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Pacotinhos de Noção

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

A noção devia ser como o açúcar e vir em pacotinhos, para todos tomarmos um pouco...

Pacotinhos de Noção

23
Jun22

Espectáculo de aberrações


Pacotinhos de Noção

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Quem for leitor habitual do que escrevo saberá serem algumas as vezes em que abordo assuntos tratados no programa Extremamente Desagradável. Tendo eu um blog, e página de Instagram, com o nome "Pacotinhos de Noção", e sendo os visados daquela rubrica de rádio, personalidades que necessitam de doses cavalares de noção, julgo que esta parceria abusiva, da minha parte, acaba por ser natural.

Nos programas de 2.ª e 3.ª feira, ouvi algo que pensei estar banido já há muitos anos. Os espectáculos de aberrações. Aqui não há o homem elástico nem a mulher barbuda, apenas um homem parvo e uma mulher estúpida. Pelos epítetos aplicados até poderiam chegar lá, mas como um dos intervenientes não é assim tão famoso, o melhor é dizer-vos quem são. Falo de Maria Vieira, a "Parrachita", a Marilyn Monroi do André Ventura, a meia leca que é louca e meia.

E falo também de Sérgio Tavares... Quem?! Perguntarão vocês, ao que vos respondo que não sei, mas estive a pesquisar um pouco, e entre o NADA e o MUITO POUCO lá está este grandioso comunicador do mundo actual, que ninguém conhece, mas que, ao que parece, tem muito sucesso nas redes sociais, principalmente a ser bloqueado pelas mesmas, por dizer tanta estupidez e barbaridade.

Como um maluco a falar sozinho é apenas um maluco a falar sozinho, Sérgio convidou a Parrachita para serem comentados assuntos da actualidade e passou assim a existir uma conversa de malucos.

Deram uma lambidela por todas aquelas que são algumas das mais populares teorias da conspiração. Desde as vacinas do Covid, o próprio Covid, a Nova Ordem Mundial, a criação da guerra na Ucrânia por parte da NATO, a de que é o marido da Maria Vieira que lhe escreve os posts, o Grupo Bilderberg, enfim, tudo e mais alguma coisa.

Mais uma vez dá para perceber que estes conspiracionistas estão de mal com o mundo, e querem à viva força fazer o sangue correr-lhes nas veias, mas tenho más notícias. É que as alforrecas não têm sangue, são apenas uma massa gelatinosa, muito incómoda, e que têm uma curiosidade comum ao Sérgio, à Maria Vieira e a todos os outros como eles, e que é a de que o mesmo orifício que serve de boca também serve de ânus, o que confirma aquilo que tantos dizem, e que é o célebre "quando abrem a boca, ou entra mosca, ou sai..." E vamos então a algumas dessas saídas, para perceberem o calibre de retardados com que lidamos.

Não vou parafrasear "ipsis verbis", mas o contexto é exactamente o que descreverei. Foram ditas coisas como:

 "— Adoro o meu Bolsonaro"

"— Castração química não, deviam era cortar logo tudo"

"— Agora até já é possível casar homens com homens"

"— Os epidemiologistas da Covid mereciam morrer"

"— A varíola dos macacos é transmitida pelo rabo"

"— Já só falta legalizar a pedofilia e não estamos longe disso quando permitirem casamentos entre adultos e crianças como nos países muçulmanos"

"— O Milhazes mandou todos para o c@r@1h0 e é um aldrabão porque o Putin é apenas um conservador, nacionalista, contra a eutanásia, e contra a ideologia de género..."

"— Portugal manda dinheiro para a Ucrânia e os nossos pensionistas vivem debaixo da ponte"

"— A verdade acerca da varíola dos macacos é que só existe devido aos homossexuais"

"— Uma vez apanhei uma parada gay na rua e até fiquei doente "

Admitam lá que estão maravilhados com estas pérolas que vos dou.

Isto não é um qualquer bloco humorístico, são mesmo duas pessoas desprezíveis à conversa e que, infelizmente, são uma amostra da população que se vai alargando mais, o que é bastante assustador. É assustador imaginar que temos um partido com assento parlamentar e com reais perspectivas de crescimento para as próximas eleições. Houve uma altura em que todos riram e acharam divertido ver no André Ventura o palhacinho que não era para considerar, mas a percepção que tenho é que existe muita gente inconsequente que votou, e pondera votar nesse palhacinho.

Aquilo que posso desejar é apenas que a outrora acarinhada Maria Vieira, agarre nesta Maria Vieira podre e azeda, e faça mais espectáculos degradantes como aquele em que cantou o "Happy Birthday ao André Ventura. É que não foi só a Marilyn Monroe que andou as voltas na tumba, os estômagos de todos os portugueses também, e pode ser que cause um asco tal, que na hora de votar até se afastem do quadradinho do CHEGA.

26
Mai22

O trabalho do Milhazes


Pacotinhos de Noção

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Esta informação poderá ser toda recolhida e confirmada na internet, mais especificamente na Wikipédia.

José Milhazes rumou à União Soviética em 1977. A ideia inicial seria a de estudar e voltar ao seu país de origem, mas logo após se formar, em 1983, acabou por casar e ficou pelas terras dos czars. Voltou em definitivo a Portugal em 2015, o que significa que passou 38 anos pelas terras de Tolstoi, autor, aliás que Milhazes traduziu para português, por entre outros tantos, em que também fez o mesmo trabalho.

Ao longo das décadas passadas na Rússia, Milhazes tornou-se jornalista e, consequentemente, colaborador, e correspondente para rádios e jornais como a TSF, o Público, Agência Lusa, RDP e mais tarde a SIC.

Lançou mais de uma dúzia de livros, variados artigos científicos e tem também já uma extensa carreira como historiador.

Ultimamente era visto semanalmente, como comentador, no programa da SIC Notícias, Invasões bárbaras, apresentado por Iryna Shev, e em que partilhava mesa com Olivier Bonamici e Giuliana Miranda.

Como podem agora observar, o título "O trabalho do Milhazes" não tinha o intuito de ser um trocadilho para brincar com a tradução feita pelo jornalista no Jornal da Noite, deixando Clara de Sousa escandalizada, Nuno Rogeiro divertido, e todo um país que reclama para si um intelecto superior, ao afirmar que não vê programas como o Big Brother, por exemplo, por não gostar do que representa e daquilo que por lá se diz, mas que vai aos píncaros da emoção por haver uma constatação do Milhazes ao afirmar que os jovens russos num concerto, em plena Rússia, repetem que "A guerra que vá para o c@r@Ih0", ignorando que José Milhazes o fez para sublinhar a coragem daqueles jovens, perante as forças policiais comandadas por um ditador que, até agora, não tem tido qualquer pudor em bater, invadir, prender, matar.

Esta mensagem de Milhazes foi remetida para segundo plano, e aquilo que gerou memes e transformou o jornalista no novo herói português foi a reprodução de um palavrão no horário nobre na SIC.

Para alguém com uma carreira tão rica e tão extensa como a de José Milhazes, ser reconhecido e vangloriado apenas devido a um palavrão, haverá de ser muitas coisas, sendo que a principal será a frustração. 

Força Milhazes, és bem mais que aquilo que agora te querem imputar, e se por acaso continuarem a chatear-te com essa treta, manda, mas é toda a gente para o...

19
Mai22

Opiniões que nos definem


Pacotinhos de Noção

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Nalgumas situações as redes sociais acabam por ser como a realidade. Diariamente nos cruzamos com gente que não interessa e temos duas opções, ou engolimos, ou mandamos dar uma volta.

Não vou divulgar o "nome" da pessoa em questão porque receio que exista sempre alguém que a possa importunar, mas sei perfeitamente que ela vai ver este post, e ainda bem.

Esta é uma senhora com quem estou quase sempre em desacordo. Adora o Costa e os Governos PS. Gostos são gostos, e tal como ela, mais de 50% dos votantes tiveram a triste ideia de votar em quem enterra consecutivamente o país. A falta de gosto é ainda mais flagrante quando mostra que é das tais senhoras de meia-idade que continuam seduzidas pelos cabelos grisalhos de Sócrates. A certa altura defendia que o SNS é maravilhoso, mas pouco tempo após o proferir foi operar as cataratas à CUF, em vez de usufruir daquilo que tanto diz apreciar. Para finalizar, e para mim, foi a gota que transbordou o copo, desde que começou a guerra na Ucrânia já demonstrou não ser a favor de algumas sanções, que o Zelensky é o demónio na terra e agora insinua, como as imagens demonstram, que os ucranianos são nazis, conforme o próprio Putin defende.

Se em todos os outros assuntos posso compreender que existam opiniões diferentes da minha, neste caso da guerra não é sequer admissível que se veja o outro lado da mesma moeda. É um assunto em que não se pode ficar em cima do muro.

Quem tiver o mínimo de dúvida em condenar Vladimir Putin, mesmo não o afirmando, como no caso do PCP, aliás, das duas uma, ou é estúpido, ou é idiota, e são pessoas assim que me repugnam e deixam-me aziado, e com os quais não pretendo ter o mínimo de ligação, quer seja no dia a dia, quer seja aqui, neste mundo virtual onde o anonimato até me dá a cobarde coragem de dizer a esta senhora o quanto ela não tem noção de quão pouco humana consegue ser. E é até a amostra de que quem gosta de animais não tem que obrigatoriamente ser boa pessoa. Bem sei que aos 50/60 anos, viver com gatos nem sempre é opção, é apenas a consequência de uma vida de amargura, arrogância e estupidez, mas ainda assim fica sempre bem mostrar que se tem muito amor pelo Nóquidó e pelo Riscas.

Alguns estarão agora a perguntar-se o porquê deste destaque a alguém que é anónimo, que assim se manterá e que provavelmente não merece o tempo que gastam ao ler estas linhas. Os motivos são dois.

O primeiro é porque o Pacotinhos de Noção nasceu por causa destas pessoas. Serve de escape para falar sobre situações e elementos da sociedade, que vivem entre nós, julgam e comportam-se como se fossem a última bolacha do pacote, mas só porque não tem a noção que aquilo que defendem e aquilo que acreditam faça delas, sim senhor, a última bolacha do pacote, mas é um pacote de bolachas de Água e Sal velho e bolorento, com aquela bolacha que todos rejeitaram e está até toda esmigalhada.

O segundo é porque ao observar as fotos desta pessoa, a ideia que dá (e aqui até posso estar enganado) é a de que trabalha num estabelecimento de ensino. Não sei se como auxiliar ou professora, não é importante, mas aquilo que importa é que alguém que não consegue discernir do que é facto e do que é propaganda, do que é uma desculpa esfarrapada para invadir um país e do que é real, e que não consegue compreender que morrem pessoas, incluindo crianças, crianças com quem trabalhará e como tal até deveria haver um laço mais afectivo, no lugar do coração deve ter uma pedra e no lugar do cérebro apenas vácuo e deveria ter sido submetida a importantes testes psicotécnicos para que em vez de trabalhar com miúdos, trabalhasse com... sei la, calhaus.

15
Mai22

Os ucranianos estão acima de mim


Pacotinhos de Noção

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No andar por cima do meu vive um casal de ucranianos. Já cá estão há cerca de 6 anos e sempre foram uma trampa de vizinhos.

Barulhentos, incómodos, e até cheguei a ter que chamar a polícia e ameaçá-lo pessoalmente após ele ter batido à mulher que tinha anteriormente.

Isto era tudo verdade até dia 24 de Fevereiro deste ano. Nesse dia fatídico Vladimir Putin decidiu invadir a Ucrânia e a minha perspectiva em relação a este casal mudou como da água para o vinho.

Se ele bater na mulher, há de ter as suas razões, se às 2:30 da manhã decidirem martelar só tenho que compreender que a melhor altura para pendurar quadros é de madrugada, e se por acaso o tipo se lembrar de andar a cuspir cascas de pevide pelo prédio e no elevador, como já havia feito antes, não me custa nada pegar numa pá e numa vassoura e ir lá limpar. Afinal de contas eles são ucranianos e merecem toda a minha admiração e solidariedade pela luta que intentam pelo seu país.

Lembrei-me de falar deles agora porque fiquei muito contente com a festa que à meia-noite decorria no andar por cima do meu. O barulho era um bocadinho demais, pareciam porcos a guinchar, mas por mim tudo bem. Ainda por cima para comemorar a vitória da Ucrânia no festival da canção.

Isto realmente há coisas do catano! Quem quiser agir de má-fé vai dizer que a música ucraniana não estava nem nas 6 melhores, mas que como agora o que interessa é enaltecer tudo o que tenha a "marca" Ucrânia, eles ganham até nos jogos de matraquilhos, e sem jogar.

Mas eu não, eu suponho que a Ucrânia ganhou agora por coincidência! A música de quem ganhou, e era obviamente a melhor, só pertencia à de um país em guerra por coincidência. Certamente que se estivesse tudo bem, a Ucrânia ganharia à mesma, afinal de contas a música deles é uma autêntica ode.

Depois desta palhaçada toda vamos então falar a sério?

Para mim a importância de um festival Eurovisão da canção é igual a zero, mas o que é um facto é que é um evento que tem muito pouco de canção e demasiado de política, ou alguém terá aqui a coragem de dizer que a música da Ucrânia ganhou por ter a melhor música, e não por ser o país que está em guerra, e consequentemente na boca do Mundo? Já aconteceu o mesmo quando ganhou o barbudo vestido de mulher, a gorda vestida de galinha e agora com os ucranianos que só ganharam com o voto do público.

Não é desta forma que se ajuda o país, e acaba por ser injusto para todos os outros participantes. Se era para ter este final então nem valia a pena tanto tempo gasto. Atribuíam logo o prémio à Ucrânia e acabou. E agora fica já aqui definido que o próximo Nobel da paz será para o Zelensky, nem é preciso pensar muito. Se for com votação do público, então está mais que garantido, são apenas isso mesmo, situações ridículas. Quem vai com muita sede para fazer o bem, ou para ajudar quando a ajuda não foi solicitada, acaba depois por ter retornos que não estava à espera. É como os autocarros que iam daqui até à Ucrânia para ir buscar refugiados, mas que voltavam depois  vazios porque não havia refugiados para trazer.

Não minimizo a luta e o esforço da Ucrânia. Isto de que falo é completamente à parte. Passa-vos pela cabeça que a frente militar ucraniana fez uma pausa nos combates para assistir ao festival. Ou mesmo que isto não tenha acontecido, julgam que a primeira informação que vão amanhã transmitir aos soldados é:

"Meus caros, uma série de tipos decidiram fazer cantiguinhas para ir ao festival para vos dar alento. Não iam ganhar, mas o público tem tudo o que é ucraniano como coitadinho e decidiram dar uma abebia. Agora que receberam esta preciosa informação, vamos de imediato tomar de volta tudo aquilo que os russos nos ocuparam... Obrigado Eurovisão."

Já centenas de pessoas previram que o desfecho do festival seria este, o que prova que o Mundo está cada vez mais formatado. Tantas individualidades, tantas teorias de que "eu sou eu, os outros são os outros", mas no final é tudo o mesmo, têm todos as mesmas atitudes de carneirada.

Lembrem-se, se o Zelensky ganhar o Nobel da paz, foi aqui que leram essa previsão, primeiro.

Mais uma vez as pessoas são extremistas. Agora tudo o que é russo e todos os russos são bandidos, e tudo o que é ucraniano e todos os ucranianos são coitadinhos. Alerto-vos também, e o que vou dizer não será bem-visto por muita gente, mas no meio dos refugiados veio também muita gente que não vale nada, não se iludam, e dentro da Rússia, existe também muita gente que tenta informar a população e divulgar as enormidades que Putin faz, correndo até risco de vida.

Mas não foi disto que vos vim falar, foi da enorme vitória dos ucranianos na Eurovisão...

Isto faz-me lembrar uma bela frase polémica, do Salvador Sobral, dias depois de também ele ter ganho este prémio, mas que a falta de reacções, a essa frase acaba também por dar-lhe razão. A frase é, e passo a citar: "Eu sinto que posso fazer qualquer coisa que vocês aplaudem. Vou mandar um p€id0 para ver o que é que acontece".

Com a Ucrânia, actualmente, acontece a mesma coisa.

05
Abr22

Recreio do demónio


Pacotinhos de Noção

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Tenho tentado não falar acerca da guerra.

Não por casmurrice ou pudor, não porque a queira esquecer nem fingir que não existe. Evito fazê-lo porque me custa genuinamente escrever sobre algo em que tenho a noção que não consigo fazer passar, por palavras, toda a ansiedade, toda a mágoa toda a impotência que sinto nesta situação. Não sou ninguém, na verdade, e peço desculpa por dizer-vos de forma tão crua, mas também vocês não são.

Podemos reunir bens, medicamentos, tudo e mais alguma coisa para enviar para a Ucrânia, mas o nosso peso na continuação ou não deste conflito, é nula. As decisões que realmente importam estão nas mãos duma pequena franja de gente, e mesmo esses estão dependentes da anuência de um doente, de um ser que julgávamos mais não existir, dum criminoso, dum ser nojento, dum autêntico filho da p*t@. Não é o tipo de linguagem que prefiro utilizar quando escrevo, mas neste caso é mesmo o que mais se adequa.

Diariamente temos acesso a notícias horríveis dos hediondos actos que têm sido perpetrados na Ucrânia. Desde casos de crianças atingidas por bombas, que lhes rebentaram ao lado, mas que ainda assim tiveram a sorte de sobreviver, a outros casos de crianças que não tiveram essa mesma sorte. Famílias inteiras chacinadas e outras que foram violentamente amputadas de um pai, uma mãe ou de um filho.

Vemos imagens do ataque deste fim de semana, em Bucha, onde foram mortos centenas de civis que já não viviam, apenas sobreviviam, mas nem isso os deixaram fazer. Fizeram da cidade um autêntico recreio do demónio, sendo que o pior deles todos mantém-se sentado, na sua cadeira de veludo, no Kremlin.

Qual é a justificação de nojentos como o Putin e o Lavrov, quando vemos imagens de civis mortos na estrada. São civis sem qualquer sombra para dúvidas, pois não envergavam nenhum tipo de camuflado, deslocavam-se em bicicletas, por exemplo, tentavam fazer o seu dia-a-dia comum, por muito pouco normal que isso possa parecer, dado que estavam em cenário de guerra, mas não tiveram outra hipótese. Não quiseram, não conseguiram ou não puderam fugir, apostaram as suas vidas e a aposta foi perdida, sem ninguém ter saído a ganhar.

O Kremlin, pela voz de Lavrov, já veio dizer que o ataque de Bucha, e outros alegados crimes de guerra, são mentira. São encenações. Este tipo deveria ter as entranhas puxadas para fora pela própria boca. Violência gera violência, e o mínimo que desejo agora para Putin, Lavrov, e todos aqueles que rodeiam e apoiam o iniciador desta guerra é que mais tarde ou mais cedo seja feita justiça e que seja, de preferência, popular, para eles poderem temer a ira daqueles a quem mais fizeram sofrer, porque se calha a serem julgados num tribunal de guerra é muito provável que nada de mais lhe aconteça, e sim, para mim se estes tipos apanharem perpétua e morrerem de velhos na prisão, isso será "nada de mais", pois não sofreram o suficiente.

Por incrível que vos possa parecer a verdade é que ainda assim existem pessoas que apoiam o Putin. Vi há uns dias um vídeo com 4 ou 5 velhas russas que, orgulhosamente, se vangloriavam de ser pró-Putin, considerando-se até tropas dele e que o defenderiam até à morte... Pois, que o defendam, e defendam bem, e que a morte chegue-lhes cedo, pois ao defender alguém que comete as atrocidades que ele comete, não são melhores que ele.

Tal como imaginava no princípio este texto não esclarece, este texto não informa, este texto não apazigua. Transparece a revolta que vou sentindo, que vai crescendo e que de nada vale. Não tenho crenças e fé em divindades, se existissem já teriam mandado um raio que rachasse ao meio o trampas do Putin. Durante anos eu afirmava que era no Homem que acreditava.

Um Homem evolutivo, pensador, bondoso, benevolente, um Homem que preza a paz... Mas esse Homem não existe. Poderão existir alguns homens e mulheres assim, e embora sendo eles grandes, GIGANTES até, o que é um facto é que são poucos e todos juntos não conseguem colocar um H maiúsculo na palavra Homem, porque a Humanidade está conspurcada, está violada, oprimida e amordaçada por líderes políticos que de líderes não têm nada e que são fruto duma sociedade cada vez mais mesquinha, violenta, oportunista e sem empatia.

Não desejo uma Guerra Mundial, mas desejo a morte. Desejo a morte daquele que tantas tem causado. Bastava que houvesse a alma caridosa que lhe desse um tiro na testa, e o Mundo ficaria melhor.

Lamento por estas linhas tão lúgubres e funestas, e que nada trazem de positivo, mas servem-me de desabafo.

Tenho mulher, tenho filhos, tenho amor, sou feliz... Tantos que podiam afirmar isto, até há bem pouco tempo, e que agora nada têm. Não quero ser essa pessoa, e o facto de estarmos aqui metidos num dos cantos da Europa pode ser benéfico para nós, mas estando o Mundo a arder, mesmo ficando Portugal salvaguardado, como iríamos viver? Espero não vir a saber.

16
Mar22

Ser cobarde salvaria mais vidas


Pacotinhos de Noção

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O conceito de herói é muito subjectivo e tem cada vez mais sido banalizado. 

A partir de determinada altura todos são heróis. Desde o tipo que salva uma família de um incêndio, até ao outro que conseguiu solucionar o caso de uma torneira que não parava de pingar.

Para mim a palavra herói não tem um sentido tão lato, e muito provavelmente nem vai ao encontro daquilo que a maior parte das pessoas usa como definição. Mas isto é porque sou um pouco cobarde, até caguinchas, e para pessoas como eu, o herói é aquele que consegue evitar o conflito.

Tomemos como exemplo o caso de Zelenskiy.

O presidente ucraniano está, neste momento, catalogado como herói. Concordo e nem tenho nada a apontar.

O homem surpreendeu tudo e todos, surpreendeu principalmente Putin, que pensava poder manietar o adversário com relativa facilidade, mas tal não aconteceu. Zelenskiy fez frente a alguém mais poderoso e até tem a sua vida colocada em risco para defender uma nação... Mas e o que é uma nação? É apenas um pedaço de terra, em determinado lugar, ou uma nação só o é graças às pessoas que a formam?

E a nação, que acaba por ser algo de abstracto, merece que se morra e se mate por ela?

Aquilo que aqui vou expor não é o certo ou o errado, é apenas aquilo que eu faria, tendo em consideração o meu pouco caso para qualquer categoria de conceito de nação, de orgulho nacional ou amor à pátria.

Gosto de Portugal? Gosto do território, do clima, e até de algumas comidas, mas cada vez gosto menos da praga que infesta o país, e que são as pessoas. Dado curioso é que pessoas há em todo o lado e não diferem muito de sítio para sítio. De qualquer maneira mesmo eu apreciando cada vez menos pessoas, não julgo que deveriam desaparecer. Talvez o certo seria eu transformar-me numa espécie de eremita, porque no final das contas quem está mal sou eu. Não posso ser o tipo que vai na autoestrada em sentido contrário, defendendo que sou o único que está correcto.

Como não penso que devam desaparecer, e caso estivesse no lugar de Zelenskiy, mal houvesse a pequena ameaça de uma invasão, que pudesse causar qualquer tipo de baixa, render-me-ia logo. Mas é que nem pensava duas vezes. Sei ser chocante isto que escrevo, mas recordo-vos que quem vos escreve é um tipo assumidamente sem valores patriotas, com pouca coragem pessoal, e que julga que uma vida, seja ela russa, ucraniana, portuguesa ou chinesa, não tem preço. Se for de uma criança então, a dívida que fica, de cada vez que uma é vítima desta guerra (ou de outra qualquer) é impossível de pagar.

As últimas notícias dão conta de pelo menos 100 crianças mortas. Não tenho palavras que consigam transmitir a tristeza que me percorre todos os poros, todas as veias, todos os milímetros do meu corpo, ao imaginar o medo que uma criança tem, neste cenário dantesco. O sofrimento dos pais que perderam quem mais amavam, e a constatação de que estas 100 crianças estão a horas e dias de se transformarem em 110, 120, 200.

É por isso que para mim o acto mais heroico que Zelenskiy, e o próprio povo ucraniano poderia fazer, era entrar em conversações, com o animal do Putin, e dizer-lhe que sim a tudo. Que não querem a NATO, que não querem a Europa, que não vão ter armas nucleares, que saltam ao pé-coxinho... Eu sei, eu sei que em teoria Putin ganharia esta guerra, mas não vejo as coisas por esse prisma. Quem verdadeiramente ganharia a guerra seria quem nela não morreu, nem iria morrer. Seria quem pudesse voltar para sua casa e para junto dos seus, seriam todas as crianças que poderiam voltar a sonhar em ir para a escola, crescerem e serem adultos.

O que realmente iria mudar no dia a dia do comum ucraniano? Julgam que muito? Não me parece. Esta, e todas as guerras de sempre, acabam por acontecer por motivos políticos, e é verdade que um político forte como o Zelenskiy dá outra moral, outro tipo de força, que nos faz ficar mais corajosos. Mas continua a valer mais um corajoso morto do que um cobarde vivo?

Posso garantir-vos que se fosse ucraniano a minha coragem estaria apenas apontada nos esforços para dali conseguir sair, com a minha mulher e os meus filhos. Seria um desertor? Seria, mas neste jogo que é a vida, já em pleno século XXI, devo dizer que não estava à espera de ter que decidir se deveria matar, ou não, inimigos, mas tendo que decidir, decido sempre que prefiro fugir.

Dos fracos não reza a história, aos fortes rezamos nós, no dia dos seus funerais.

12
Mar22

No meu tempo...


Pacotinhos de Noção

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Lembram-se desse anúncio do Continente, em que a avozinha dizia que no tempo dela se pagava isto ou aquilo, por determinado produto? Pois bem! Eu ainda sou do tempo em que com 30 € conseguia abastecer com 30 litros de gasóleo. Não foi há tanto tempo assim, mas ainda era num Governo que não tinha um lobo vestido em pele de cordeiro.

Bater-vos, é algo que não farei, por darem a maioria absoluta a pessoas que já deram provas de serem tudo menos sérias, mas é algo difícil de esquecer, admito, mas o assunto de que vos quero falar é outro.

Somos inundados diariamente pela solidariedade, e boa vontade, para com o povo ucraniano. Ainda bem que acontece, mas alerto-vos para que não se iludam, porque o ser humano continua a mesma trampa que foi até agora. 

A coisa está ainda muito quente, é o tema de que todos falam e até fica bem, numa conversa acerca da guerra, dizermos que enviámos um pacote de fraldas, ou enlatados para a Ucrânia, mas quando se passa por uma bomba de gasolina conseguimos compreender que não bate a bota com a perdigota. Isto porque quem é solidário, é sempre solidário. Não é solidário só das 10:00 às 13:00 e na parte da tarde deixa de ser, ou não pode ser só solidário com os ucranianos quando dá para mostrar que se é, mas depois, quando ninguém olha, vai de encher jerricãs de gasóleo até dizer chega.

Os preços dos combustíveis estão proibitivos, e a tendência é aumentar. A guerra é a desculpa mais imediata, mas todos sabemos que o assalto governamental, na forma de imposto, é a verdadeira razão. Seja como for, aquilo que se percebe, é que mesmo que fosse a guerra a principal influenciador, isso não seria impedimento para haver chicos-espertos a abastecerem-se de combustível como se fosse imprescindível para a sua vida, como se de oxigénio se tratasse.

Ir atafulhar de filas, as bombas de gasolina mostra o carácter de quem para lá vai. E mostra-o de várias maneiras. A primeira refere-se, como já afirmei, com as sanções impostas à Rússia. Todos concordam, e fazem questão de o gritar a plenos pulmões. Já piam mais fininho é quando dizem que "sanções sim, senhor, desde que isso não me prejudique directamente".

Quando isto calha a acontecer, estas almas tão bondosas, não têm nenhum pudor em pisar os que estão à sua volta, mas sempre de forma distraída, desavisada, para o caso de se alguém chamar à atenção, fazerem cara de parvos e afirmarem que nem lhes passou pela cabeça que pudessem estar a fazer algo de mal.

Aconteceu com o papel higiénico, logo no início da pandemia. Hoje existem ainda pessoas, com arrecadações forradas a rolos da Renova, e caso tentassem usar todos os que compraram, morreriam com 120 anos, com o cu em ferida, e ainda com muitos por usar.

Agora torna a acontecer com o combustível. Não interessa se há para todos. Interessa, isso sim, que eu tenha o meu carro atestado para poder dar as minhas voltinhas. É verdade que não se falou de racionamento do produto, mas se o preço está tão alto, e se existem fornecedores que deixaram de fornecer, não quero estar aqui a tirar conclusões precipitadas, mas julgo que mais tarde ou mais cedo poderá começar a faltar.

Não interessa se empresas de transporte de produtos básicos, e até ambulâncias, possam sentir falhas de abastecimento, importa, isso sim, é que a patega do Range Rover branco, cuja foto circula aqui pelo Instagram, consiga encher todos os seus jerricãs, caso contrário quando quiser ir aproveitar os seus "sunsets", nos "rooftops" bebericar os seus "cocktails", ainda vai ter que apanhar o n.º15E, que pára na Praça da Figueira.

10
Mar22

Crianças


Pacotinhos de Noção

Ontem foi bombardeado um hospital pediátrico. Uma guerra nunca é justa, mas não tem que ser porca nem maquiavélica, magoando crianças como se de adultos se tratassem.

Este vídeo não vai ajudar em nada as crianças na Ucrânia, mas pode ser que o ajude a si. Na eminência de uma guerra nuclear, e se tiver filhos, ame-os muito, exagere no amor. Ame-os como se não houvesse amanhã porque de facto não sabemos se haverá. E proteja-os.

04
Mar22

Bosta de Elite


Pacotinhos de Noção

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Tenho que admitir que estou um pouco saturado do assunto da guerra na Ucrânia.

Não que o assunto não seja importante e da maior relevância, e acho mesmo que deve ser falado, mas não por mim, porque penso que não acrescento nada de novo ao assunto, e, porque é algo que genuinamente me deprime e deixa ansioso.

Custa-me a compreender que em 2022 exista um tipo que invade outro país, que permite que se bombardeiem hospitais e maternidades sem sequer pestanejar. Eu não sei se ele é ou não pai, mas já foi filho e em princípio é um ser humano, logo haveria de ter um pouco mais de consciência humanitária.

Mas para esgotar o assunto vou referir que hoje vi duas coisas interessantes.

Uma foi algo que me passou pela cabeça, mas em traços mais drásticos ainda. Há um tipo oferece 1 milhão de euros a quem conseguir capturar Vladimir Putin. Eu sugiro antes que se faça um "Crowdfunding" mundial, e que em vez de 1 milhão se ofereçam 1000 milhões de euros, a quem lhe der um tiro no meio da testa.

Não sou um tipo violento, nem acredito que violência seja normalmente a solução, mas nestes termos parece-me que ficava o caso arrumado, e morreria um para sobreviverem milhares.

E esta ideia de morrer um para sobreviverem outros surgiu-me também devido à segunda coisa interessante que vi hoje nas notícias.

Parece que um grupo de portugueses se juntaram e vão, como voluntários, combater na Ucrânia. Isto assusta-me porque constato as coisas de vários prismas, e o mais doentio é o deste grupo de portugueses. Sigam o meu raciocínio.

Os ucranianos combatem porque a isso são obrigados. Estão a invadir-lhes o país e têm que combater. Fugir não é grande hipótese, sob pena de poderem ser considerados desertores.

Os russos combatem também porque são obrigados. Um russo, na idade militar, que se recuse a combater é imediatamente preso. Falo de soldados normais, não falo de tropas especiais, como as tchetchenas, por exemplo, que são, na verdade, mercenários que ganham a vida guerreando.

É até por este motivo que as tropas ucranianas têm sido o mais condescendentes possíveis para com os soldados russos capturados, pois sabem que a hipótese que lhes é apresentada é aquela e não têm como fugir.

O que me assusta nos portugueses voluntários é que, numa guerra onde quase ninguém queria estar, eles vão porque querem andar aos tiros, sob o manto da defesa do território ucraniano. Se querem ajudar façam voluntariado, que ajudem os refugiados a seguir o seu caminho e a entrar em contacto com os seus familiares, ou a servir refeições quentes. Recordo que não vão andar aos tiros para o ar, vão lá para matar russos invasores, o que digamos, não é o tipo de voluntariado mais agradável de se fazer. Mas eles querem fazê-lo, eles querem ir lá para a Ucrânia ceifar vidas, e a minha pergunta vai no sentido de conseguir saber se, neste momento, a vida de um russo vale menos do que a de um ucraniano?

Atenção, eu não estou com isto a querer dizer que as tropas russas deveriam ser recebidas com florzinhas nos canos das Kalashnikov. O povo invadido tem que se defender, dado que aquele é o seu país. Mesmo quando vão países de fora, participar num qualquer conflito, só o fazem porque estão também munidos de soldados que vão numa determinada missão, e o trabalho deles acaba por ser esse, agora um grupo de amigos que tão depressa se juntam ao fim de semana, para comer leitão, como se juntam para ir para a guerra a mim assusta pois, significa que existe mais gente a achar piada a andar aos tiros, do que só o Putin. E estão mais perto do que aquilo que provavelmente desejaríamos.

 

01
Mar22

Separar o trigo do joio


Pacotinhos de Noção

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É costume dizer-se que até do mau se consegue tirar algo de bom, mas eu gostaria de reformular esta afirmação dizendo que a maior parte das vezes do mau se consegue tirar algo que não presta e que não interessa a ninguém.

Já fomos testemunhas deste fenómeno com a problemática da pandemia. Surgiram várias teorias da conspiração, mas acima de tudo, o que surgiram foram personagens a fazer tristes figuras que andaram contra corrente apenas e só porque desta forma dariam mais nas vistas, chamariam mais à atenção.

Foram chamados de negacionistas, chalupas, maluquinhos, eles até se intitulavam de informados e esclarecidos, já eu acho apenas que eram iluminados. Iluminados por essa sabedoria superior que só contempla aqueles seres quase celestiais que veem mais adiante, que não se deixam enganar e que colocam a nu todas as fragilidades das cabalas que eles tão bem souberam deslindar.

A técnica é simples e agora, com a guerra na Ucrânia, já começa também a acontecer.

De repente surgiram todos aqueles, que não sendo Pró-Putin, acrescentam um "MAS", afirmando que isto tudo não passa de um plano maravilhosamente orquestrado por esses demónios na terra que são os americanos.

Nem eles próprios acreditam no que dizem, mas dizem-no, e isto é feito porque um carro em contra mão chama muito mais à atenção do que um que segue no sentido correcto.

Não é fácil o lugar em que se colocam. Defender o indefensável é trabalho dos mais complicados. São adeptos do "MAS".

— "A vacina ajuda, MAS aumenta a hipótese de miocardites".

— "Após vacinação, morreram menos pessoas, MAS o que irá acontecer a longo prazo?"

— "O que fazem à Ucrânia é mau, MAS de facto a Ucrânia já fez parte da União Soviética, e Putin até avisou antes de atacar".

Com tanto, mas, mas, mas, também eu agora pergunto: "MAS quando é que começaram a comer cocó, para terem a triste ideia de que serão mais interessantes se forem contra tudo e contra todos, apenas porque querem destoar?

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