia estar feito com as produções dos concursos. Lembro-me da justificação dada pelo próprio Engenheiro numa entrevista da época. Espantem-se, mas o senhor naquele tempo tinha em casa um aparelho espectacular e ultra moderno e que era uma fotocopiadora. Como tal, fotocopiava milhares dos cupões que saiam nas revistas e assim tinha quase a garantia de que seria seleccionado.

Mas porque me lembrei de falar neste senhor que "papava" todos os concursos?

Na verdade foi por causa de um pensamento que me surgiu hoje ao saltar de canal em canal.

Reparei que na SIC tínhamos mais uma série do programa das casadoiras que caçam um agricultor, e na TVI acontecia também a magia da paixão, com "O Amor Acontece". O pensamento surgido foi que todos estes concorrentes juntos, os do reality-love show da TVI , com os da SIC e até com concorrentes de séries anteriores destes programas, todos juntinhos não conseguiriam fazer um Engenheiro Luís Almeida. Quer em carisma, quer em inteligência, quer em cultura geral. Aliás, podemos até juntar ao role dos concorrentes os apresentadores e nem assim conseguiríamos chegar perto da capacidade intelectual do antigo concorrente dos concursos.

Isto não é um caso claro de "antigamente é que era bom". Se calhar até nem era, aliás recordo-me bem de uma massa crítica que abominava e falava mal da existência de tantos concursos televisivos... Mal sabiam eles. Mas até dou de barato e vamos fingir em concordar que o antigamente não era bom. O problema não está ai. O problema está é no facto de que o agora não chega sequer a mau, de tão medíocre que é.

Peço imensa desculpa a todos aqueles que assistem a estes programas, e que se possam sentir melindrados por esta minha crítica.

Se gostam de ver este género de programas o problema é vosso, mas o chato é que também acaba por ser um bocadinho meu. Isto porque o consumo feito por vós deste lixo televisivo, vai fazer com que os canais de televisão continuem a apostar nestes formatos, e mesmo eu sabendo que existem outros canais, pergunto-me porque será que os generalistas não podem passar programas que valham um bocadinho a pena?

Eu faço a pergunta e dou a resposta.

PORQUE QUEM VÊ É BURRO. Lamento mas não tenho outro nome. São burros.

Os canais não inventaram nada de novo, eles só dão ao público aquilo que o público pede e que é esta porcaria.

O nível das pessoas que hoje em dia participam nestes programas é tão mau que o pessoal que participou no primeiro Big Brother português, nem para defecar se sentariam ao lado deles, mas ainda assim têm quem os idolatre.

Tenho consciência que programas como "A Noite da Má Língua", com o Rui Zink, "As Noites Marcianas" com o Carlos Cruz, o "CQC" com o Pedro Fernandes ou até uma pérola humorística como o "Herman Enciclopédia" do Herman José, hoje em dia não teriam palco. Não porque não tivessem qualidade, mas porque o público quer o prato todo mastigado para fácil deglutição. Isto já não é de agora. Falando no Herman lembro-me por exemplo do "Hora H", que foi um fracasso não porque não prestasse, mas porque para se ter humor há que ter pelo menos um pouco da massa cinzenta a funcionar, e ao que parece a dormência é total.

Reparem que mesmo programas considerados mais ligeiros como "O Fura-vidas" com o Miguel Guilherme e Ivo Canelas, ou até "Os Malucos do Riso" com o Guilherme Leite e a Carla Andrino, hoje não teriam a quantidade de público como o que foi na altura granjeado, porque aquilo que davam não era "reality", não eram acontecimentos do dia-a-dia... Mas quantas pessoas têm um dia-a-dia tão podre como o destes "reality show" amorosos!?

Há uns anos lembro-me que davam notícias de que na Holanda existia uma zona apelidada de "Red District", em que as senhoras ficavam em montras para venderem os seus corpos aos clientes. Era um escândalo.

Hoje a montra transformou-se em televisão, já são senhoras e senhores, os corpos que se vendem e vendem-se a preços de saldo.

Têm um minuto de fama e sentem as luzes da ribalta, mas um minuto são apenas 60 segundos e a lâmpada funde-se depressa.

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